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O que estou lendo: fotografia em destaque, oportunidade no Brasil e um alerta sobre dependência das redes

13 de ago.
5 min de leitura

Do eclipse que levou um fotógrafo novamente à grande mídia a um prêmio de R$ 155 mil, passando por fotografia autoral, novas mirrorless, Instagram e filme analógico.



A seleção de hoje mostra bem como a fotografia continua se movimentando em várias direções ao mesmo tempo.


Tem fotógrafo ganhando espaço em um dos maiores portais de notícias do país. Tem uma premiação brasileira importante chegando à 20ª edição. Tem projeto autoral usando miniaturas para discutir questões ambientais. Tem uma empresa conhecida pelas câmeras 360 se preparando para entrar no território das mirrorless.


E tem também um caso que merece atenção de qualquer fotógrafo que dependa do Instagram para trabalhar.

Aqui está o que estou lendo.


Fotografia e fotógrafo novamente em destaque na grande mídia

Três anos depois de ganhar repercussão com uma fotografia do surfista Ítalo Ferreira diante de um eclipse, o fotógrafo brasileiro Gabriel Ribeiro voltou a aparecer no G1 com novos registros do fenômeno.


Mais do que as próprias imagens, chama atenção a presença da fotografia como assunto em um veículo de grande alcance. Em um momento em que boa parte das discussões sobre imagem passa por inteligência artificial, vídeo e conteúdo sintético, ainda existe espaço para uma história construída em torno de um fotógrafo, sua preparação e sua capacidade de antecipar uma cena.


É também um lembrete de algo importante: acontecimentos visuais continuam criando oportunidades para fotógrafos que pesquisam, planejam e sabem se posicionar diante deles.


R$ 155 mil para ensaios fotográficos sobre o Brasil

A Fundação Conrado Wessel abriu a edição 2026 do Prêmio FCW de Fotografia, que chega à sua 20ª edição com o tema “Veredas do Brasil”.


Podem participar fotógrafos profissionais de todo o país. Cada concorrente deve apresentar um ensaio formado por dez fotografias de um mesmo trabalho, produzido entre janeiro de 2021 e julho de 2026. As inscrições seguem até 27 de setembro.


A premiação total chega a R$ 155 mil, dividida entre os três trabalhos selecionados: R$ 90 mil para o primeiro colocado, R$ 40 mil para o segundo e R$ 25 mil para o terceiro.

A proposta deste ano se conecta aos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, e também homenageia Maureen Bisilliat, cuja obra estabeleceu uma importante aproximação entre literatura e fotografia brasileira.


Mais do que uma premiação, é uma oportunidade interessante para quem já vem trabalhando em projetos documentais ou autorais e talvez tenha material que possa ganhar forma de ensaio.


Quando miniaturas deixam de imitar a realidade para construir uma ideia

O fotógrafo húngaro Benedek Lampert já ficou conhecido por criar fotografias de miniaturas tão detalhadas que podiam ser confundidas com cenas reais.


Em seu novo projeto, The Nature We Replaced, ele muda a lógica.


Animais em miniatura aparecem inseridos em ambientes construídos com materiais relacionados justamente às ameaças enfrentadas por aqueles habitats. Sacolas plásticas se transformam em gelo, canudos criam uma floresta de bambu, redes ocupam o lugar do oceano e fósforos queimados ajudam a construir uma paisagem destruída.


Lampert explica que, em trabalhos anteriores, o objetivo era o realismo. Desta vez, o centro passou a ser o significado. É uma distinção interessante para quem trabalha com fotografia.


A cena não precisa necessariamente ser encontrada. Ela pode ser construída, iluminada, fotografada e organizada para comunicar uma ideia.


Em tempos de geração sintética de imagens, esse tipo de trabalho também mostra que a construção fotográfica continua oferecendo um território enorme para experimentação visual.


Insta360 prepara duas câmeras mirrorless

A Insta360 confirmou que está desenvolvendo duas câmeras mirrorless de lentes intercambiáveis. A empresa, conhecida principalmente pelas câmeras 360 e de ação, está portanto preparando uma entrada em um dos segmentos mais tradicionais do mercado fotográfico. Talvez essa seja a parte mais interessante da notícia.


Mais do que saber quais serão resolução, sensor ou especificações, vale observar que tipo de câmera uma empresa com histórico em vídeo imersivo, estabilização, software e fotografia computacional pode criar ao entrar nesse mercado.

Durante anos, acompanhamos empresas tradicionais de fotografia incorporando cada vez mais recursos computacionais.


Agora podemos começar a ver também o movimento contrário: empresas formadas em categorias mais recentes tentando ocupar o território das câmeras convencionais.

É uma mudança que vale acompanhar.



O risco de construir o negócio inteiro dentro do Instagram

Um dos casos mais importantes desta seleção talvez seja também o menos relacionado diretamente à fotografia como linguagem.


O fotógrafo e videomaker esportivo Jack Rastorfer teve sua conta no Instagram desativada pela Meta depois de o sistema apontar uma suposta violação relacionada à sexualização de crianças. Segundo o relato publicado pela PetaPixel, a acusação estava errada.


O problema ganhou outra dimensão porque o Instagram fazia parte do funcionamento profissional do fotógrafo: servia como portfólio, espaço de divulgação e canal pelo qual potenciais clientes entravam em contato.


Depois de tentativas frustradas de recurso, o caso chegou à imprensa e a Meta posteriormente restaurou a conta. É fácil enxergar isso apenas como mais um problema de moderação automatizada. Para fotógrafos, porém, existe uma questão de negócio maior.


Se Instagram, WhatsApp ou qualquer outra plataforma concentra praticamente toda a audiência, o portfólio, o relacionamento e a prospecção de um profissional, uma decisão automatizada pode interromper de uma vez vários pontos da operação.


Redes sociais continuam sendo fundamentais. Mas a audiência dentro delas é emprestada.

Site, lista de contatos, newsletter, base de clientes e outros canais próprios continuam tendo valor justamente porque reduzem essa dependência.


E, enquanto tudo isso acontece, surge um novo filme colorido

A Harman continua desenvolvendo sua linha Phoenix e apresentou uma nova versão de seu filme negativo colorido, agora com ISO 125.


O projeto Phoenix é particularmente interessante porque nasceu como uma iniciativa da Harman para desenvolver e fabricar filme colorido em sua própria estrutura. A nova emulsão surge depois da experiência com as versões anteriores e das respostas recebidas de fotógrafos.


Em um mercado dominado por sensores, inteligência artificial, fotografia computacional e novos fabricantes de câmeras, existe algo quase simbólico nisso.


Em 2026, uma empresa conhecida pela tradição fotográfica continua investindo em uma nova emulsão para colocar dentro de uma câmera analógica.

E fotógrafos continuam querendo fotografar com ela.


O que conecta tudo isso?

Tecnologias mudam, modelos de negócio mudam e formas de circulação mudam rapidamente. A fotografia continua encontrando novas maneiras de permanecer no centro dessas transformações.


No dia 1º de setembro, realizo em São Paulo o primeiro Mapa R.U.M.O. Presencial, uma imersão em grupo pequeno para trabalhar preço, oferta, posicionamento, percepção de valor e direção para os próximos meses.

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