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O retrato de US$ 8 milhões (que o fotógrafo nunca recebeu)

Andrew Miller fotografou Vitalik Buterin, o cofundador da Ethereum, mas nunca foi pago pela criptomoeda que valeria uma fortuna hoje. Caso repercute em sites de criptomoedas e de fotografia

Sabemos muito bem que ser fotógrafo freelancer tem seus desafios. Cobrar os clientes, receber os pagamentos, enfrentar a concorrência, mas poucos podem dizer que perderam US$ 8 milhões por um trabalho que fizeram. Foi isso o que aconteceu com Andrew Miller, o fotógrafo que registrou a imagem de Vitalik Buterin, o jovem bilionário que criou a criptomoeda Ethereum junto com outros programadores.


Miller, que é um fã de jogos e tecnologia, ficou fascinado pelo enigmático Buterin, que já era famoso na comunidade cripto. Ele o procurou com uma proposta de fazer um retrato dele na época em que o Ethereum estava sendo lançado. Buterin aceitou, mas estava sem dinheiro naquele momento, então um dos seus investidores sugeriu que Miller fosse pago na nova moeda Ethereum.


Miller arcou com os custos da sessão – que incluíram jantar, um assistente e um maquiador – e concordou em receber a oferta inicial de moedas, desde que fosse o equivalente a US$ 1.200 (R$ 886). Esse foi o valor que Miller cobrou pela sua sessão de fotos.


Miller contou ao petapixel que ele deveria ter recebido os direitos autorais da foto durante a oferta inicial de moedas, quando o Ethereum valia US$ 0,31, o que significa que o fotógrafo deveria ter ganhado algo entre 3.225 e 3.600 Ether. Hoje, 3.600 Ether valem cerca de US$ 8 milhões.


“Eu falei que se eles usassem a foto comercialmente, eles deveriam me pagar em ether pelo valor inicial da oferta de moeda. Eles concordaram em princípio e iam ver como me enviar as moedas através da oferta. Era ainda um processo novo e teórico para eles”, diz Miller.

“Eu encontrei ele duas semanas depois em Vancouver, no CoinFest de 2014, e fui com ele almoçar e outras atividades. Eu perguntei a ele como seria feito o pagamento e o Anthony [um investidor] me mostrou uma carteira de Bitcoin para me ensinar como se podia mandar moedas de um lado para o outro”, acrescenta.


“Eu sempre entendi que eu receberia Ether na oferta inicial de moedas. Eu só achei que no final, eles não usaram a foto comercialmente. Nem tudo era tradicionalmente público e havia uma falta de fotos no site do Ethereum.”


Só que Miller nunca recebeu a criptomoeda e, depois de perder o contato com Buterin, ele não sabia que sua foto tinha se espalhado comercialmente. Ela estava sendo usada em matérias de jornal, memes, fan art e até sendo vendida como um NFT sem nenhum crédito para Miller.


Apesar de várias tentativas de contatar Buterin, Miller não teve resposta do cofundador do Ethereum e agora diz que está “preso em uma situação em que não houve resposta do Vitalik ou da organização Ethereum”.


“Parece que minhas fotos tiveram um papel significativo na formação da percepção positiva do Vitalik e contribuíram em alguma pequena parte para a ascensão do Ethereum”, escreveu Miller em um artigo no site Photography DIY,


“Hoje, eu estou lutando para conseguir crédito e reconhecimento depois que as fotos ficaram famosas, deixando meu nome desconhecido. A história do que eu fiz pelo Vitalik não foi contada, e só podemos olhar para trás e entender seu significado dado o momento e o que aconteceu depois. A alegria que eu senti em ver minhas fotos cumprindo esse papel foi diminuída quando eu soube que elas foram usadas comercialmente pelos cofundadores do Ethereum, que nunca terminaram a conversa comigo.”


Miller afirma que nunca emitiu a fatura, porque, se o fizesse, a lei canadense exigiria que ele declarasse imediatamente como renda e pagasse impostos de renda e vendas sobre ela, tenham recebido pagamento ou não. O retratado e a Ethereum não quiseram comentar o caso.


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