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O que estou lendo: ver Auschwitz pelos olhos de quem não voltou

  • há 1 dia
  • 1 min de leitura

Uma exposição em Oświęcim usa lentes restauradas de uma engenheira judia morta em Auschwitz para reconstruir o olhar que ela nunca pôde registrar




Em 1943, a engenheira óptica Lore Sternfeld foi deportada de Berlim e morta ao chegar a Auschwitz. Ela trabalhava na Astro-Berlin, fabricante alemã cujas lentes, no mesmo período, também serviam à propaganda nazista. Duas décadas depois de sua morte, um conjunto de lentes Pan-Tachar fabricadas por ela foi localizado, restaurado pelo estúdio londrino Focus Canning e adaptado a uma câmera Leica digital.


A fotógrafa Hannah Altman usou essas lentes para criar Ground Glass, série de 18 imagens dividida em duas partes. A primeira recria, em um apartamento de Berlim, o universo doméstico de Sternfeld com objetos de época. A segunda acompanha a rota de deportação até Auschwitz, fotografada no aniversário de 83 anos da viagem, a maior parte em preto e branco, com poucas imagens em tons quentes.



A exposição fica em cartaz até janeiro de 2027 na sede da ARCHER, organização dedicada a pesquisa sobre extremismo, instalada na antiga casa do comandante de Auschwitz, Rudolf Höss. Os visitantes podem olhar pelas mesmas lentes que Sternfeld ajudou a montar.


O que fica dessa leitura: a lente, aqui, não é equipamento. É o último vestígio de um modo de ver que pertenceu a alguém. Há uma diferença entre fotografar um lugar e fotografar através dos olhos de quem não pôde contar a própria história e essa diferença é o que sustenta o projeto inteiro.


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São Paulo, SP

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