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FRAME IA: a moda muda a produção de imagens, os contratos e o trabalho

há 8 horas
4 min de leitura

Investigação da Reuters mostra fechamento de estúdios e propostas de réplicas digitais, enquanto negócios e profissionais brasileiros incorporam IA à oferta de serviços



A inteligência artificial está alterando diferentes partes da produção de imagens de moda. A mudança aparece nos estúdios, nas contratações e nos documentos que definem o que uma marca poderá fazer com a imagem de uma pessoa depois do ensaio.


Uma investigação da Reuters, repercutida por PetaPixel, TechTimes e The Japan Times, reúne essas transformações. A agência entrevistou 15 diretores de agências de modelos e analisou mais de uma dúzia de contratos confidenciais de produções fotográficas. Entre as condições propostas estavam alterações de rostos e corpos, criação de réplicas digitais e uso de imagens para treinamento de IA.


As três publicações partem da mesma apuração, com enfoques diferentes. A conexão entre elas ajuda a observar como trabalho, remuneração e controle sobre as imagens estão sendo reorganizados.


A pressão sobre os estúdios



No comércio eletrônico de moda, a necessidade constante de apresentar novas peças favorece soluções que prometem produzir imagens com mais velocidade e menor custo.


Segundo a reportagem, a Zalando fechou seus dois estúdios fotográficos em Berlim em 2025. A About You também encerrou um estúdio. A reestruturação mais ampla envolveu mais de 340 cortes de postos de trabalho, embora parte dos profissionais tenha sido realocada. A apuração não estabeleceu que a IA tenha sido a única causa de todas essas perdas.


Já a Scayle Studios, ligada à About You, afirma reduzir os custos de produção em mais de 90% em comparação com ensaios convencionais. O percentual é uma declaração da empresa sobre sua operação, e não uma medida aplicável a qualquer produção.


Para fotógrafos, modelos, produtores, maquiadores e outros profissionais, a consequência merece atenção. Quando uma empresa muda sua forma de produzir imagens, a transformação pode alcançar uma rede inteira de prestadores.


O contrato pode ampliar o alcance de um ensaio


Outra frente está nas permissões solicitadas aos modelos.


A investigação encontrou propostas que permitiriam modificar características físicas, trocar rostos e criar versões digitais reutilizáveis. É importante distinguir o alcance pretendido pelos documentos daquilo que efetivamente foi realizado: a Reuters não comprovou que as marcas tenham executado todos os usos previstos nessas cláusulas. Empresas citadas também apresentaram ressalvas sobre a finalidade dos contratos e suas práticas.


A discussão envolve o valor de uma participação que pode continuar produzindo imagens depois que o trabalho presencial terminou.


Se uma representação digital permite gerar novas peças de comunicação, surgem questões sobre autorização, duração, remuneração e limites de reutilização. A negociação passa a alcançar possibilidades que vão além da publicação das fotografias feitas naquele dia.


Negócios brasileiros também estão incorporando IA



Esse movimento se conecta aos negócios brasileiros que estão utilizando IA na produção de imagens, tema que abordei na matéria sobre iniciativas de fotografia e inteligência artificial no mercado brasileiro.

A discussão internacional encontra, assim, uma conexão com mudanças que já aparecem por aqui, na oferta de serviços e no atendimento aos clientes.


Nas conversas com membros do Essencial, esse movimento também está presente. Mais de um profissional comentou que tem utilizado IA para atender clientes de moda e publicidade.


São relatos pontuais. Eles não permitem medir a dimensão dessa adoção no mercado brasileiro, mas acrescentam uma perspectiva: há profissionais incorporando a tecnologia à prestação de serviços enquanto outras partes da cadeia enfrentam pressão sobre contratações e remuneração.


Essa convivência exige cuidado com conclusões fáceis. Novos trabalhos não compensam automaticamente os postos eliminados. Da mesma forma, aprender uma ferramenta não garante clientes, margem ou continuidade.


O que o fotógrafo passa a entregar?


Para quem trabalha com imagem, a transformação pede uma revisão da própria oferta.

Quais etapas dependem de captura? Onde a IA pode participar? Quem responde pela fidelidade de uma peça de roupa, pela aparência de uma pessoa ou por uma alteração solicitada pelo cliente? Como o preço considera criação, direção, revisões e possibilidades de reutilização?


Essas decisões influenciam a relação comercial tanto quanto a qualidade visual do resultado.

Uma produção pode combinar fotografia e geração de imagens, preservar etapas presenciais ou substituir parte delas. Cada escolha tem implicações diferentes para o trabalho, a remuneração e a responsabilidade dos envolvidos.


O fechamento de estúdios, a ampliação de permissões contratuais e o surgimento de serviços com IA fazem parte de uma transformação em curso. Seus ganhos e perdas não estão distribuídos igualmente.


Para o fotógrafo, acompanhar esse cenário significa observar o que os clientes estão comprando, quais responsabilidades acompanham as novas entregas e onde sua experiência continua fazendo diferença.


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