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Fotografias de Josef Koudelka sobre a invasão de Praga voltam em edição de capa dura

há 5 horas
2 min de leitura

Aperture publica nova versão de Invasion Prague 68, com 250 imagens de um trabalho que circulou internacionalmente sem revelar o nome do fotógrafo



Em agosto de 1968, Josef Koudelka saiu às ruas de Praga para fotografar a invasão da Tchecoslováquia por tropas lideradas pela União Soviética. Até então, nunca havia coberto um acontecimento jornalístico. Seu trabalho incluía fotografia de teatro e registros de comunidades Roma. Naquela ocasião, passou a documentar o confronto entre a população e as forças de ocupação.


Essas fotografias estão reunidas em Invasion Prague 68, que a Aperture lança em capa dura em novembro. A edição tem 296 páginas e 250 imagens selecionadas pelo próprio Koudelka, acompanhadas por relatos de testemunhas e registros de transmissões da época. A data de publicação indicada pela editora é 4 de novembro de 2026, com preço de US$ 80 em sua loja.


A história da circulação das imagens é parte fundamental do trabalho. A Magnum distribuiu as fotografias com o crédito P.P., de “Prague Photographer”, para evitar represálias contra Koudelka e sua família. O registro podia alcançar leitores de outros países, mas a identidade de quem o havia produzido precisava permanecer protegida.


A autoria só foi assumida publicamente em 1984. Durante anos, portanto, as imagens tiveram uma presença internacional que o fotógrafo não podia acompanhar com o próprio nome. Essa distância entre reconhecimento e segurança ajuda a compreender as condições em que o trabalho chegou ao público.


O livro foi publicado originalmente em 2008. A novidade anunciada agora é sua apresentação em capa dura, permitindo uma nova circulação editorial de um conjunto já conhecido. Não se trata de um anúncio de fotografias recém-descobertas.


A republicação também abre uma discussão sobre a duração de um trabalho fotográfico. Imagens feitas para testemunhar uma situação urgente podem continuar sendo vistas e estudadas décadas depois. No fotolivro, a seleção, a sequência e os documentos que acompanham as fotografias oferecem ao leitor uma forma de retornar ao acontecimento.


No caso de Koudelka, esse retorno inclui tanto o que aconteceu diante da câmera quanto o percurso necessário para que as imagens fossem publicadas. O anonimato inicial integra essa história: havia riscos concretos para quem fotografava e para quem permanecia no país.


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