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O que estou lendo: câmeras que se recusam a morrer, Sontag diante da IA e brasileiros ganhando o mundo

  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

Da Nikon atualizando DSLRs seis anos depois ao Lightroom expandindo fotografias com IA. Uma seleção sobre tecnologia, cultura, memória, mercado e o que continua dando valor à fotografia.



Nem tudo o que importa na fotografia está nos grandes lançamentos. Nesta edição de O que estou lendo, algumas histórias aparentemente distantes acabam se encontrando: câmeras antigas que continuam recebendo atenção, inteligência artificial entrando silenciosamente no fluxo de edição, fotógrafos brasileiros ocupando novos espaços e práticas fotográficas que sobrevivem justamente porque representam algo para as pessoas.


1. A Nikon ainda atualiza DSLRs lançadas há seis anos

A Nikon está atualizando o firmware da D6 e da D780, duas câmeras apresentadas em 2020, mesmo em um mercado hoje concentrado nas mirrorless.

As mudanças são pequenas. O que chama atenção é outra coisa: uma tecnologia pode deixar de ser protagonista sem deixar de ser profissionalmente útil.


Existe uma pressão permanente por trocar de câmera, enquanto equipamentos de seis, oito ou dez anos continuam trabalhando. Para muitos fotógrafos, manutenção, domínio do equipamento e melhoria de fluxo entregam mais resultado do que simplesmente acompanhar cada nova geração.



2. O Lightroom agora inventa o que ficou fora da fotografia

O Generative Expand chegou ao Lightroom e permite ampliar o enquadramento usando IA generativa para criar partes da cena que nunca foram fotografadas.


É extremamente útil para adaptar formatos, recuperar espaço em um corte ou transformar uma imagem horizontal em vertical. Mas existe uma mudança conceitual importante aí.

Durante décadas, reenquadrar significava decidir o que retirar de uma fotografia. Agora também pode significar decidir o que acrescentar.


Na publicidade e na criação visual, isso pode se tornar rotina. Em fotografia documental, jornalística ou em qualquer contexto no qual o enquadramento tenha valor factual, a questão é bem diferente.


A IA está deixando de aparecer como ferramenta separada. Aos poucos, está virando simplesmente mais um botão dentro do editor.


3. Susan Sontag volta ao debate no momento certo

São Paulo recebe nos dias 8 e 15 de agosto a Jornada Susan Sontag, com atividades no Museu Judaico e na Biblioteca Mário de Andrade. A programação passa por literatura, feminismo, fotografia, cultura da imagem e guerras contemporâneas.


Sontag morreu muito antes de Midjourney, Gemini ou ChatGPT. Ainda assim, várias das perguntas que levantou sobre nossa relação com as imagens parecem ainda mais relevantes quando começamos a produzir fotografias convincentes sem que necessariamente exista uma cena fotografada por trás delas.


É um bom lembrete de que discutir o futuro da fotografia não deveria significar discutir apenas ferramentas.


4. Rafael Pavarotti chega a um museu de Paris com mais de 200 fotografias

O fotógrafo paraense Rafael Pavarotti terá uma grande exposição individual no Musée des Arts Décoratifs, em Paris, reunindo mais de 200 trabalhos entre editoriais, campanhas e retratos. O interessante não está apenas no tamanho da exposição.


Pavarotti construiu uma linguagem reconhecível dentro de um mercado extremamente competitivo. Sua origem amazônica, referências familiares, cores e repertório aparecem como parte dessa construção.


Em uma época na qual qualquer estética pode ser rapidamente simulada por IA, identidade talvez tenha se tornado mais valiosa, não menos.


A tecnologia replica aparência com velocidade. Trajetória e repertório são bem mais difíceis de reproduzir.


5. No Acre, uma tradição fotográfica continua viva em cima de um cavalinho

Há mais de 15 anos, um fotógrafo mantém na Expoacre a tradição das fotografias feitas em cavalinhos cenográficos.

Pode parecer uma história pequena diante de tanta discussão sobre IA, novos sensores e plataformas. Para mim, é justamente por isso que merece atenção.


O valor dessa fotografia está no ritual. Famílias voltam, crianças crescem, gerações passam pelo mesmo tipo de cenário e a fotografia se transforma em registro de uma experiência.

As pessoas não procuram imagens apenas porque querem imagens. Também procuram formas de marcar momentos.


Enquanto isso existir, haverá espaço para experiências fotográficas que nenhuma geração automática de arquivos substitui completamente.


6. A fotógrafa de pets do ano venceu com algo mais difícil que uma imagem espetacular

A americana Callie Soden foi escolhida International Pet Photographer of the Year 2026. A competição recebeu 4.220 trabalhos de 48 países, e ela também venceu categorias como Creative e Studio.


O detalhe mais interessante é que o prêmio principal considera um conjunto de imagens.

Isso muda bastante a leitura.


Uma fotografia excepcional pode chamar atenção. Um corpo de trabalho consistente começa a construir percepção de autoria.


Em um mercado cada vez mais saturado por imagens tecnicamente impressionantes, consistência visual continua sendo um ativo profissional importante.


7. A exposição fotográfica mais antiga do mundo chega à 167ª edição

A Royal Photographic Society abre nesta sexta-feira, 7 de agosto, a 167ª International Photography Exhibition na Saatchi Gallery, em Londres. A mostra reúne 48 fotógrafos e segue até 11 de setembro. A RPS realiza a exposição desde 1854.


A longevidade chama atenção em uma época dominada por imagens vistas durante segundos em uma tela.


Curadoria, sequência, impressão e contexto ainda conseguem atribuir à fotografia algo que o feed dificilmente oferece: permanência.


Para fotógrafos autorais, existe uma mensagem importante aí. Pensar um projeto continua significando ir além da imagem isolada.



8. As compactas estão ajudando a Ricoh a voltar ao lucro

A retomada das câmeras compactas continua produzindo efeitos interessantes. A série Ricoh GR foi apontada como um dos principais motores da melhora do negócio de câmeras da empresa, enquanto a Ricoh também passou a deter integralmente os direitos da marca Pentax para equipamentos fotográficos.


Não vejo isso como uma rejeição ao smartphone.


O celular venceu a batalha da conveniência. Uma câmera como a GR precisa vender outra coisa: experiência, portabilidade, identidade e uma forma específica de fotografar.


É uma lógica parecida com o que ocorreu com filme, instantâneas e outros produtos fotográficos de nicho.


Quando uma categoria deixa de conseguir competir apenas por desempenho, desejo e experiência podem voltar a fazer diferença.


O que conecta essas histórias?

Começamos com DSLRs recebendo atualizações seis anos depois de lançadas e terminamos com câmeras compactas ajudando uma divisão a voltar ao lucro.


No meio aparecem IA, Susan Sontag, fotografia popular, exposições, prêmios e um fotógrafo brasileiro ocupando um museu em Paris. Para mim, existe um fio comum.


A fotografia continua sendo tecnologia, mas também é memória, identidade, experiência, curadoria, repertório e cultura.


Talvez por isso acompanhar esse mercado tenha ficado ainda mais interessante. Para entender o futuro da fotografia, acompanhar lançamentos de câmeras já não basta.


É preciso observar o que estamos fazendo com as imagens e por que continuamos querendo produzi-las.


O que estou lendo é meu radar recorrente de notícias, projetos e movimentos que ajudam a entender a fotografia para além dos lançamentos.


Quer ir além do radar?

No Fotograf.IA Essencial, essas transformações entram em aulas, análises e discussões sobre IA, mercado, branding, criatividade e o futuro profissional de quem vive de fotografia.


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