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O que estou lendo: celular com câmera robótica, Avedon, Pedro Martinelli e o estranho futuro do rolo de câmera

  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

Uma seleção de conteúdos sobre fotografia, tecnologia, memória urbana, mercado de usados, imagem ambiental e novas formas de transformar arquivos pessoais em experiência visual.



Esta semana, minha leitura sobre fotografia passou por caminhos bem diferentes, mas que se encontram em um mesmo ponto: a imagem está deixando de ser apenas resultado de uma câmera e se tornando cada vez mais interface, memória, jogo, arquivo, objeto de mercado e ferramenta de leitura do mundo.


O primeiro sinal vem da tecnologia. A Honor apresentou o conceito de um smartphone com uma câmera presa a um braço robótico embutido, capaz de se mover para fora do corpo do aparelho e fotografar a partir de ângulos diferentes. A proposta ainda soa como protótipo, mas aponta para uma tendência importante: o celular não quer mais apenas melhorar a câmera. Ele quer mudar a própria posição da câmera em relação ao corpo, ao gesto e ao enquadramento. Leia mais.


Esse tipo de movimento ajuda a entender uma transição maior. Durante anos, a evolução dos smartphones foi medida por resolução, número de lentes, modo retrato e processamento computacional. Agora, algumas empresas começam a experimentar outras formas de captura. A câmera deixa de ser apenas um ponto fixo no aparelho e passa a se comportar quase como um pequeno operador visual. Ainda é cedo para saber se isso vira produto relevante ou curiosidade de feira, mas o sinal importa.


Em outra direção, a Veja São Paulo mostrou o trabalho de André Gomes, fotógrafo que transforma casas antigas e prédios icônicos de São Paulo em acervo histórico nas redes. É um caso interessante porque mostra como a fotografia urbana ganhou nova função pública.

O que antes poderia ficar restrito a arquivos, livros ou exposições passa a circular como memória compartilhada em plataformas sociais. Leia mais.


Esse é um ponto que me interessa muito. A cidade muda rápido, mas a fotografia pode desacelerar a percepção. Quando alguém registra fachadas, casas, letreiros, esquinas e prédios que passam despercebidos, não está apenas fazendo imagem bonita. Está criando documentação afetiva. Em tempos de produção visual acelerada, esse tipo de acervo mostra que o valor da fotografia também está em insistir no que poderia desaparecer sem aviso.



Também li no NeoFeed uma matéria sobre Richard Avedon e a fotografia que revela o invisível. Avedon continua importante porque sua obra lembra que o retrato não depende apenas do rosto, da pose ou da luz. Depende da tensão entre quem fotografa, quem é fotografado e o que a imagem deixa escapar. Leia mais.


Avedon é sempre uma boa volta ao essencial. Em um momento em que a fotografia discute IA, automação, avatares e imagens sintéticas, olhar para sua obra recoloca uma pergunta simples e difícil: o que ainda só aparece quando existe encontro? Nem todo retrato forte nasce de produção grandiosa. Muitas vezes, nasce de uma presença sustentada, de uma escolha de distância, de uma forma de olhar que não tenta agradar demais.


O Globo publicou uma matéria sobre Pedro Martinelli e seu novo livro, em que o fotógrafo recorda andanças de décadas de ofício e imagens marcantes de sua carreira. Só pelo tema, já é um daqueles conteúdos que merecem atenção porque recoloca a fotografia como percurso, não apenas como portfólio. Leia mais.

Martinelli pertence a uma geração em que fotografar envolvia tempo, deslocamento, espera e convivência com o assunto. Isso não deve ser romantizado de forma ingênua, mas também não pode ser ignorado. Há uma diferença entre produzir muitas imagens e construir uma trajetória visual. O livro parece entrar justamente nesse lugar: a fotografia como acúmulo de mundo, não apenas como resultado técnico.



Na área ambiental, o MediaTalks destacou os vencedores do Prêmio de Fotografia Ambiental Alberto de Mônaco 2026, com presença brasileira entre os premiados. Esse tipo de premiação continua relevante porque mostra como a fotografia ambiental não é só contemplação da natureza. Ela também é denúncia, pesquisa visual, documentação de território e forma de ampliar a percepção pública sobre crises que muitas vezes parecem abstratas. Leia mais.


