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Frame IA: assistentes na edição, novas regras para as imagens

há 1 hora
4 min de leitura

Imagen incorpora comandos de texto à pós-produção, Google atualiza permissões de uso de dados e uma lei americana exige transparência em determinadas publicidades com IA



Um fotógrafo escreve “encontre as fotos da noiva” e o programa procura na galeria. Depois, pede redução de ruído apenas nas imagens feitas acima de ISO 2000. O assistente executa a tarefa usando as ferramentas de edição disponíveis.


Essa é uma das propostas do Imagen Intelligent Studio. Enquanto a inteligência artificial assume novas etapas da pós-produção, outros movimentos colocam em discussão o acesso aos arquivos e a responsabilidade pelas imagens que chegam ao público.

Nesta edição do Frame IA, quatro acontecimentos ajudam a observar essas mudanças e suas consequências para quem trabalha com fotografia.


Imagen: um assistente dentro da pós-produção



O Imagen começou a liberar o Intelligent Studio em beta no dia 29 de setembro, de forma gradual. A atualização reúne seleção, edição, revisão e exportação no mesmo projeto, com um assistente que recebe instruções escritas para encontrar fotografias e executar ações.


Entre os exemplos apresentados pela empresa estão localizar imagens da noiva, aplicar redução de ruído conforme o ISO e criar versões em preto e branco apenas das fotografias da cerimônia. A proposta permite combinar busca e ajustes sem repetir manualmente cada etapa pela galeria.


Há limites. Segundo a documentação publicada em outubro, o assistente ainda não aceita comandos por voz nem posiciona máscaras em pontos específicos da imagem. Pedidos concretos tendem a funcionar melhor que instruções subjetivas, cuja interpretação pode variar entre profissionais.


Para quem entrega centenas ou milhares de fotografias, o interesse está no tempo dedicado à procura de arquivos e à repetição de ajustes. O ganho precisa ser avaliado no trabalho real, considerando a precisão das respostas e o esforço necessário para conferir o resultado.


Quando uma imagem promete o que o produto não entrega


Imagine uma fotografia de hotel que recebe uma vista para o mar por inteligência artificial. O resultado convence, mas a janela daquele quarto dá para outro prédio.



O exemplo é hipotético. A discussão ganhou uma legislação específica na Pensilvânia, nos Estados Unidos. Sancionada em 22 de outubro, a Artificial Intelligence Deceptive Advertising Act exige identificação quando uma publicidade utiliza conteúdo sintético para criar uma percepção falsa sobre a natureza, origem ou autenticidade dos produtos e serviços anunciados. A vigência começa 60 dias depois, em 21 de dezembro.


A exigência tem um recorte. O texto prevê exceções para conteúdo evidentemente ficcional, paródia, sátira, comentário, crítica e materiais exclusivamente textuais. Também estabelece que informar o uso de IA não elimina outras possibilidades de responsabilização.


A lei não cria uma obrigação geral para fotógrafos brasileiros. Ainda assim, interessa à fotografia comercial porque explicita uma questão presente na produção: alterações na imagem podem mudar a percepção do tamanho de um ambiente, dos ingredientes de um prato ou do acabamento de um produto.


Na avaliação editorial do Frame IA, esse é um ponto que merece entrar na conversa com o cliente antes da entrega. A aprovação estética da peça precisa considerar também aquilo que o consumidor entenderá como característica real da oferta.


Google muda condições de uso de dados em anúncios


A política de privacidade do Google, vigente desde 16 de outubro, passou a incluir uma exceção à restrição de usar conteúdos do Gmail, Drive e Google Fotos para personalizar anúncios.



A exceção se aplica quando o usuário escolhe disponibilizar dados desses serviços a outros serviços do Google que oferecem publicidade personalizada. O documento cita conexões com a Pesquisa e o Gemini e explica que a Pesquisa pode processar dados autorizados para personalizar conteúdos, incluindo anúncios.


O Google mantém restrições à personalização por categorias sensíveis, como saúde e religião, e afirma que não compartilha com anunciantes informações que identificam pessoalmente o usuário, como nome e e-mail, sem solicitação. A atualização não significa que todas as fotografias privadas passaram automaticamente a ser usadas em publicidade.


Para fotógrafos que concentram imagens, propostas e documentos profissionais nesses serviços, a mudança recomenda atenção às conexões autorizadas. Armazenar um arquivo e permitir que outro serviço processe suas informações envolvem finalidades diferentes.


Meta adia termos após reação de editores e anunciantes


A Meta transferiu de 30 de outubro para 20 de novembro a entrada em vigor de novos termos comerciais. O adiamento ocorreu após questionamentos de editores e anunciantes sobre possíveis permissões amplas de utilização de conteúdos de sites em serviços de inteligência artificial.



A empresa rejeita essa interpretação, afirma que suas práticas de rastreamento não estão sendo ampliadas e diz que usará o prazo adicional para explicar as mudanças.

A controvérsia merece acompanhamento por profissionais que mantêm portfólios próprios e utilizam as plataformas da Meta comercialmente. O adiamento mantém a discussão aberta. Não permite concluir que a empresa passou a ter direitos irrestritos sobre todas as fotografias desses sites.


O que essas mudanças levam para o trabalho


O Imagen mostra uma aplicação da IA na organização e na edição de fotografias. Os casos de Google, Meta e Pensilvânia tratam de outras frentes: permissões de processamento, acesso a conteúdo e representação de produtos.


São decisões que aparecem em momentos concretos da rotina. Ao conectar um acervo a um serviço, vale entender o processamento autorizado. Ao alterar uma imagem comercial, é preciso avaliar se ela preserva as características da oferta. Ao adotar um assistente, o tempo economizado deve ser considerado junto com a revisão necessária.


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