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O que estou lendo: flashes retrô, fotos virais e o retorno do desejo pela imagem física

  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

De um mini flash da Godox à foto viking da Noruega, de Endrick a Nolan, algumas notícias recentes mostram que a fotografia continua sendo técnica, objeto, performance, cultura pop e experiência.



Nos últimos dias, algumas notícias chamaram atenção por motivos diferentes. À primeira vista, parecem assuntos soltos: um flash compacto, uma foto de seleção, um filme analógico, um trailer em vários formatos, uma câmera promocional de 7-Eleven com New Balance, uma câmera instantânea gigante e um fotógrafo correndo atrás de Endrick.

Mas existe um fio ligando tudo isso.


A fotografia continua sendo uma linguagem muito mais ampla do que o ato de fazer uma imagem tecnicamente correta. Ela aparece como estética, desejo, memória, objeto, espetáculo, narrativa e presença física.



A Godox lançou o iM30Pro, um flash compacto com estética retrô e cabeça ajustável em ângulos de 45°, 60°, 75° e 90°. O detalhe interessante não é apenas o produto em si, mas o contexto. Depois de anos em que muitos fotógrafos tentaram esconder o flash ou buscar apenas uma luz cada vez mais “natural”, o visual direto, portátil e um pouco imperfeito voltou a ter apelo. Em tempos de mirrorless sem flash embutido e câmeras cada vez mais limpas, acessórios pequenos podem ocupar um espaço prático e também estético. Leia mais



A seleção da Noruega também apareceu no radar com uma foto oficial em clima viking, feita por David Yarrow, para marcar a volta do país à Copa do Mundo depois de 28 anos. A imagem viralizou porque entendeu algo simples: foto de equipe não precisa ser apenas arquivo institucional. Pode ser peça de identidade. Pode criar mito, provocar conversa e transformar uma convocação esportiva em narrativa visual. É uma boa lembrança para qualquer fotógrafo: às vezes, a diferença está menos no registro e mais na ideia por trás da cena. Leia mais



No universo analógico, o OptiColour 200 segue aparecendo como mais um sinal da vitalidade do filme colorido. Produzido na Alemanha pela Optik Oldschool, o filme tem sido descrito como uma emulsão de ISO 200 com cores naturais, bom contraste e tons agradáveis de pele. Mais do que uma novidade para entusiastas, esse tipo de lançamento mostra como a fotografia analógica deixou de ser apenas nostalgia. Ela virou escolha estética, ritual e diferenciação. Em um mundo de imagens infinitas, a limitação volta a ter valor. Leia mais




Outro caso interessante vem do cinema. O site oficial de “The Odyssey”, de Christopher Nolan, permite assistir ao trailer em diferentes formatos, incluindo IMAX 70mm, IMAX 1.90:1, 70mm, 35mm, Dolby Vision e Premium Large Format. Para quem trabalha com imagem, isso é quase uma aula pública sobre enquadramento, corte, escala e experiência. A mesma cena muda quando muda o formato. O que parece detalhe técnico, na verdade muda a percepção do espectador. A fotografia, no cinema ou fora dele, também é moldura. Leia mais



A collab entre 7-Eleven e New Balance em Hong Kong trouxe outro sintoma curioso: uma mini câmera promocional em edição limitada, com estética retrô e lógica de colecionável. A câmera em si pode não ser o ponto mais importante. O que importa é perceber como a fotografia virou também objeto de moda, cultura urbana e desejo de marca. Quando uma loja de conveniência e uma marca de tênis usam uma câmera como peça de campanha, fica claro que a imagem fotográfica continua tendo força simbólica mesmo fora do mercado tradicional de fotografia. Leia mais




A DPReview destacou ainda que a Polaroid 20x24, considerada a maior câmera instantânea do mundo, vai entrar em uma turnê global. É quase o oposto da fotografia instantânea portátil. Em vez da câmera pequena que cabe no bolso, uma máquina gigantesca, feita para estúdio, vira acontecimento cultural. A ideia é forte porque recoloca a fotografia como experiência, presença e ritual. Em vez de competir com a velocidade do digital, ela faz o caminho contrário: transforma o ato fotográfico em evento. Leia mais


No Brasil, a CNN mostrou o esforço do fotógrafo Sam Robles para captar a “aura” de Endrick após um gol pela Seleção. Ele correu, caiu, derrubou uma câmera e ainda assim conseguiu registrar a celebração. A cena viralizou porque revela algo que quem vê a imagem final nem sempre percebe: fotografia esportiva é corpo, risco, reflexo e leitura de movimento. A foto não nasce apenas do equipamento. Nasce da decisão tomada em frações de segundo. Leia mais


O que une essas leituras é uma ideia simples: a fotografia segue sendo desejada quando ela vira algo maior do que arquivo.


Pode ser um acessório retrô. Uma foto de seleção com força de mito. Um filme analógico. Um trailer que muda conforme o formato. Uma câmera promocional. Uma instantânea gigante. Um fotógrafo correndo atrás do instante certo.

Em todos os casos, a imagem ganha valor quando existe intenção.


Talvez essa seja uma boa pergunta para fotógrafos profissionais agora: seu trabalho está sendo percebido como imagem genérica ou como uma experiência com presença, escolha e significado?


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Porque a fotografia continua viva. Mas nem toda imagem consegue ser percebida.

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