As mentirinhas que contamos para nós mesmos
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Uma reflexão na era das inverdades visuais e de negócios

Mentira não é algo exclusivo de 2026. Mas ficou mais sofisticada. Hoje você cria uma imagem com texto e ela engana todo mundo e percorre o WhatsApp e as redes com uma velocidade sem precedentes. Pessoas postam viagens que não fizeram, momentos que não viveram e conquistas que não tiveram. O ritmo da mentira agora é sintético e frenético.
Só vale lembrar: mentir com imagens não é algo de hoje. Vem desde o tempo do analógico. A diferença é que agora está na ponta do dedo e ao alcance da IA mais próxima e gratuita, e não são poucas.
Nos negócios, as promessas exageradas ditam o marketing como se estivéssemos ainda nos anos 1990. "O melhor isso e o maior aquilo" vale para quase tudo. Compramos autoridade das formas mais variadas: de seguidores a prêmios e provas sociais em troca de serviços.
E enquanto isso, surge a oportunidade do real. Daquilo em que você acredita. Vale para imagens criadas na câmera, de momentos vividos e contados por você. A única diferença é que você precisa narrar muito bem isso e dizer para todo mundo: isso é real, fiz para você e sem IA. Não é para todo mundo, mas no fim provavelmente é para quem importa e está disposto a investir nisso.
Se a IA acabar com a fotografia em algum momento, você pararia por isso? Não tenho a resposta, mas acredito que você tenha.
Nos últimos seis anos, a palavra em relatórios de tendências deixa claro: experiência e autenticidade aparecem sempre como itens valiosos para as pessoas em todas as áreas. Deve ser por isso que shows estão lotados e eventos esportivos bombando, vendendo exatamente as duas coisas. E as marcas que prosperam vendem essa verdade.
A GoPro poderia ter conquistado tudo que conquistou sendo "a melhor câmera de ação do mundo"? Ela preferiu dizer Be a Hero e ser herói é exatamente o que ela faz ao colocar o ponto de vista do cliente em primeiro lugar. A Apple se tornou referência não só em luxo, mas em pensar diferente e garantir privacidade. A Fotto avança liderando com o senso real de comunidade, ouvindo e entregando o que os clientes querem. A Instax nunca vendeu tanto justamente por entregar algo único e irreplicável: parar, posar e gerar uma lembrança física que nenhum algoritmo substitui, e não para de expandir a produção mundialmente.
O marketing e o branding que funcionam de verdade são específicos. Muito particulares do fotógrafo, da marca, feitos com o cuidado de quem não quer ser genérico nem contar mentirinhas que nos deixam iguais a todo mundo. Ninguém quer o "melhor", o "maior", seja lá o que for. O que queremos mesmo é algo feito para a gente, que nos entenda e nos represente.
Na era da IA e da super competição, ser mais você e menos a média é o que vai fazer seu negócio crescer em 2026 e nos próximos anos. Nem é tendência, na verdade é uma convergência de pessoas cansadas em busca do mesmo propósito.
O Mapa R.U.M.O. organiza o que vem antes. Cria produtos pensando no cliente, mas respeitando quem você é e como isso te representa de verdade.
Em abril estou abrindo uma agenda restrita de Leitura R.U.M.O. com conversa individual. Se fizer sentido para o seu momento, os detalhes estão aqui: Leitura estratégica para fotógrafos: como tomar decisões com precisão no negócio



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