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“Tudo é real”: Nintendo nega uso de IA em campanha do Super Mario após suspeitas nas redes

Uma foto, um detalhe anatômico e um novo tipo de desconfiança marcam o episódio que escancara como a percepção pública sobre imagens mudou na era da inteligência artificial.


No início de janeiro, uma campanha da Nintendo para a linha de brinquedos My Mario, voltada ao público infantil, virou alvo de especulação global. O motivo não foi o produto, nem a proposta criativa, mas um detalhe que chamou a atenção: o posicionamento do polegar de uma modelo segurando um bebê e um brinquedo do universo de Super Mario.


Rapidamente, usuários nas redes sociais passaram a apontar a imagem como supostamente gerada por inteligência artificial. O argumento parecia familiar em 2026: dedos “estranhos”, articulações improváveis e aquela sensação difusa de que “isso parece real demais para ser real”.


A reação foi tão intensa que a Nintendo se viu obrigada a fazer algo raro: negar publicamente o uso de IA generativa em uma campanha de marketing.


Modelos reais, famílias reais

Em contato com a IGN, uma das modelos do ensaio, Brittoni O’myah Sinclair, decidiu se posicionar. Segundo ela, não apenas as pessoas fotografadas eram reais, como muitos trabalharam com suas próprias famílias.


“Tudo é real. Todos os modelos foram selecionados por casting. Muitos de nós trabalhamos com nossas famílias reais. Fizemos audições, retornos e todo o processo profissional”, afirmou.


A própria Nintendo confirmou oficialmente que nenhuma das imagens da campanha utilizou ferramentas de geração de imagem por IA. Ainda assim, a dúvida já havia se espalhado.


O detalhe que acendeu a polêmica (um polegar aparentemente “fora do padrão”) acabou sendo explicado por algo bem menos tecnológico: pessoas com articulações naturalmente mais flexíveis. Um fã da marca chegou a publicar uma foto do próprio dedo dobrado de forma semelhante, ironizando a rapidez com que se chegou à conclusão de que se tratava de conteúdo sintético.


Quando a fotografia precisa se defender

O caso chama atenção não apenas pelo ruído em torno da campanha, mas pelo sintoma que revela: a fotografia entrou numa fase em que a prova de realidade não é mais automática.


Durante décadas, imagens fotográficas carregaram um pacto implícito de veracidade. Hoje, esse pacto está em suspensão. A simples possibilidade de que poderia ser IA já basta para gerar desconfiança, mesmo quando o conteúdo é fruto de um processo tradicional, com equipe, casting, produção e direção.


Essa inversão é significativa. Pela primeira vez, não é a IA que precisa provar que é realista, mas a fotografia que precisa provar que é real.


Um debate que atravessa toda a indústria criativa

O episódio da Nintendo não é isolado. Nas últimas semanas, empresas e estúdios do entretenimento também enfrentaram reações semelhantes. A Epic Games foi acusada de usar arte gerada por IA em Fortnite, acusações que, em ao menos um caso, foram desmentidas pelo próprio artista original. Já a Larian Studios anunciou que não pretende mais usar IA na criação de artes conceituais para projetos futuros após críticas envolvendo Baldur's Gate 3.


As opiniões seguem divididas. O roteirista e cofundador da Rockstar Games, Dan Houser, comparou recentemente o avanço da IA a uma doença fora de controle. Já executivos de empresas como a Genvid, responsável por experiências como Silent Hill Ascension, afirmam que grande parte do público simplesmente não se importa com a origem das imagens.


O que esse caso realmente revela

Mais do que uma controvérsia pontual, a campanha do My Mario expõe um novo cenário cultural: vivemos a era da suspeita visual permanente. Cada imagem publicada entra em julgamento. Cada detalhe vira evidência. Cada imperfeição humana corre o risco de ser interpretada como erro algorítmico.


Para quem trabalha com fotografia, imagem, branding e comunicação visual, o recado é claro: não basta criar imagens fortes. Será cada vez mais necessário contextualizar, explicar processos e, em alguns casos, reafirmar o óbvio.

Nem tudo é IA. Mas, paradoxalmente, tudo agora parece poder ser.


No Mapa R.U.M.O. 2026, esse tipo de mudança de percepção não aparece como curiosidade tecnológica, mas como sinal estratégico. Entender como o público passou a olhar para imagens é parte essencial de qualquer decisão sobre criação, posicionamento e valor no próximo ciclo. Quem ignora isso corre o risco de ser questionado não pelo que faz, mas pelo simples fato de parecer “real demais”.

 
 
 

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