Também entrou na minha lista uma reportagem do G1 sobre uma fotógrafa brasileira que expõe seu trabalho em um festival de Nova York e se emociona ao reencontrar a memória de 15 anos atrás naquele local. O interesse, aqui, não está apenas na exposição internacional, mas na fotografia como retorno. Certas imagens não terminam quando são feitas. Elas voltam anos depois com outro peso, outro contexto e outra camada emocional. Leia mais.


Do lado mais estranho e talvez mais revelador da cultura visual, a Nintendo lançou um jogo mobile que transforma o rolo de câmera do usuário em minigames absurdos. Pode parecer apenas uma brincadeira, mas a ideia é forte. A galeria de fotos do celular, que antes era arquivo pessoal, passa a virar matéria-prima para jogo, interação e entretenimento. Leia mais.


Esse movimento merece atenção. O rolo de câmera é talvez um dos maiores arquivos íntimos da vida contemporânea. Ali estão comida, família, prints, trabalho, viagens, documentos, memes, filhos, animais, erros, tentativas e lembranças banais. Quando uma empresa transforma isso em experiência interativa, ela mostra que nossas imagens pessoais estão deixando de ser apenas lembranças. Elas estão virando plataforma.


Na DPReview, uma matéria sobre Josh Rose, descrito como um fotógrafo que nunca parou de perseguir a foto perfeita, traz outra chave de leitura. Em meio a tantas novidades técnicas, ainda existe uma dimensão física e insistente da fotografia: estar diante do instante, responder ao que acontece e tentar capturar algo que não se repete. Leia mais.



Já a PetaPixel publicou uma análise sobre o mercado de DSLRs usadas. Segundo a matéria, as vendas de novas DSLRs caíram bastante em 2025, mas o mercado de equipamentos usados segue aquecido. É um dado interessante porque mostra que a morte de uma tecnologia no mercado de lançamento não significa necessariamente sua morte no uso real. Leia mais.


Para fotógrafos, isso é importante. O discurso da indústria costuma empurrar a ideia de substituição permanente. Sai DSLR, entra mirrorless. Sai câmera convencional, entra smartphone computacional. Sai captura, entra IA. Mas o mercado real é mais misturado. Muita gente continua usando o que funciona, comprando usado, adaptando lente, segurando equipamento antigo e produzindo bem. A fotografia profissional nunca anda em linha reta.



Por fim, a My Modern Met destacou os vencedores do concurso Evident Image of the Year 2026, dedicado à imagem microscópica científica. É um lembrete de que fotografia também é expansão do visível. Nem toda imagem importante está no retrato, na paisagem, no casamento, no esporte ou na moda. Algumas revelam estruturas que o olho humano não alcança. Leia mais.


Essa seleção toda, no fundo, fala de uma fotografia espalhada por muitos lugares. Ela está no celular com braço robótico, no prédio antigo de São Paulo, no retrato psicológico de Avedon, na memória de Pedro Martinelli, na fotografia ambiental, no festival internacional, no rolo de câmera transformado em jogo, no mercado de DSLR usada e na imagem microscópica.


O ponto em comum não é a tecnologia. É o alargamento do campo fotográfico.

A fotografia segue sendo equipamento, mas também é arquivo. Segue sendo profissão, mas também é cultura cotidiana. Segue sendo memória, mas também é interface. Segue sendo documento, mas também é experiência. Para quem vive da imagem, acompanhar essas mudanças não é curiosidade lateral. É uma forma de entender onde o olhar está ganhando valor e onde ele pode estar sendo reduzido a função automática.


Grande parte do que publico aqui fica aberta porque ajuda a acompanhar os movimentos do mercado e da cultura visual. Na Fotograf.IA + C.E.Foto, esse trabalho continua com mais profundidade, com leituras para fotógrafos que querem entender tecnologia, comportamento, mercado e imagem como parte do mesmo cenário.

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