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Momento R.U.M.O.: A Fujifilm transforma a experiência de fotografar em estratégia global

  • há 11 horas
  • 5 min de leitura

De Nova York a Sydney, Madrid, Barcelona, Porto e Londres, uma sequência de eventos mostra a marca investindo em comunidade, prática e cultura fotográfica. O Brasil já teve um primeiro movimento nessa direção, mas ainda há espaço para muito mais.



A Fujifilm anunciou em 17 de agosto a edição 2026 da FUJIKINA New York. O festival será realizado entre 16 e 18 de outubro, no Lower East Side, com exposições, palestras, workshops, photowalks, análise de portfólios e outras experiências distribuídas por três dias. A edição também será apresentada como parte das comemorações dos 200 anos da fotografia.


O anúncio chama atenção menos pela existência de mais um festival e mais pelo contexto em que ele aparece.



Ao longo de 2026, a FUJIKINA já passou por Copenhague, Madrid, Varsóvia e Arles, enquanto uma nova edição está prevista para setembro em Ghent, na Bélgica. A própria Fujifilm define o evento de Copenhague como um encontro baseado em fotografia, curiosidade e “experiência compartilhada”, aberto inclusive a quem não possui equipamentos da marca.


Não é exatamente uma estratégia nova. A FUJIKINA já passou anteriormente por cidades como Tóquio, Nova York, Berlim, Praga e Milão. O que chama atenção agora é a quantidade de iniciativas que começam a apontar para a mesma direção.


O Dia Mundial da Fotografia virou experiência

A movimentação fica ainda mais evidente nas ações preparadas para o Dia Mundial da Fotografia, celebrado em 19 de agosto (essa quarta).


evento esgotado na Austrália mostra o sucesso deste tipo de iniciativa
evento esgotado na Austrália mostra o sucesso deste tipo de iniciativa

Na Austrália, a Fujifilm transformou uma tendência das redes sociais em uma atividade física. A Colour Hunt, marcada para 22 de agosto em Sydney, começa com workshop, segue pelas ruas da cidade e permite aos participantes experimentar câmeras da marca e imprimir uma das imagens produzidas durante a experiência. A iniciativa nasceu também de uma pesquisa encomendada pela empresa com mil fotógrafos australianos sobre as cores mais fotografadas em 2026. As vagas se esgotaram em apenas dois dias.


Na Espanha, a marca programou photowalks para 19 de agosto em Madrid e Barcelona. Na capital espanhola, a caminhada terá Natalia Garcés, Rodrigo Roher e Nacho Izquierdo. Em Barcelona, Guillem Calatrava conduz uma saída fotográfica pelas tradicionais festas de Gràcia.



Há ainda um detalhe especialmente interessante na campanha espanhola. Entre 10 e 19 de agosto, a Fujifilm promove um sorteio de uma X100VI com o conceito “La mirada no se puede generar”, algo como “o olhar não pode ser gerado”. Para participar, as pessoas devem indicar alguém cujo olhar fotográfico admiram e explicar o motivo.


Em pleno avanço da fotografia sintética e das ferramentas generativas, é uma escolha de linguagem que dificilmente parece casual. A tecnologia continua fazendo parte da fotografia, mas a campanha coloca novamente o valor sobre autoria, intenção e maneira de ver.


Em Porto, Portugal, o photowalk “Porto em Movimento” também acontece em 19 de agosto. A atividade gratuita mistura experimentação com câmeras digitais, Instax e QuickSnap, passeio pela cidade, viagem em um elétrico histórico e encontro ao final do percurso. As vagas já estão esgotadas.



Em Londres, o Dia Mundial da Fotografia será marcado por uma edição do FUJIFILM Lates na House of Photography de Covent Garden, com a fotógrafa de música Aliyah Otchere. A própria série é apresentada pela empresa como um espaço de encontros presenciais entre fotógrafos, entusiastas, colecionadores e pessoas interessadas em fotografia.


Menos megaevento, mais experiências espalhadas

Há outra mudança por trás dessas iniciativas. Grandes feiras e congressos continuam importantes, mas hoje dividem espaço com festivais regionais, encontros de nicho, workshops e eventos menores espalhados por diferentes cidades.


No Brasil, esse movimento já aparece em um calendário bastante pulverizado. A diferença é que marcas como a Fujifilm começam a acrescentar outra camada: não basta levar uma palestra ou montar um estande. A proposta passa por criar uma experiência em torno da fotografia.


Photowalks, empréstimo de equipamentos, desafios, impressão de imagens e contato com outros fotógrafos transformam o público de espectador em participante. Há equipamentos em praticamente todas essas ações, mas eles aparecem dentro de uma experiência maior.


A câmera continua sendo produto. Mas fotografar passa a ser parte do produto também.


Um exemplo recente veio das Filipinas, onde a Fujifilm realizou em 15 de agosto um Photo & Video Walk simultâneo em 35 cidades, como parte das comemorações do Dia Mundial da Fotografia. A lógica é interessante: em vez de concentrar toda a experiência em um único grande evento, a marca se aproxima das comunidades onde elas já existem.


O Brasil também começou a experimentar esse formato. Em 21 de julho, São Paulo recebeu o primeiro Fujifilm X Day, com photowalk, palestras, demonstrações e atividades práticas com equipamentos da marca.


O contraste com outros mercados, portanto, não está na ausência desse tipo de iniciativa por aqui, mas principalmente na escala e na continuidade. Até 18 de agosto, a Fujifilm também não havia divulgado no Brasil uma programação específica para o Dia Mundial da Fotografia semelhante às ações anunciadas em outros países.


O Brasil já tem congressos, festivais e encontros de fotografia espalhados pelo país. Talvez a próxima oportunidade para fabricantes esteja justamente em participar mais desse ecossistema com experiências próprias e recorrentes.


Não é necessariamente o fim do grande evento. É a expansão de um modelo em que ir a um encontro de fotografia significa cada vez menos apenas assistir e cada vez mais fotografar, testar e participar.


O contraste aparece na escala e na continuidade. Enquanto outros mercados recebem Houses of Photography, festivais de vários dias e uma agenda frequente de encontros culturais, ainda existe espaço para que esse tipo de iniciativa ganhe mais presença no Brasil.

Seria especialmente interessante ver isso acontecer em um país com uma comunidade fotográfica tão grande, diversa e espalhada por diferentes regiões.


Não apenas mais lançamentos. Mais ocasiões para viver fotografia.


O aprendizado também serve para quem vive de fotografia

Existe uma tradução possível dessa estratégia para negócios muito menores.

Um fotógrafo não precisa organizar uma FUJIKINA. Mas pode pensar além da comunicação convencional sobre ensaios, pacotes e preços. Um encontro, uma pequena experiência impressa, um projeto presencial, uma sessão com participação do cliente, uma exposição, um photowalk ou outra forma de aproximar pessoas da fotografia pode criar um tipo diferente de valor.


A Fujifilm parece estar entendendo que, depois de vender a câmera, existe outra coisa importante para vender: a vontade de continuar fotografando.

E talvez essa seja uma das ideias mais interessantes para quem está tentando construir um negócio de fotografia em 2026.


Mapa R.U.M.O. Presencial | São Paulo

No dia 1º de setembro, o Mapa R.U.M.O. Presencial será um dia de trabalho estratégico para fotógrafos que querem rever posicionamento, valor, oferta, preço e os próximos passos do negócio. A proposta é sair do encontro com decisões concretas e um plano de ação para os próximos 30 a 90 dias.

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