O efeito hamster no marketing da fotografia

O problema não é ficar preso nas engrenagens das redes sociais e do marketing digital. O problema é nem saber qual o resultado você quer ter com tudo isso...






Funciona assim, o fotógrafo corre para mostrar sua foto incrível nas redes sociais. Afinal, a foto é o mais importante e as pessoas querem ver o que eu fiz. Não que isso não seja verdade. Costumo dizer que a foto em si é o marketing mais sofisticado que existe. Mas isso só quando ela tem uma assinatura visual bem definida. E convenhamos, isso é bem incomum no mercado (isso é assunto para outro conteúdo). De qualquer forma o paradoxo começa aí. Quero ser reconhecido pelas minhas fotos publicando em redes sociais que tem milhões de fotos descarregadas todos os dias. Enquanto isso, meus colegas fazem o mesmo. E com a sorte do algoritmo minhas criações vão aparecer para as pessoas certas e quem sabe alguém vai fechar um novo trabalho comigo. Enquanto espero curtidas, DMs e afins, observo as inúmeras postagens de especialistas sobre o que devo fazer nas redes sociais. Faça isso, faça aquilo e por aí vai. O que mais me chama a atenção nesse caso é que o algoritmo das plataformas é algo vivo. Vai mudando de tempos em tempos e ficamos ao sabor desses ajustes. O que representa também que o que funcionava em 2019 não funcionará em 2021. Talvez o que funciona nesse ano agora não funcione até o fim do ano. O que mais ouço ultimamente é que essa ou aquela rede social não funciona. Parece que funciona sim, mas só se a gente gastar. Ou melhor, criar uma mistura de orgânico, pago e ter consistência nesse processo. O mais importante é estar lá presente e publicando. Experimente parar uma semana para ver o que acontece…





Aqui vale destacar que eu tenho menos de 5 mil seguidores nas minhas redes, o que me coloca na posição de nano influenciador. Não sou especialista em marketing digital e confesso que não acredito muito nessa parte. Marketing é marketing. Atrair e manter clientes é marketing e a parte digital é como vou fazer isso. O efeito hamster no marketing da fotografia é ficar nesse processo entre idas e vindas e testes e ajustes. A gente fica ali correndo para ver o que funciona e o que deu ou não deu certo. Posta em qual horário? quantas vezes? o que vou postar agora? não foi bem? Foi ótimo e como vou fazer bombar de novo? vendi. Rede social vende? me parece que sim. Eu mesmo já vendi e vendo por ali. Eu mesmo fiz e faço divulgação. Eu mesmo estou correndo como um ratinho e não no ritmo que talvez devesse estar. E você? Mas estou feliz com algumas coisas e meu entendimento de algo que talvez seja bom você saber também.


A analogia do ratinho é infeliz e não é correta se você tem uma estratégia. Se você tem, ok. Se você não tem, sinto muito. Nesse caso é só uma questão de alimentar o ratinho no sistema das redes sociais. O meu ratinho corre em outro ritmo porque tenho uma estratégia. Sei o que eu quero e espero ganhar por outras frentes. Vender por ali é bom. Ganhar autoridade ali também é bom. Mas qual é o resultado lá na frente?





Anos antes ter uma fanpage era algo importante. Muitos fotógrafos investiram muito nisso e depois abandonaram para focar tudo no Instagram. Não que o Face não dê mais resultado...o meu ponto aqui é simples: qual é o objetivo? Qual sua causa? o que pensa lá para frente de forma mais estratégica. Esse pensamento é sobre a posição da sua marca para 2022. Talvez para o fim de 2021? Mas se você fica na correria do algoritmo e trabalhando post a post...como é que fica essa reflexão?


Outro ponto dessa história é a vaidade. O pecado tão poderoso nos aflige no marketing digital? quantos viram? quantos curtiram? e por aí vai. E quantos realmente fecharam com você? E quantos dos seguidores poderiam de fato ter um relacionamento de negócios mais duradouro com você? Eu retomo a história da quantidade x qualidade. Você ama fotografar e quer ser reconhecido. De repente você vence o jogo dos ratinhos e está com 50 mil seguidores. Mas e de vendas? E se dos 500 seguidores você puder ter uma base de contato com 100 mas que seja mais frequente e sustentável? E se eu puder ativar e extrair mais valor daquilo que já tenho. Até as grandes marcas estão olhando para influenciadores mais com causa do que “milhares de followers”. Isso é tendência. A fotografia é emoção, memória e também vaidade. Conseguir atender clientes reais dentro desses valores é possível se eu te entregar agora 100 mil seguidores? O que eu quero dizer é que um dos maiores nomes do marketing mundial fala em termos mil fãs verdadeiros (Seth Godin). E que para chegar a esse número deve crescer de 10 para 100 e por aí em diante. Devo servir e me relacionar e vender para eles. Crescimento sustentável ao longo do tempo para chegar em 10 mil fãs/clientes de verdade (nesse caso ele diz que dá para enriquecer tendo 10 mil seguidores clientes fiéis).


E para chegar nessa realidade da autoridade, os grandes da fotografia construíram com base em alguns pilares. Trabalho consistente de longo prazo e construção de um acervo que resultou em seguidores, fãs e clientes. Tudo quase sempre com alguma estratégia pensada para a carreira. Ou seja, a fama e seguidores vieram como consequência. Bora pensar na sua estratégia. Ao menos assim você pode até correr como um ratinho, mas sabendo que tem algum plano para sair de um jeito melhor do que começou...


No dia 3 de maio farei um AULÃO de marketing para fotógrafos. Chance para você mergulhar no assunto e com várias vantagens. Saiba mais aqui: https://www.sympla.com.br/a-fotografia-como-negocio—marketing-basico-para-fotografos


60 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo