Google testa IA para planejar styling e cenografia antes da produção fotográfica
Ferramentas experimentais usadas na New York Fashion Week antecipam decisões de produção, enquanto designers preservam o ensaio real com fotógrafo, stylist e equipe.

A inteligência artificial está entrando em uma etapa menos visível da produção de moda: o trabalho que acontece antes das imagens finais.
Durante a New York Fashion Week, o Envisioning Studio do Google trabalhou com os designers Jane Wade e Sergio Hudson em dois workflows experimentais desenvolvidos dentro do Flow. As ferramentas foram usadas para visualizar antecipadamente decisões de styling, espaço, iluminação e cenografia.
No caso de Jane Wade, imagens de fittings reais serviram como base para testar tecidos, cores, acessórios, cabelo, maquiagem e diferentes combinações de looks. O sistema também produziu visualizações de corpo inteiro e materiais de apoio para a equipe.
Há uma razão econômica para isso. Wade estima que visualizar determinadas escolhas antes de cortar um tecido pode evitar cerca de US$ 1.000 em um único erro de produção.
Sergio Hudson utilizou outra ferramenta para experimentar virtualmente elementos de seu desfile antes da montagem física. Espaço, iluminação, circulação dos modelos e cenografia puderam ser testados em diferentes configurações antes que a produção começasse a gastar com estruturas e execução.
Os dois casos ainda são experimentais. Foram desenvolvidos em colaboração com esses designers e não demonstram que o mesmo resultado possa ser reproduzido em qualquer produção.
A imagem final continua sendo produzida
O caso de Jane Wade traz outro detalhe relevante para fotógrafos.
Apesar de incorporar IA ao processo, a designer não pretende substituir a sessão fotográfica. Ela defende a continuidade do trabalho em estúdio com fotógrafo, stylist e outros profissionais envolvidos na produção.
A IA, nesse caso, ocupa outra função: ajudar a visualizar decisões antes que a equipe precise executá-las no mundo físico.
Essa diferença torna o experimento particularmente interessante para o mercado fotográfico. Até agora, boa parte da discussão sobre IA e fotografia ficou concentrada na possibilidade de gerar ou editar a imagem final. Na NYFW, a tecnologia apareceu em uma etapa anterior da cadeia.
Ainda existem questões importantes envolvendo propriedade intelectual, uso de materiais proprietários e a distância entre uma simulação digital e aquilo que realmente pode ser produzido.
Mas o teste do Google aponta para uma mudança que merece acompanhamento: a IA começa a participar não apenas da imagem, mas também da preparação necessária para produzi-la.
No Essencial
O caso abre uma questão mais específica para quem trabalha profissionalmente com fotografia: essa nova capacidade de pré-visualização pode se transformar em um serviço do próprio fotógrafo?
No Essencial, avanço justamente nessa parte: o que poderia ser oferecido ao cliente, onde existe valor comercial, quais seriam os limites e quando a IA na pré-produção acrescenta algo ou apenas cria mais trabalho.
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