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O mercado de equipamentos usados cresce e redesenha o investimento na fotografia profissional

Preço, acesso e consumo circular ajudam a explicar por que câmeras e lentes de segunda mão deixaram de ser exceção no mercado



Nos últimos anos, um movimento discreto, porém consistente, vem ganhando força no mercado fotográfico global: a busca por câmeras e lentes usadas. Longe de ser apenas uma solução pontual para driblar preços elevados, o crescimento do mercado de equipamentos de segunda mão aponta para uma mudança mais profunda no comportamento de fotógrafos e criadores visuais.


De acordo com dados divulgados pela MPB, uma das principais plataformas globais de compra e venda de equipamentos fotográficos usados, mais de 564 mil itens de foto e vídeo foram recirculados no ano fiscal encerrado em março de 2025. No mesmo período, a empresa registrou crescimento de 19% na receita líquida, com expansão internacional de 28%.


Os números ajudam a explicar um fenômeno que já vinha sendo percebido no dia a dia de estúdios, freelancers e produtores de conteúdo: o equipamento novo deixou de ser a única referência de atualização profissional.


O fator mais evidente por trás dessa escolha é o custo. Câmeras e lentes de alto desempenho atingiram valores que, para muitos profissionais, se tornaram difíceis de justificar diante da realidade de faturamento do mercado. O equipamento usado surge, nesse contexto, como uma alternativa de acesso a ferramentas profissionais sem a necessidade de compromissos financeiros excessivos.


Para fotógrafos em início de carreira, isso representa uma porta de entrada menos agressiva. Para profissionais experientes, uma forma de ampliar ou ajustar o kit sem substituir tudo o que já foi construído ao longo dos anos.


Mas o preço não é o único vetor dessa transformação. A sustentabilidade também passou a ocupar um espaço mais relevante nas decisões de compra. Ao recircular câmeras, lentes e acessórios, o mercado reduz a necessidade de novos processos industriais e estende a vida útil de equipamentos que, tecnicamente, ainda entregam alto desempenho.


Modelos de consumo circular, antes associados a nichos específicos, passaram a dialogar diretamente com o universo da criação de imagens. A lógica deixa de ser apenas “ter o mais novo” e passa a considerar impacto ambiental, durabilidade e real necessidade.


Segundo Matt Barker, CEO da MPB, o crescimento do mercado reflete justamente essa combinação entre acessibilidade e novos modelos de consumo. A demanda por equipamentos de segunda mão, segundo ele, acompanha tanto a expansão da criação de conteúdo digital quanto a adoção global de práticas mais responsáveis de compra.


Ainda assim, o mercado de usados não é isento de desafios. Equipamentos podem apresentar desgaste, exigir manutenção ou ter histórico de uso intenso. Plataformas especializadas reduzem esses riscos ao oferecer inspeções técnicas e descrições detalhadas, mas a decisão continua exigindo pesquisa e atenção por parte do comprador.


Alguns itens, especialmente câmeras topo de linha e lentes profissionais muito disputadas, mantêm valores elevados mesmo no mercado secundário. A diferença de preço em relação ao novo existe, mas nem sempre é tão ampla quanto se imagina.


O avanço desse mercado, no entanto, parece apontar menos para uma exceção e mais para uma adaptação estrutural. Em um cenário de transições tecnológicas rápidas, custos crescentes e modelos de negócio em revisão, o fotógrafo passa a tomar decisões mais estratégicas sobre onde investir e onde não investir.


Movimentos como esse raramente dizem respeito apenas ao equipamento.

Eles costumam refletir escolhas mais amplas sobre investimento, posicionamento e sustentabilidade do próprio negócio fotográfico.


Na comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto, esse tipo de mudança de mercado é analisado de forma contínua, conectando dados, prática e a realidade financeira de quem vive da imagem.


O crescimento do mercado de equipamentos usados não sinaliza um retrocesso tecnológico, mas uma postura mais pragmática. A fotografia profissional segue avançando, mas nem sempre pelo caminho mais óbvio ou mais caro.



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