Hasselblad leva o Phocus ao Android e amplia o fluxo profissional pelo celular
- há 5 dias
- 4 min de leitura
Marca promete edição RAW, conexão com câmeras e ciência de cores no sistema do Google, mas a liberação pública ainda não pôde ser confirmada.

A Hasselblad anunciou a chegada do Phocus Mobile ao Android, mas, até a publicação desta matéria, o aplicativo ainda não aparecia nas buscas da Google Play nem havia um link público de download na página oficial da marca. A versão disponível oficialmente continua sendo o Phocus Mobile 2 para iPhone e iPad.
A novidade pode parecer apenas uma atualização de software, mas corrige uma limitação importante na experiência de uma marca premium. Uma câmera profissional de médio formato não deveria depender da escolha do celular para oferecer um fluxo móvel completo.
No Android, o aplicativo é chamado de Phocus Mobile. Ele é compatível inicialmente com as câmeras Hasselblad X2D II 100C, X2D 100C e CFV 100C. A versão para iPhone e iPad continua usando o nome Phocus Mobile 2 e possui uma lista um pouco maior de equipamentos compatíveis.

RAW, edição e conexão com a câmera
O aplicativo permite conectar câmeras dos sistemas X e V ao aparelho móvel por Wi-Fi ou cabo USB-C. A partir dessa conexão, o fotógrafo pode importar, exportar, organizar e editar imagens, além de atualizar o firmware da câmera e das lentes.
O trabalho com os arquivos RAW preserva o acesso à Hasselblad Natural Colour Solution, sistema de processamento de cores desenvolvido pela própria marca. A proposta é manter no dispositivo móvel uma aparência próxima daquela obtida no software Phocus para computadores.
O aplicativo também trabalha com imagens HDR e permite exportá-las como Ultra HDR JPG ou HDR TIFF. Entre as possibilidades estão navegação pelos arquivos, aplicação de filtros, ajustes de imagem e gerenciamento das fotografias recém-capturadas.
A conexão remota permite controlar parâmetros da câmera, transferir imagens e, em equipamentos compatíveis, acessar funções como temporizador, intervalômetro e ativação da câmera mesmo quando ela está desligada dentro da bolsa.
O celular deixa de ser apenas o destino
Durante muito tempo, o smartphone apareceu no fluxo profissional principalmente no final do processo. A imagem era produzida na câmera, tratada no computador e enviada para o celular apenas para publicação.
O celular começa a participar da seleção, avaliação, edição, transferência, controle remoto e entrega rápida das imagens. Para fotógrafos que trabalham fora do estúdio, essa integração pode reduzir etapas entre a captura e o envio de uma prévia ao cliente.
A chegada do Phocus ao Android confirma uma mudança que já aparece em aplicativos de outras marcas: câmera, computador e celular deixam de funcionar como ambientes separados e passam a formar um sistema mais conectado.
No caso da Hasselblad, essa transformação é especialmente significativa. Seus arquivos RAW de 100 megapixels exigem capacidade de processamento elevada, mas a marca afirma que o aplicativo consegue aplicar sua redução de ruído baseada em inteligência artificial em aproximadamente 15 a 20 segundos em aparelhos compatíveis.
Nem todo Android terá a mesma experiência
Apesar da abertura para o sistema do Google, existem limitações importantes.
A Hasselblad recomenda aparelhos com pelo menos 12 GB de memória RAM e Android 12 ou superior. Para melhor reprodução de cores e desempenho de edição, a empresa sugere Android 16 e processadores Snapdragon 8 Gen 3 ou mais avançados.
O recurso Hasselblad Natural Noise Reduction possui restrições ainda maiores. No Android, ele funciona inicialmente apenas em aparelhos com Snapdragon 8 Gen 3 ou superior, excluindo chips Snapdragon 8s Gen 3, MediaTek Dimensity, Exynos, Kirin e Google Tensor.
Isso significa que o aplicativo pode estar disponível para Android sem que todas as funções operem em qualquer smartphone. Usuários de aparelhos recentes da Samsung, Google e outras marcas precisam verificar o processador e os requisitos antes de considerar o celular parte central desse fluxo.
Também existem diferenças entre as versões. A ferramenta de máscaras, por exemplo, permanece disponível apenas no iPhone e no iPad neste primeiro momento.
Uma correção tardia, mas necessária
A chegada ao Android não representa uma revolução no mercado fotográfico. O número de fotógrafos que utiliza câmeras Hasselblad compatíveis é relativamente pequeno, e outras marcas já oferecem há anos aplicativos para transferência e controle em diferentes sistemas móveis.
Ainda assim, a atualização é relevante porque encerra uma incoerência na proposta da marca.
A Hasselblad vende câmeras baseadas em precisão, mobilidade e integração entre hardware, processamento e cor. Deixar uma parcela dos usuários sem acesso ao aplicativo móvel limitava essa experiência por uma decisão externa ao equipamento fotográfico.
A versão para Android chega tarde, mas reconhece que o fluxo profissional não pode mais ser organizado exclusivamente em torno do computador ou do ecossistema Apple.
O celular não substitui necessariamente uma estação de trabalho completa, principalmente em tratamentos complexos, grandes volumes ou entregas que exigem controle rigoroso. Mas ele já pode ocupar uma parte maior do processo, especialmente na seleção, edição inicial, prévias e trabalho em campo.
A questão deixa de ser apenas qual câmera o fotógrafo utiliza. Passa a incluir como câmera, aplicativo, computador e entrega funcionam juntos. PHOCUS MOBILE
Acompanhe as mudanças no fluxo fotográfico
A Spotlink Newsletter acompanha as tecnologias, ferramentas e decisões de mercado que estão transformando o trabalho dos fotógrafos.
Assine gratuitamente e receba as principais notícias e análises da fotografia diretamente no seu e-mail.
Seu fluxo também acompanha seu trabalho?
Equipamentos e aplicativos evoluem, mas muitos negócios continuam trabalhando com processos, entregas e posicionamentos que já não correspondem à qualidade alcançada pelo fotógrafo.
O Mapa R.U.M.O. ajuda a identificar onde o negócio pode estar perdendo clareza, eficiência ou valor percebido e quais movimentos fazem mais sentido para a próxima fase.
Conheça o Mapa R.U.M.O. e descubra onde seu negócio pode estar ficando para trás.



Comentários