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O mercado de câmeras cresce em 2026, mas não onde muita gente imagina

Resultados da Canon e novos dados da indústria mostram um setor menor, mais funcional e em reorganização



Depois de anos de retração e discursos apressados sobre o “fim das câmeras”, os números mais recentes apontam outra direção. O mercado global de equipamentos fotográficos voltou a crescer em 2025 e entrou em 2026 com sinais consistentes de reorganização, não de colapso.


Os dados vêm de dois lados diferentes, mas convergentes. De um lado, os resultados financeiros divulgados pela Canon. Do outro, os números consolidados da CIPA, entidade que reúne os principais fabricantes do setor.


Juntos, eles ajudam a entender o que está realmente acontecendo com a fotografia enquanto mercado.


A Canon registrou seu segundo ano consecutivo de vendas recordes, com crescimento de 2,5% no faturamento total e avanço expressivo em sua divisão de imagem. Câmeras digitais e câmeras de rede tiveram crescimento de dois dígitos, compensando a queda em outras áreas tradicionais da empresa. No quarto trimestre, o desempenho foi ainda mais forte, puxado pela boa recepção da EOS R6 Mark III, além da retomada das vendas de câmeras compactas, que vinham represadas por falta de oferta.


No acumulado do ano, a divisão de imagem da empresa cresceu 12,5% e ultrapassou a marca de um trilhão de ienes em vendas. A Canon estima ter vendido cerca de 2,88 milhões de câmeras com lentes intercambiáveis em 2025 e projeta crescimento adicional em 2026, impulsionado pela demanda por equipamentos híbridos, voltados tanto à fotografia quanto ao vídeo.


Esses números ganham mais peso quando colocados ao lado dos dados da CIPA. Segundo a associação, o volume global de câmeras digitais enviadas ao mercado cresceu 11% em 2025 em relação a 2024, que já havia interrompido uma sequência de quedas iniciada em 2020. Mas o dado mais revelador não está no crescimento geral e sim na composição desse crescimento.


Câmeras com lente fixa, as chamadas compactas, tiveram aumento de 30% em volume e passaram a representar cerca de um quarto de todas as unidades enviadas no ano. Mirrorless cresceram de forma moderada. Já as DSLRs seguiram em queda acentuada, com recuo de 31% e participação reduzida a pouco mais de 7% do mercado.


O avanço das compactas não indica um retorno nostálgico ao passado, mas uma mudança clara de uso. São equipamentos menores, rápidos, com bom desempenho em vídeo e integração direta com fluxos de criação e publicação. A própria Canon reconhece que o interesse de criadores mais jovens e produtores de conteúdo teve papel central nesse movimento, assim como a aposta em modelos de entrada voltados ao vídeo.


Outro dado relevante aparece quando se observa o topo do mercado. Câmeras full frame e de médio formato cresceram menos de 2% em volume e perderam participação proporcional, mesmo com lançamentos importantes ao longo do ano. Isso sugere um mercado menos orientado a upgrades constantes e mais focado em soluções práticas para necessidades específicas.


O comportamento em torno das lentes reforça essa leitura. Embora lentes para sensores menores ainda representem a maioria em volume, a diferença para lentes full frame diminuiu. Ao mesmo tempo, a taxa de lentes vendidas por câmera caiu nos últimos anos, indicando um perfil de compra mais contido e funcional. O fotógrafo médio compra menos acessórios e extrai mais do que já tem.


Regionalmente, as DSLRs sobrevivem quase exclusivamente em mercados como América do Norte e Europa, muitas vezes associadas a kits de baixo custo vendidos no varejo. Em países como Japão e China, sua presença já é residual. O centro de gravidade do mercado se deslocou.


O conjunto desses dados aponta para um setor menor do que foi no auge da década passada, mas mais claro em seus usos. Não se trata de um mercado em retração acelerada nem de uma retomada expansiva. Trata-se de uma fotografia que se reorganiza em torno de vídeo, mobilidade, híbridos e fluxos de trabalho mais diretos.


Para quem vive da imagem, o recado é menos sobre qual câmera comprar e mais sobre compreender o contexto em que essas ferramentas fazem sentido. O equipamento deixou de ser símbolo de status ou promessa de diferenciação automática. Ele passou a ser infraestrutura.


Entender esse movimento é parte essencial das decisões que fotógrafos, estúdios e criadores precisam tomar em 2026.


Se você acompanha esse tipo de leitura estratégica sobre fotografia, mercado e tecnologia, a comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto reúne análises semanais, discussões abertas e encontros ao vivo focados em quem vive da imagem.


E para quem prefere aprofundar essas questões ao vivo, em grupo pequeno e com conversa direta, o próximo workshop presencial acontece em fevereiro, em São Paulo, com foco em fotografia, mercado e decisões reais em tempos de transformação.

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