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Do projeto ao zine: duas oportunidades internacionais abertas para fotografia

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Uma chamada oferece €25 mil para financiar projetos sobre arquivos, fotografia cotidiana e cultura visual. Outra premiação aceita livros independentes, edições artesanais e até zines.



Nem toda oportunidade internacional para fotógrafos começa com a escolha das melhores imagens de um portfólio.


Duas chamadas abertas neste momento mostram caminhos bastante diferentes. Uma delas financia projetos que investigam a própria cultura da fotografia. A outra reconhece trabalhos que já chegaram ao formato de livro, inclusive quando foram produzidos e publicados de maneira independente.


Além dos valores envolvidos, há algo interessante nas duas propostas: elas ampliam o que pode ser entendido como um projeto profissional dentro da fotografia.


Eidolon Grant: €25 mil para investigar nossa relação com as fotografias

O Eidolon Grant 2026, promovido pelo Eidolon Centre for Everyday Photography, em Budapeste, recebe inscrições internacionais até 30 de setembro de 2026.


Ao todo, serão distribuídos €25 mil entre os projetos escolhidos. Não há taxa de inscrição.


A chamada é voltada à fotografia vernacular e às imagens do cotidiano, dividida em duas grandes frentes: culturas fotográficas contemporâneas e fotografias cotidianas do passado.

Isso abre espaço para temas bastante atuais, como circulação de imagens digitais, redes sociais e novos comportamentos visuais, mas também para projetos relacionados a fotografias familiares, arquivos, memória e patrimônio fotográfico.


E não é necessário apresentar simplesmente uma nova série de fotografias.


Entre os formatos sugeridos estão pesquisas e artigos, projetos digitais e multimídia, documentários, exposições, workshops, eventos, masterclasses e livros. A própria organização ressalta que, embora aceite propostas de livros com imagens fotográficas, não está procurando projetos convencionais de fotolivro.


O dinheiro também não precisa ficar restrito aos custos de produção. Segundo o regulamento, pode ser usado para honorários dos próprios realizadores, viagens, preparação, produção e pagamento de parceiros envolvidos no projeto.


Para fotógrafos brasileiros, isso torna a chamada especialmente interessante para trabalhos envolvendo arquivos familiares, fotografia vernacular, memória de comunidades, fotocabines, álbuns, fotografia de smartphone, comportamento visual ou pesquisas sobre como produzimos e consumimos imagens atualmente.


A candidatura exige resumo, descrição detalhada do projeto, metodologia, cronograma, materiais visuais e orçamento. A documentação deve ser apresentada em inglês.


Lucie Photo Book Prize: espaço também para zines e autopublicação

Para quem já transformou o trabalho em publicação, outra chamada segue aberta.


O Lucie Foundation Photo Book Prize 2026, dos Estados Unidos, prorrogou as inscrições até 15 de setembro de 2026 e aceita trabalhos produzidos internacionalmente.

O prêmio contempla desde livros publicados por editoras até projetos independentes, livros artesanais e zines.


São três categorias principais:


Book of the Year: US$ 3 mil, destinados à editora.

First Book: US$ 2 mil, pagos ao fotógrafo em seu primeiro trabalho no formato livro.

Self-Published: US$ 2 mil, pagos ao fotógrafo responsável por publicação independente ou artesanal.


Há um detalhe operacional importante para brasileiros: a inscrição é feita online e a Lucie

Foundation pede explicitamente que os participantes não enviem livros físicos para a fundação. O livro completo é apresentado digitalmente durante o processo.

A taxa para fotógrafos é de US$ 50 na primeira inscrição. Para editoras, US$ 75.


Mais do que o prêmio em dinheiro, a existência de uma categoria específica para autopublicação mostra como formatos que durante muito tempo circularam à margem do mercado editorial tradicional passaram a ocupar seu próprio espaço em premiações internacionais.


Um zine, uma pequena tiragem ou um livro produzido pelo próprio fotógrafo não precisam necessariamente esperar a validação de uma editora para começar a circular profissionalmente.


O projeto pode ser maior do que a série de fotos

As duas oportunidades apontam para direções diferentes, mas deixam uma pista interessante.


No Eidolon, o fotógrafo pode trabalhar com pesquisa, arquivo, memória, educação, circulação de imagens ou cultura visual. No Lucie, uma produção independente pode chegar ao circuito internacional sem necessariamente passar primeiro por uma grande editora.


Isso muda um pouco a pergunta.


Em vez de olhar apenas para “qual série de fotografias eu poderia inscrever?”, talvez valha observar o que já existe ao redor do seu trabalho: arquivos, histórias, pesquisa, conhecimento acumulado, publicação, comunidade, método ou uma ideia que ainda não ganhou formato.


Às vezes, o próximo projeto não exige fotografar mais. Exige perceber melhor o que já está nas suas mãos.


E se a questão hoje for justamente entender o que fazer com aquilo que você já construiu, o Desafio R.U.M.O. começa em 31 de agosto. Durante cinco dias, vamos trabalhar comunicação, oferta, valor e decisões práticas para o negócio fotográfico.


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