top of page

A foto ficou perfeita. Por que o cliente desconfia?

há 15 horas
3 min de leitura

Pesquisa global investiga a percepção sobre publicidade com IA. Os resultados australianos abrem uma discussão sobre confiança e como fotógrafos podem comunicar o valor do seu trabalho



Um produto pode existir e, ainda assim, parecer inventado na imagem que deveria ajudar a vendê-lo. Esse foi um dos resultados de uma pesquisa global da Auros.ai, divulgada pela Dynamic Business, que ouviu 4 mil adultos, incluindo mil australianos.


No teste apresentado pela reportagem, apenas 8% dos participantes australianos identificaram corretamente como real um tapete com efeito visual de cachoeira cuja imagem havia sido aprimorada com IA. Outros 74% acreditaram que o produto era totalmente gerado por inteligência artificial.


O resultado levanta uma questão para marcas, lojas e fotógrafos: além de chamar atenção, a imagem ajuda o comprador a confiar no que está vendo?


Quando até o produto verdadeiro parece falso


Os participantes avaliaram seis imagens, entre produtos reais, produtos reais com imagens aprimoradas por IA e produtos inteiramente gerados.


Uma caneca real com formato de motor de carro, apresentada com aprimoramento por IA, foi reconhecida como verdadeira por apenas 20% dos australianos. Já 62% acreditaram que ela havia sido inteiramente gerada.


A dúvida apareceu também em um anúncio de roupa de cama real: 37% identificaram corretamente sua origem, enquanto 40% o classificaram como gerado por IA.


Esses exemplos mostram uma dificuldade de distinguir as categorias nas imagens selecionadas para o teste. Também sugerem um problema para quem vende produtos verdadeiros: a aparência da publicidade pode provocar suspeita sobre a própria existência do que está sendo oferecido.


A desconfiança chega à intenção de compra


No recorte australiano, 59% disseram desconfiar de que produtos anunciados com uso de IA correspondam à descrição. Outros 44% afirmaram ter menor disposição para comprar quando sabem que a publicidade utilizou a tecnologia.


A pesquisa também encontrou diferenças na aceitação dos usos. Enquanto 35% disseram não considerar aceitável nenhum uso de IA por uma loja online, 30% aceitaram sua aplicação para visualizar produtos em casa e 23% para gerar fundos em imagens de produtos reais.


São percepções e intenções declaradas pelos entrevistados. Os números apresentados pela reportagem não medem uma queda efetiva de vendas nem permitem concluir que consumidores brasileiros responderiam da mesma maneira.


Ainda assim, colocam a confiança entre os critérios que uma marca deve avaliar ao escolher como apresentar seus produtos.


Onde a fotografia pode demonstrar seu valor


Para o fotógrafo, esses resultados oferecem uma oportunidade de explicar melhor as decisões envolvidas na produção de imagens.


Uma fotografia feita com câmera também pode alterar a percepção de tamanho, esconder um acabamento ou apresentar uma cor distante daquela que o comprador encontrará. A origem da imagem, sozinha, não garante fidelidade.


O argumento profissional ganha força quando o fotógrafo mostra como trabalha para representar o produto: quais detalhes registra, como apresenta suas proporções e quais cuidados adota com iluminação, cor e tratamento.


Uma pessoa interessada em uma bolsa pode querer conferir a textura, o espaço interno, o tamanho no corpo e o acabamento das alças. Quem compra uma peça de roupa pode buscar informações sobre caimento, transparência e costuras. Uma sequência bem planejada pode responder a essas dúvidas.


É nesse trabalho que o fotógrafo pode tornar sua contribuição mais visível para o contratante.


Como mostrar esse cuidado ao cliente


No portfólio, vale apresentar projetos com contexto. Ao lado das imagens, uma explicação breve pode indicar o problema enfrentado e as escolhas feitas para mostrar materiais, escala ou variações do produto.


Os bastidores também podem ajudar quando permitem relacionar o objeto fotografado ao resultado entregue. Mostrar uma peça, sua preparação e a imagem final dá ao cliente elementos para compreender o processo.


Na proposta comercial, esse cuidado pode aparecer na descrição do serviço. Além da quantidade de arquivos, é possível indicar quais características serão documentadas, os ângulos previstos e os critérios de consistência entre as peças do catálogo.


Em vez de depender apenas de expressões amplas, como “valorizar sua marca”, o fotógrafo pode explicar uma entrega concreta: produzir imagens que apresentem textura, acabamento e proporções, preservando as características do produto.


Resultados como aumento de vendas ou redução de devoluções precisam ser acompanhados com dados do negócio. Já os critérios de produção podem ser apresentados e demonstrados desde a primeira conversa.


Seu cliente percebe o valor do que você entrega?


A discussão sobre imagens com IA também alcança o posicionamento de quem fotografa. Se o trabalho envolve decisões que ajudam a apresentar um produto com fidelidade, essas decisões merecem espaço no portfólio, na proposta e na comunicação profissional.


No R.U.M.O., analiso seu trabalho e seu momento profissional para identificar prioridades e orientar ajustes na oferta, no posicionamento e na maneira de apresentar o que você entrega. A orientação inclui análise prévia dos materiais, conversa individual e relatório personalizado.




Comentários


CONTATO

São Paulo, SP

  • Canal de Notícias no Insta
  • Telegram
  • logo-whatsapp-fundo-transparente-icon
  • Youtube
  • Preto Ícone Instagram
  • Preto Ícone Spotify
  • Preto Ícone Facebook

© 2026 - Leo Saldanha. 

bottom of page