GWM estreia primeiro comercial automotivo do Brasil criado integralmente com inteligência artificial
- Leo Saldanha

- há 1 dia
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Campanha do Haval H6 utiliza modelo Veo 3, do Google, combina IA generativa e curadoria humana e sinaliza uma virada concreta na publicidade audiovisual brasileira

A publicidade automotiva brasileira entrou oficialmente em uma nova fase. A GWM lançou nesta semana o primeiro comercial do setor produzido integralmente com inteligência artificial no país, marcando um avanço inédito no uso de IA generativa em campanhas de grande escala.
O filme inaugura a nova campanha do GWM Haval H6, SUV híbrido líder de vendas em 2025, e foi desenvolvido em parceria com a Jellyfish, utilizando o Veo 3, modelo avançado de geração de vídeos com qualidade cinematográfica desenvolvido pelo Google.
Mais do que um experimento tecnológico, o projeto coloca a inteligência artificial no centro do processo criativo de forma estruturada, profissional e orientada à narrativa: um movimento que tende a influenciar diretamente o futuro da publicidade, do audiovisual e da criação de conteúdo no Brasil.
Uma narrativa humana construída por máquinas...e pessoas

Embora apresentado como um filme “100% feito com IA”, o projeto está longe de ser automatizado ou simples. A produção envolveu 37 profissionais, mais de 700 horas de trabalho e um processo criativo que combinou tecnologia generativa com intensa curadoria humana.
A narrativa do comercial acompanha a relação entre um pai e sua filha, usando o tempo e as transformações da vida como metáfora para a evolução tecnológica. A proposta foi tratar a inteligência artificial como meio, não como protagonista, colocando a experiência humana no centro da história.
“O filme nasce da ideia de que inovação só faz sentido quando melhora a vida das pessoas. A tecnologia está a serviço da experiência, não o contrário”, afirmou Diego Fernandes, COO da GWM Brasil, em comunicado.
Atores virtuais, trilha em português e milhares de cenas geradas

O nível de complexidade do projeto ajuda a desmontar a ideia de que campanhas feitas com IA exigem menos trabalho humano. O casting foi realizado com seis atores virtuais, dos quais apenas três foram selecionados. Figurinos, cenários, falas e até a trilha sonora (com canção em português) foram gerados por inteligência artificial, sempre sob direção criativa.
Ao todo, foram criadas 2.076 cenas geradas por IA, equivalentes a mais de quatro horas e meia de material bruto virtual. Desse volume, apenas 37 cenas foram selecionadas para compor a versão final do comercial, após um processo de refinamento estético e narrativo que durou 56 dias.
Segundo Fabiana Baraldi, CEO da Jellyfish, a condução humana foi decisiva para o resultado final. “A delicadeza e a coerência do filme só foram possíveis porque a tecnologia foi orientada por pessoas. A IA potencializou a criação, mas não substituiu a sensibilidade”, afirmou.
Um sinal claro para o mercado criativo

O lançamento do comercial da GWM não deve ser visto apenas como uma ação isolada de marketing. Ele representa um marco simbólico para a publicidade brasileira, indicando que a inteligência artificial deixou de ocupar um papel experimental e passou a integrar projetos de alto orçamento, alta visibilidade e alto rigor criativo.
O filme será veiculado em plataformas como YouTube, Netflix e Meta, além de estar disponível no aplicativo My GWM, reforçando a estratégia da marca de integrar tecnologia, produto e experiência digital.
Mais do que responder se a IA “vai substituir” profissionais criativos, o projeto aponta para uma questão mais relevante: como a criação audiovisual será reorganizada a partir da convivência entre inteligência artificial e direção humana qualificada.
A partir de agora, o debate no setor deixa de ser sobre possibilidade técnica e passa a girar em torno de método, ética, autoria e estratégia.
Leitura de contexto - O espaço da inteligência de mercado na fotografia
Movimentos como esse ajudam a entender como inteligência artificial, criação visual e mercado estão se reorganizando de forma concreta em 2026.Essas mudanças fazem parte das análises discutidas no Mapa R.U.M.O. 2026., encontro criado para apoiar fotógrafos e profissionais da imagem na organização de decisões estratégicas para o ano.
Continuidade da análise
Leituras de mercado, sinais de mudança e debates sobre o impacto real da IA na fotografia e no audiovisual são aprofundados na Comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto, espaço dedicado a quem acompanha essas transformações de forma crítica e aplicada. Inteligência de mercado para os fotógrafos e fotógrafas mais inteligentes.

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