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MIS reúne Marilyn Monroe, Ayrton Senna, futebol brasileiro e Bob Wolfenson em mês dedicado à fotografia

  • 21 de mai.
  • 4 min de leitura

Projeto Maio Fotografia no MIS ocupa o museu em São Paulo com cinco mostras que cruzam cultura pop, esporte, memória documental, rua e fotografia brasileira contemporânea.


O Maio Fotografia no MIS está em cartaz no Museu da Imagem e do Som, na Avenida Europa, em São Paulo. A programação tem classificação livre, ingressos a R$ 20 e meia-entrada a R$ 10, com gratuidade às terças-feiras, exceto feriados, conforme as regras do museu. Como as agendas consultadas apresentam pequenas diferenças sobre a data final, vale confirmar a visita diretamente no site do MIS antes de ir.


A programação reúne cinco mostras: “Marilyn: a última entrevista”, “Ayrton Senna pelo olhar de Joe Honda”, “Acervo MIS | Retratos do futebol brasileiro”, “Bob Wolfenson, São Paulo anos 1980” e “Rumo ao Pernambuco profundo”, projeto selecionado pelo edital Nova Fotografia.



O conjunto funciona como um panorama amplo do que a fotografia pode guardar. Há o retrato íntimo de um ícone global, a memória visual de um piloto brasileiro fotografado por um pioneiro da fotografia automobilística, o futebol preservado em imagens e depoimentos, a São Paulo vista por um dos grandes nomes da fotografia nacional e uma série documental sobre o interior de Pernambuco.


Foto: Allan Grant / LIFE
Foto: Allan Grant / LIFE

Em “Marilyn: a última entrevista”, o MIS apresenta a última sessão de fotos de Marilyn Monroe, realizada dentro de sua casa pelo fotojornalista Allan Grant para a revista LIFE. As imagens mostram a atriz em um registro mais íntimo, fora da construção clássica da estrela de cinema. Segundo o material do museu, Allan Grant fez mais de 400 fotografias naquele encontro, muitas delas inéditas, agora reunidas no contexto das celebrações do centenário de Marilyn.


A exposição dedicada a Ayrton Senna parte de outro território da imagem: a velocidade, o esporte e o mito nacional. As fotografias são de Joe Honda, nome artístico de Nobuyuki Jozuka, fotógrafo japonês que se tornou uma referência na cobertura do automobilismo. Honda, que viveu entre 1939 e 2024, deixou o Japão em 1967 para documentar o circuito internacional de corridas e ficou conhecido também por seus retratos de pilotos.


Foto: Joe Honda
Foto: Joe Honda

A presença de Senna no MIS tem um peso particular. Não se trata apenas de rever imagens de um ídolo esportivo, mas de observar como a fotografia ajudou a construir uma memória pública em torno dele. O piloto aparece como personagem de pista, de bastidor e de imaginário coletivo. É o tipo de exposição que interessa não apenas a fãs de automobilismo, mas a quem pensa a fotografia como construção de memória.


A mostra “Acervo MIS | Retratos do futebol brasileiro” amplia essa leitura pelo futebol. O museu apresenta registros fotográficos e áudios ligados à coleção “Memória do futebol”, projeto de história oral coordenado por José Sebastião Witter, com entrevistas de jogadores, técnicos e radialistas gravadas entre 1976 e 1984. Entre os nomes citados estão Leônidas da Silva e Roberto Rivellino.


Esse núcleo é importante porque aproxima fotografia e arquivo. O futebol brasileiro não aparece apenas como espetáculo visual, mas como memória falada, registrada e preservada. A imagem não fica sozinha. Ela conversa com depoimentos, contexto histórico e a formação de uma cultura popular que atravessa gerações.


Foto: Bob Wolfenson
Foto: Bob Wolfenson

Em “Bob Wolfenson, São Paulo anos 1980”, o MIS apresenta um recorte da trajetória do fotógrafo paulistano em parceria com o Instituto Olga Kos. A mostra se volta à rua e ao cotidiano urbano, destacando uma São Paulo observada por um fotógrafo que se consolidou como referência em retrato, moda, nu artístico, publicidade e projetos autorais.


Bob Wolfenson é um nome central na fotografia brasileira porque transita entre mundos que muitas vezes são tratados como separados. Moda, retrato, rua, publicidade e arte aparecem em sua trajetória como partes de uma mesma prática visual. Na exposição, o recorte dos anos 1980 permite olhar para uma cidade em transformação e para um fotógrafo atento ao instante, à presença e aos sinais do cotidiano.


A programação também inclui “Rumo ao Pernambuco profundo”, de Roberto Santos Filho, selecionado pelo edital Nova Fotografia 2026. A série nasceu em 2006, durante a realização do documentário “O retorno”, sobre a fome no Nordeste. As imagens foram feitas em locais de Pernambuco marcados pela falta d’água, pelo clima seco e pela dureza da paisagem.


A força do Maio Fotografia no MIS está justamente nessa reunião de registros tão diferentes. Marilyn Monroe, Ayrton Senna, futebol brasileiro, São Paulo dos anos 1980 e o interior de Pernambuco poderiam parecer temas distantes. Mas todos passam pela mesma questão: o que uma imagem guarda depois que o momento já passou?


A fotografia, nesse conjunto, aparece menos como técnica e mais como permanência cultural. Ela preserva o gesto de uma atriz em casa, o olhar de um piloto, a memória de jogadores, a rua de uma cidade e a paisagem de um país desigual. Cada mostra parte de um assunto específico, mas todas dependem da mesma confiança depositada na imagem como documento, interpretação e memória.


Para quem acompanha fotografia no Brasil, a programação também reforça o papel dos museus e acervos na circulação da imagem. Em um momento em que a produção visual se tornou acelerada, digital e muitas vezes descartável, exposições como essa recolocam a fotografia em outro tempo. O tempo da edição, da preservação, da curadoria e da visita presencial. Saiba mais: Maio Fotografia no MIS 2026 - MIS


Acompanhar exposições como essa ajuda a lembrar que a fotografia não vive apenas de lançamentos, tecnologia e redes sociais. Ela também depende de acervo, memória, circulação cultural e leitura histórica. Na Fotograf.IA + C.E.Foto, aprofundo esse tipo de movimento com mais contexto, conectando mercado, imagem, tecnologia e cultura visual para quem vive da fotografia.

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