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Getty Images anuncia plano de recuperação judicial nos EUA. O que muda para os fotógrafos?

há 1 hora
4 min de leitura

Empresa prepara reestruturação de uma dívida bilionária, receberá até US$ 533 milhões em investimentos e deixará de ter ações negociadas publicamente. Getty afirma que pagamentos e contratos de colaboradores devem continuar normalmente.



A Getty Images, uma das maiores empresas de licenciamento de fotografias e vídeos do mundo, anunciou nesta segunda-feira, 12 de outubro, um acordo de reestruturação financeira que prevê um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. A companhia pretende utilizar o Chapter 11, mecanismo da legislação americana que permite reorganizar dívidas enquanto mantém suas operações.


O acordo prevê até US$ 533 milhões em novos investimentos de empresas ligadas à família Getty e à Koch Equity Development. Ao final do processo, previsto para terminar até dezembro, esses investidores passarão a controlar integralmente a Getty Images, que voltará a ser uma empresa de capital fechado.


Segundo a Reuters, a companhia acumulava aproximadamente US$ 2,1 bilhões em dívidas no final de junho. Desde seu retorno ao mercado de ações, em 2022, a Getty perdeu cerca de 99% de seu valor de mercado. A Bolsa de Nova York iniciou o processo de exclusão das ações da empresa no final de setembro.


Como a Getty chegou a essa situação?


A reestruturação acontece depois de um período de dificuldades financeiras, incluindo os custos de financiamento da dívida e o fracasso da tentativa de fusão com a Shutterstock, anunciada em janeiro de 2025 e avaliada em aproximadamente US$ 3,7 bilhões.


A operação enfrentou restrições regulatórias no Reino Unido, onde autoridades demonstraram preocupação com seus efeitos sobre a concorrência no mercado de imagens.

A empresa também enfrentou despesas jurídicas, incluindo disputas envolvendo inteligência artificial. Segundo documentos financeiros citados pelo PetaPixel, a Getty desembolsou US$ 108 milhões relacionados à tentativa de fusão com a Shutterstock e US$ 17 milhões com processos envolvendo a Stability AI, considerando o período de dezembro de 2024 a junho de 2026.


A crescente concorrência de imagens produzidas por inteligência artificial também integra o cenário de transformação do mercado, embora não seja possível atribuir a crise da Getty exclusivamente a essa tecnologia.


O que acontece com os fotógrafos que vendem imagens pela Getty e iStock?


Em seu comunicado oficial, a Getty afirma que espera manter as atividades comerciais, os contratos e os pagamentos aos colaboradores durante a reestruturação. A companhia contará ainda com até US$ 143 milhões em financiamento adicional para sustentar o processo.


O advogado Thomas Maddrey, diretor-executivo da American Society of Media Photographers (ASMP), analisou o acordo em artigo publicado pelo PetaPixel. Segundo ele, o plano prevê preservar os direitos de determinados credores sem garantia, categoria na qual podem se enquadrar valores devidos a fotógrafos.


Essa previsão, entretanto, ainda depende da implementação do acordo e não representa garantia absoluta de que todos os pagamentos ocorrerão sem atrasos.


Maddrey recomenda que colaboradores da Getty e da iStock guardem seus demonstrativos de royalties, comprovantes de pagamento, contratos, registros das imagens licenciadas e eventuais valores pendentes. Também é importante acompanhar comunicados oficiais e eventuais alterações contratuais.


O processo não significa que os fotógrafos perderão automaticamente seus direitos autorais. A própria Getty informa que os colaboradores mantêm a titularidade de suas obras. Os direitos e obrigações estabelecidos nos contratos de licenciamento e exclusividade, entretanto, continuam relevantes.


Para fotógrafos brasileiros, a identificação da empresa responsável pelo contrato será especialmente importante, já que o processo anunciado deverá envolver determinadas entidades jurídicas da Getty nos Estados Unidos.


A inteligência artificial também entra nessa história


A crise financeira ocorre em um momento de mudanças no próprio modelo de negócios dos bancos de imagens.


Em 10 de outubro, o Digital Camera World destacou uma particularidade da iStock, plataforma pertencente à Getty Images. Embora a empresa promova seu catálogo como composto por imagens criadas por pessoas e não aceite conteúdo produzido com IA generativa por colaboradores, oferece aos compradores ferramentas para modificar fotografias utilizando essa tecnologia.


As políticas tratam de etapas diferentes: a entrada de imagens no catálogo e a edição posterior realizada pelos clientes. Ainda assim, o exemplo demonstra como empresas tradicionais de licenciamento estão incorporando recursos generativos aos seus produtos comerciais.


Essa transformação tecnológica é parte do contexto competitivo do setor, mas deve ser analisada separadamente das causas financeiras documentadas da reestruturação.


O que acontece agora?


A Getty pretende apresentar seu pedido de Chapter 11 nas próximas semanas, com apoio previamente negociado de seus principais grupos de credores. Até o momento do anúncio, a companhia afirma não prever alterações nas operações e nos pagamentos aos colaboradores.


Para fotógrafos e profissionais que dependem de royalties, os próximos passos serão acompanhar a tramitação judicial, conferir pagamentos e verificar eventuais notificações sobre seus contratos.


A reestruturação poderá preservar a operação de uma empresa histórica do mercado fotográfico, mas também evidencia a dimensão das mudanças financeiras e competitivas enfrentadas pelo setor de licenciamento de imagens.


O mercado da fotografia está mudando. E o seu negócio?


A crise da Getty Images é mais um sinal das transformações que atingem o mercado fotográfico.


No Essencial, acompanho essas mudanças, analiso tendências, oportunidades e o impacto da inteligência artificial nos negócios da fotografia. Os participantes também recebem uma leitura individual pelo Mapa R.U.M.O.



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