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De Altamira a Belém: fotografias dos Jogos Indígenas do Xingu percorrem o Brasil

há 39 minutos
3 min de leitura

Exposição de Alexandre Baena transforma registros de um festival com mais de 900 atletas indígenas em projeto itinerante que passou por diferentes instituições culturais do país.

Foto: Alexandre Baena
Foto: Alexandre Baena


Depois de passar por cinco capitais brasileiras, a exposição Jogos Indígenas do Xingu - Rituais pela Vida Ancestral, do fotógrafo e documentarista paraense Alexandre Baena, chegou a Belém. A mostra abriu nesta quinta-feira, 8 de outubro, na Galeria Fidanza, no Museu de Arte Sacra, e permanece em cartaz até 8 de novembro. O projeto reúne fotografias de competições esportivas, rituais e manifestações culturais de povos indígenas da região do Xingu.


As imagens foram produzidas durante o I Festival de Cultura e Jogos Indígenas do Xingu, realizado entre 17 e 20 de julho de 2025, em Altamira, no sudoeste do Pará. O encontro reuniu mais de 900 atletas de 14 etnias, incluindo representantes dos povos Arara, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Xikrin, Kayapó, Parakanã, Araweté e Juruna.


A programação incluiu competições de arco e flecha, arremesso de lança, corrida de bastão, canoagem, natação e futebol, além de apresentações de música, dança e rituais tradicionais. Para os povos participantes, o festival também representou um espaço de convivência entre gerações, fortalecimento de vínculos comunitários e preservação de práticas culturais.


Baena, que também assina a curadoria da exposição, enfrentou condições particulares durante a cobertura. Muitas atividades aconteceram à noite, exigindo escolhas técnicas para registrar o movimento dos participantes e a iluminação da arena montada às margens do rio Xingu. O fotógrafo explorou essas condições para produzir imagens que combinam documentação e interpretação visual das competições.


Da cobertura fotográfica à circulação nacional



O percurso da exposição começou a ganhar dimensão nacional com apresentações no Museu de Arte Indígena, em Curitiba, no Senado Federal, em Brasília, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, no Centro Cultural Cais do Sertão, em Recife, e no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, em Manaus. Após Belém, a itinerância deverá terminar em Altamira, cidade onde as fotografias foram realizadas.


A passagem por São Paulo integrou a programação cultural da cidade em maio de 2026. Já no Recife, a exposição ocupou um dos espaços culturais da capital pernambucana em junho. A presença em instituições de diferentes perfis permitiu que o trabalho chegasse a públicos para além da região onde os registros foram produzidos.


A circulação conta com patrocínio da Prefeitura de Altamira e do Governo do Pará, por meio do Banpará e das secretarias estaduais de Cultura e Turismo, além de apoio do Ministério da Cultura. O projeto também tem apoio da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa) e realização da MAB Comunicação.


A itinerância faz parte de uma trajetória mais ampla de Alexandre Baena, que já desenvolveu exposições sobre manifestações culturais como o Círio de Nazaré, a Marujada de Bragança, o Festribal de Juruti e o Sairé de Santarém. Em 2025, uma de suas mostras sobre o festival de Juruti integrou a programação cultural da COP30, em Belém.


Fotografia documental e circulação cultural


A experiência de Baena chama atenção para uma possibilidade de desenvolvimento de projetos documentais. Fotografias inicialmente produzidas para registrar um acontecimento específico passaram a integrar uma exposição com circulação por museus, bibliotecas e centros culturais, envolvendo diferentes instituições e apoiadores.


O caso também evidencia a importância das estruturas de produção e financiamento para a continuidade de trabalhos autorais. Embora os patrocinadores e parceiros sejam identificados, as informações divulgadas não detalham como a itinerância foi organizada financeiramente, nem quais acordos possibilitaram a passagem pelas diferentes cidades.


Outra questão relevante envolve a participação dos povos fotografados nas decisões sobre a representação e a circulação de suas imagens. A divulgação informa o apoio da Fepipa, mas não esclarece como as comunidades participaram da seleção das fotografias e da construção do discurso curatorial. Esse aspecto merece atenção especialmente em projetos documentais dedicados às culturas indígenas.


Ao chegar a Belém, a exposição amplia a circulação pública dos registros do festival realizado em Altamira. Seu percurso também mostra como um acervo fotográfico pode permanecer em atividade depois do acontecimento documentado, alcançando novos espaços, públicos e contextos culturais.


Visitação: a exposição Jogos Indígenas do Xingu - Rituais pela Vida Ancestral fica em cartaz até 8 de novembro de 2026, na Galeria Fidanza, Museu de Arte Sacra, Praça Frei Brandão, s/n, Cidade Velha, Belém (PA). A entrada é gratuita.


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