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Lewis Hine: o fotógrafo que se passou por vendedor de Bíblias para denunciar o trabalho infantil

há 19 horas
2 min de leitura

Para entrar em fábricas e registrar crianças trabalhando, o americano assumia outras identidades. Suas imagens ajudaram a sustentar uma campanha por mudanças nas condições de trabalho nos Estados Unidos

Lewis Wickes Hine (EUA, 1874–1940), menina fiandeira da Whitnel Cotton Mfg. Co., Carolina do Norte, dezembro de 1908, 1908. Impressão de prata em gelatina. Museu de Arte da Universidade de Princeton
Lewis Wickes Hine (EUA, 1874–1940), menina fiandeira da Whitnel Cotton Mfg. Co., Carolina do Norte, dezembro de 1908, 1908. Impressão de prata em gelatina. Museu de Arte da Universidade de Princeton


Lewis Hine nem sempre se apresentava como fotógrafo. Para conseguir entrar nos locais que pretendia documentar, dizia vender Bíblias ou cartões-postais. Em outras ocasiões, alegava estar interessado nas máquinas.


Os disfarces tinham um objetivo: ultrapassar as portas que separavam o público das condições de trabalho de crianças em fábricas, minas e outros estabelecimentos americanos. Quando não conseguia entrar, esperava do lado de fora para fotografá-las na chegada ou na saída. A Biblioteca do Congresso registra essas estratégias em seu acervo sobre o fotógrafo.


A denúncia precisava de informação


Foto de crianças pequenas trabalhando tirada pelo renomado fotógrafo Lewis Hine e encomendada pelo Comitê Nacional de Trabalho Infantil no início do século XX nos Estados Unidos.
Foto de crianças pequenas trabalhando tirada pelo renomado fotógrafo Lewis Hine e encomendada pelo Comitê Nacional de Trabalho Infantil no início do século XX nos Estados Unidos.


A partir de 1908, Hine trabalhou para o National Child Labor Committee, organização que combatia a exploração do trabalho infantil. Seu trabalho combinava investigação e fotografia.


As imagens vinham acompanhadas de legendas frequentemente extensas, com informações sobre as pessoas e as condições encontradas. Esse cuidado ajudava a situar cada cena: quem estava ali, onde trabalhava e em quais circunstâncias.


É um aspecto que merece atenção quando revisitamos essas fotografias. A força visual permanece, mas parte de seu valor documental está também no trabalho de apuração que as acompanha.


Como as fotografias chegavam ao público


Foto de crianças pequenas trabalhando tirada pelo renomado fotógrafo Lewis Hine e encomendada pelo Comitê Nacional de Trabalho Infantil no início do século XX nos Estados Unidos.
Foto de crianças pequenas trabalhando tirada pelo renomado fotógrafo Lewis Hine e encomendada pelo Comitê Nacional de Trabalho Infantil no início do século XX nos Estados Unidos.

O comitê utilizava as imagens em campanhas de conscientização e educação. A mobilização incluía imprensa e painéis apresentados em conferências, nas ruas e em exposições.


Fotografar era uma etapa de um esforço organizado para tornar aquelas condições conhecidas e pressionar por mudanças.


Por isso, é preciso cuidado com a afirmação de que Hine “acabou com o trabalho infantil”. Suas fotografias contribuíram para uma luta coletiva que atravessou décadas. Em 1938, o Fair Labor Standards Act estabeleceu restrições federais, incluindo idades mínimas e limites de jornada para menores.


O que essa história ainda nos pergunta


Nesta fotografia de 1913 de Lewis Hine, uma jovem trabalha em uma máquina nas Fábricas de Meias do Condado de Walker, em LaFayette.
Nesta fotografia de 1913 de Lewis Hine, uma jovem trabalha em uma máquina nas Fábricas de Meias do Condado de Walker, em LaFayette.

Revisitar Hine permite pensar nas escolhas que dão consistência a um trabalho documental: o acesso, a pesquisa, a identificação das pessoas e a forma de apresentar as imagens.

Também deixa uma pergunta para quem fotografa hoje: depois de produzir um trabalho relevante, como fazê-lo chegar a quem precisa vê-lo?


A história de Hine oferece um exemplo concreto de fotografia integrada a uma campanha pública. Sua contribuição pode ser compreendida tanto pelas imagens quanto pelo uso que receberam.



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