Como uma Pentax 67 entrou na produção IMAX de The Odyssey
- há 22 horas
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Christopher Nolan e o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema usaram uma câmera de médio formato modificada como visor em uma produção que levou o filme IMAX a um novo limite técnico.

Uma Pentax 67, câmera de médio formato criada décadas atrás, ganhou uma função improvável nos bastidores de The Odyssey, de Christopher Nolan.
Segundo o DPReview, uma unidade modificada foi usada como visor de diretor durante a produção. A câmera foi adaptada para trabalhar com as lentes IMAX utilizadas no filme, permitindo que Nolan e o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema visualizassem enquadramento e composição antes de posicionar o equipamento de cinema.
A Pentax não registrava as cenas. Sua função estava justamente na visualização.
O formato 6×7 trabalha com uma área de aproximadamente 56 × 70 mm. O tamanho do espelho e do sistema de visualização da câmera permitia observar a imagem produzida pelas grandes lentes usadas no projeto, transformando um equipamento fotográfico conhecido há décadas em uma ferramenta específica para uma produção IMAX.
A fotografia é de Hoyte van Hoytema
O detalhe da Pentax ganha outra dimensão quando colocado dentro do trabalho de Hoyte van Hoytema, diretor de fotografia de The Odyssey e colaborador recorrente de Nolan.
A Kodak confirma Van Hoytema como cinematógrafo do filme. Ele também assinou a fotografia de produções anteriores do diretor como Tenet e Oppenheimer.
Em The Odyssey, o desafio foi ainda maior.
A produção se tornou o primeiro longa-metragem realizado inteiramente com câmeras de filme IMAX. Segundo a própria IMAX, foram utilizados cerca de 2,1 milhões de pés de película durante as filmagens.
Não foi apenas uma decisão estética. A tecnologia também precisou avançar para tornar isso possível.
Entre os equipamentos usados estava a nova câmera IMAX Keighley e um sistema de isolamento acústico desenvolvido para diminuir um dos problemas históricos das grandes câmeras de filme IMAX: o ruído durante a captação de diálogos. A solução permitiu ampliar o uso do formato para situações que antes eram muito mais difíceis de registrar com som sincronizado.
Uma câmera antiga dentro de um sistema novo
É provavelmente o aspecto mais interessante dessa história para quem trabalha com fotografia.
Uma das produções visualmente mais ambiciosas do cinema recente combinou uma nova geração de câmeras IMAX, soluções de engenharia desenvolvidas para o filme e uma Pentax 67 adaptada para uma função que nunca esteve em seu projeto original.
Não há contradição nisso.
A Pentax estava ali porque determinada característica física da câmera resolvia um problema concreto. É um bom exemplo de como inovação em imagem nem sempre significa substituir uma tecnologia pela seguinte. Às vezes significa entender suficientemente bem as ferramentas disponíveis para combiná-las de outra maneira.
Em um momento dominado por sensores, fotografia computacional e inteligência artificial, uma câmera de médio formato criada no século passado encontrou seu lugar em uma produção que empurrou os limites técnicos do cinema analógico.
Talvez essa seja a melhor curiosidade fotográfica de The Odyssey.
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