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Os melhores fotolivros do mundo disputam prêmio de £10 mil e lembram por que a fotografia ainda precisa do papel

  • 26 de mai.
  • 3 min de leitura

Longlist do Kraszna-Krausz Photography Book Award 2026 reúne obras sobre raça, memória, sexualidade, política, masculinidade e cultura de consumo, mostrando o fotolivro como uma das formas mais poderosas de narrativa visual.



O fotolivro costuma ocupar um lugar ambíguo na fotografia. Para alguns, é objeto de coleção, caro, bonito, feito para ficar na estante. Para outros, é uma das formas mais sofisticadas de pensar, editar e apresentar um trabalho fotográfico.


A longlist do Kraszna-Krausz Photography Book Award 2026 reforça essa segunda leitura. O prêmio, criado em 1985, reconhece a excelência em livros de fotografia e imagem em movimento. A edição deste ano reúne publicações que atravessam temas como memória, raça, sexualidade, crise climática, cultura de consumo, masculinidade e identidade. O vencedor divide um fundo de £10 mil, e a shortlist será anunciada em junho.


Mais do que uma lista de livros bonitos, a seleção mostra como o fotolivro segue sendo um território importante para projetos que pedem tempo, edição, contexto e construção narrativa. Em um momento em que boa parte da fotografia circula em fluxo rápido, dentro de feeds e plataformas, esses livros trabalham em outra velocidade. Eles pedem atenção.


Entre os destaques está Black Chronicles: Photography, Race and Difference in Victorian Britain, editado por Renée Mussai, que revisita a presença de pessoas negras na fotografia vitoriana britânica a partir de uma extensa pesquisa em arquivos. O livro reúne retratos de sujeitos negros, afro-caribenhos, sul-asiáticos e mestiços, muitos deles historicamente marginalizados, abrindo novas leituras sobre representação, raça e memória visual.



Outro título forte é The Ramble NYC 1969, de Arthur Tress, um retrato íntimo da vida queer em Nova York no fim dos anos 1960. As imagens foram feitas no Ramble, área do Central Park conhecida como espaço de encontros entre homens queer. O trabalho é tratado como um dos primeiros registros fotográficos conhecidos do cruising ao ar livre em ambiente natural.



A lista também inclui Sound the Sirens, de Bryan Anselm, sobre comunidades afetadas por desastres climáticos nos Estados Unidos; Too Many Products Too Much Pressure, de Janet Delaney, que observa com humor e crítica a cultura de consumo a partir do cotidiano de um vendedor; MAN, de Erik Kessels e Karel De Mulder, que analisa a recorrência visual do homem posicionado no centro de grupos formados por mulheres; e Swan Moon, de Swan Moon, um retrato diarístico de juventude, identidade, performance e imaginação cinematográfica na Los Angeles dos anos 1990.



O que conecta esses livros não é um estilo único. É a escolha do livro como lugar de permanência. Cada projeto parece partir de uma pergunta que não caberia bem em uma sequência rápida de posts. Quem foi visto? Quem foi apagado? Que padrões repetimos sem perceber? Como a fotografia participa da construção de memória, desejo, poder e pertencimento?



Essa talvez seja a principal lição para fotógrafos. O fotolivro não é apenas um produto final sofisticado. Ele é também uma forma de pensamento. Obriga o autor a editar, cortar, organizar, sequenciar, escrever, nomear e sustentar uma ideia por mais tempo. Em vez de depender apenas da força de uma imagem isolada, o livro constrói relação entre imagens.



No mercado brasileiro, onde muitos fotógrafos ainda pensam sua produção quase exclusivamente a partir de ensaios, eventos, entregas digitais e presença nas redes, olhar para prêmios como esse ajuda a ampliar o repertório. Nem todo fotógrafo precisa publicar um fotolivro. Mas todo fotógrafo pode aprender com a lógica do fotolivro: coerência, edição, narrativa, ritmo e intenção.


Em tempos de excesso visual, talvez o fotolivro seja uma das respostas mais silenciosas e mais fortes da fotografia. Ele não compete com a velocidade do feed. Ele propõe outra relação com a imagem.


E isso, por si só, já é uma notícia importante.


Na Fotograf.IA+C.E.Foto, esse tipo de leitura aparece sempre conectando mercado, cultura visual e caminhos práticos para quem vive da imagem. Porque entender fotografia hoje não é apenas acompanhar equipamentos, tendências ou ferramentas. É também perceber onde a imagem ainda ganha profundidade, valor e permanência.

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