Nike, Haaland e os cinco estágios de quem viu Brasil x Noruega
- 8 de jul.
- 2 min de leitura
A derrota do Brasil para a Noruega deixou uma sensação estranha. Parte futebol, parte trauma visual. E talvez por isso a campanha da Nike com Erling Haaland tenha voltado a fazer tanto sentido agora.

Em The Five Stages of Haaland, a Nike transforma o medo de enfrentar o atacante norueguês em uma piada bem construída. A ideia é simples: um goleiro percebe que Haaland vem em sua direção e atravessa os cinco estágios do luto. Negação, raiva, barganha, desespero e aceitação.
O exagero é o motor da campanha.
Haaland aparece menos como jogador e mais como fenômeno inevitável. A câmera, a luz, a trilha e o clima de terror cômico ajudam a construir essa sensação. O goleiro tenta convencer a si mesmo de que está tudo sob controle. O filme mostra o contrário.
A campanha foi criada pela Wieden+Kennedy Amsterdam para a Nike, com direção de Rich Hall. Nos créditos públicos, aparece Niklas Johansson como diretor de fotografia, o que reforça a natureza cinematográfica da peça. É menos uma campanha fotográfica tradicional e mais um pequeno filme de humor esportivo com estética publicitária bem definida.
O timing brasileiro dá outra camada para a leitura. Depois de uma derrota para a Noruega, a campanha ganha cara de comentário involuntário. A Nike não estava falando do Brasil, claro. Mas a boa publicidade costuma sobreviver justamente porque pode ser relida quando o contexto muda.
Esse é o ponto que interessa para fotógrafos e criadores visuais.
A campanha não depende só de uma imagem bonita do Haaland. Ela cria uma situação reconhecível. Pega uma sensação que muita gente entende no futebol, o medo de ver um atacante dominante avançando, e transforma isso em narrativa curta, memética e compartilhável.
É publicidade, mas também é leitura de personagem.
Haaland já não é vendido apenas como atleta. Ele vira ameaça, piada, mito esportivo e produto. A chuteira entra na história sem precisar ocupar o centro da conversa o tempo inteiro. A marca constrói um ambiente em torno dele e deixa o público completar o resto.
Para fotógrafos, há uma provocação útil aí. Muitas imagens comerciais ainda tentam vender apenas aparência: o retrato bonito, o produto bem iluminado, a cena bem acabada. Tudo isso importa. Mas, quando existe uma ideia forte por trás, a imagem ganha mais vida. Ela carrega timing, humor, cultura e ponto de vista.
Depois de Brasil x Noruega, a campanha funciona quase como alívio cômico. Não explica a derrota, não consola ninguém, mas organiza a sensação em forma de piada visual. E isso já é muita coisa.
No Mapa R.U.M.O., esse tipo de leitura entra como repertório estratégico: olhar para imagem, campanha, mercado e comportamento para entender como uma marca ocupa espaço na cabeça do público. Para fotógrafos, isso ajuda a sair da disputa por imagem bonita e pensar melhor em narrativa, percepção e posicionamento.



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