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Frame IA: Midjourney quer saber como Hollywood também usa IA

  • há 54 minutos
  • 3 min de leitura

Em disputa com Disney, Universal e Warner, a empresa tenta obrigar os estúdios a revelar seus próprios usos internos de IA generativa. O caso pode expor uma contradição central da indústria criativa.



A briga entre Midjourney e alguns dos maiores estúdios de Hollywood ganhou uma camada nova.


Depois de ser processada por Disney, Universal e Warner Bros. por suposta violação de direitos autorais, a empresa de IA generativa agora tenta obrigar os próprios estúdios a revelar como usam IA em seus processos internos.


A acusação original dos estúdios é conhecida: o Midjourney teria permitido a criação de imagens com personagens protegidos por copyright, incluindo figuras famosas de franquias de cinema, animação e televisão. Disney e Universal processaram a empresa em 2025, e a Warner Bros. também entrou com ação depois.


O argumento do Midjourney é outro. A empresa defende que o treinamento de seus modelos com imagens protegidas pode ser enquadrado como fair use, a doutrina norte-americana de uso justo. Agora, em uma nova movimentação no processo, quer ampliar o acesso a documentos que mostrem como os estúdios usam IA generativa dentro de suas próprias operações.


O ponto central está na fase de descoberta de documentos. Segundo relatos da imprensa americana, um juiz já havia determinado que os estúdios deveriam fornecer informações sobre usos de IA generativa, mas com um limite: apenas quando esses usos resultassem em imagens ou vídeos voltados ao consumidor final. O Midjourney tenta derrubar essa limitação, alegando que os estúdios poderiam selecionar apenas os documentos que reforçam sua tese de dano ao mercado e esconder usos internos relevantes para a defesa da empresa.


A frase mais forte do argumento é simples: se os estúdios também usam IA generativa internamente para storyboard, ideação, desenvolvimento visual ou treinamento de modelos, isso pode mostrar que a prática não está restrita às empresas de tecnologia. Pode ser algo que já se tornou costume dentro da própria indústria audiovisual.


É aí que o caso deixa de ser apenas jurídico e vira leitura de mercado. Hollywood quer controlar o uso de seus personagens, marcas e universos narrativos. Esse ponto é legítimo e tem peso. Nenhum fotógrafo gostaria de ver seu trabalho usado para gerar imitações comerciais sem autorização. Nenhum criador quer perder o controle sobre uma linguagem construída ao longo de anos.


Mas, ao mesmo tempo, os grandes estúdios também querem usar IA. Querem eficiência, velocidade, exploração de ideias, pré-visualização, testes de conceito e novas formas de produção. A disputa não é exatamente entre quem usa IA e quem rejeita IA. É entre quem consegue definir as regras, capturar valor e proteger seus próprios ativos.


A discussão sobre IA não está caminhando para um mundo dividido entre “a favor” e “contra”. Ela está caminhando para um mercado em que todos usam algum nível de IA, mas nem todos têm o mesmo poder para negociar direitos, treinar modelos, proteger acervos, licenciar imagens ou impor limites.


O caso também mostra uma diferença importante entre uso interno e uso público. Um estúdio pode argumentar que usar IA para rascunho, referência, storyboard ou brainstorming não é o mesmo que vender uma imagem final com personagem protegido. O Midjourney, por outro lado, tenta mostrar que a fronteira não é tão limpa quanto parece.


Fotógrafos já estão vivendo algo parecido em menor escala. Um cliente usa IA para montar referência visual. Uma agência usa IA para testar campanha antes do ensaio. Um estúdio usa IA para criar moodboards. Um fotógrafo usa IA para editar, expandir fundo, criar peça de divulgação ou simular uma ideia. Em todos esses casos, a pergunta deixa de ser “usa ou não usa IA” e passa a ser: em que etapa, com qual material, com qual autorização e com qual responsabilidade?


A briga entre Midjourney e Hollywood ainda não resolve essas perguntas. Mas ajuda a mostrar onde está o próximo conflito: a transparência.


Quem usa IA?

Com quais dados?

Em quais etapas?

Para entregar rascunho ou produto final?

Com que impacto sobre autores, fotógrafos, artistas e equipes criativas?


Para fotógrafos profissionais, acompanhar esse caso importa porque ele antecipa uma conversa que vai chegar ao mercado de imagem como um todo. Não apenas nas grandes produtoras. Também nos estúdios, agências, bancos de imagem, plataformas de edição, escolas, concursos, eventos e contratos com clientes.


A indústria criativa não está apenas discutindo se a IA pode criar imagem. Está discutindo quem tem o direito de usar imagens dos outros para construir os sistemas que vão produzir as próximas imagens.


No Fotograf.IA Essencial, eu aprofundo esse tipo de leitura para fotógrafos: IA, direitos autorais, mercado visual, novas ferramentas e os sinais que ajudam a entender para onde a profissão está indo.


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