Da fotografia analógica à inteligência artificial: três encontros para pensar imagem, criação e futuro no Sesc Pinheiros
- 30 de jul.
- 5 min de leitura
Em agosto, uma programação especial reúne história da fotografia, inteligência artificial, mercado, experimentação e fotografia de cena. Participo de duas atividades ao lado de Roger Sassaki e Alice Yura.

A fotografia sempre mudou junto com suas ferramentas.
Mudaram os materiais, os processos de revelação, as câmeras, os suportes, a circulação das imagens e a maneira como fotógrafos constroem seus trabalhos. Agora, com a inteligência artificial, surge uma nova camada dessa transformação.
O debate costuma ficar preso aos extremos. De um lado, o entusiasmo com tudo o que a tecnologia promete. Do outro, o receio de que ela retire da fotografia sua identidade, sua autoria ou seu valor profissional.
Entre esses polos existe um território mais interessante: compreender de onde viemos, observar o que está mudando e experimentar novas possibilidades sem abandonar repertório, intenção e responsabilidade.
Essa será a proposta de uma programação dedicada à fotografia no Espaço de Tecnologias e Artes do Sesc Pinheiros, em São Paulo. Em agosto, atividades conduzidas por Roger Sassaki, Alice Yura, Jamil Kubruk e por mim atravessam diferentes dimensões da imagem, do processo analógico à IA, passando por criação, mercado e fotografia de cena.
Participarei de dois encontros: uma mesa sobre o futuro da fotografia e a segunda parte de
uma oficina que percorre as transformações técnicas e culturais do meio.
Um percurso do analógico à inteligência artificial
A oficina Fotografia: do Analógico à Inteligência Artificial acontece em dois encontros, nos dias 11 e 13 de agosto, das 19h às 21h.

A proposta é percorrer a história da fotografia relacionando processos analógicos, fotografia digital e os impactos recentes da inteligência artificial. O interesse não está apenas em apresentar uma sucessão de tecnologias, mas em compreender como cada mudança alterou a criação, a prática profissional e a nossa relação com as imagens.
No primeiro encontro, em 11 de agosto, Roger Sassaki conduz uma aproximação com a fotografia analógica, seus processos, sua materialidade e sua importância para a construção do olhar fotográfico.
No dia 13, conduzo a segunda parte da atividade, avançando da transformação digital para o cenário atual da inteligência artificial.
Quero tratar a IA menos como um pacote de ferramentas e mais como uma mudança que exige decisões. O que vale automatizar? O que precisa continuar sob controle do fotógrafo? Como usar novos recursos sem transformar todos os trabalhos na mesma estética? Onde entram autoria, repertório, ética, posicionamento e valor profissional?
Também será uma oportunidade para observar aplicações práticas e discutir o que essas tecnologias já estão alterando no cotidiano de quem trabalha com fotografia.
A fotografia diante de uma nova mudança de época
No dia 12 de agosto, às 19h, participo da mesa Pioneirismo e Futuro: IA e a Nova Era da Fotografia, ao lado de Roger Sassaki, com mediação de Alice Yura.

A conversa parte dos caminhos que a fotografia vem tomando diante das novas tecnologias. A inteligência artificial aparece não como destino inevitável ou solução para tudo, mas como parte de um processo histórico mais amplo de transformação da imagem.
Roger traz uma trajetória ligada à fotografia analógica, à preservação de processos e à educação fotográfica. Minha contribuição estará mais próxima das mudanças recentes no mercado, nos modelos de negócio, na produção visual e na maneira como fotógrafos podem se posicionar diante da IA.
Essa combinação é especialmente potente porque evita tratar passado e futuro como adversários.
O analógico não desapareceu com o digital. O digital também não eliminou a necessidade de repertório, escolha e intenção. Da mesma forma, a inteligência artificial não encerra a fotografia, mas muda parte das perguntas que fotógrafos, clientes, instituições e público precisarão responder.
Entre elas:
Quem cria quando uma imagem passa por diferentes sistemas?
O que ainda diferencia um fotógrafo em um cenário de produção visual abundante?
Como preservar confiança e autoria?
Quais trabalhos serão valorizados justamente por sua relação com o real?
E como a tecnologia pode ampliar a capacidade do fotógrafo sem reduzir sua identidade?
Não será uma conversa voltada apenas a especialistas em IA. Ela interessa a quem fotografa, ensina, pesquisa, produz cultura, trabalha com imagem ou tenta compreender o que está acontecendo com a profissão.
Fotografar aquilo que acontece entre um gesto e outro
A programação também se amplia para outra dimensão da fotografia: a relação com o corpo, o palco e o movimento.

No dia 29 de agosto, às 15h, Jamil Kubruk conduz a oficina Fotografia de Cena: Captando a Poesia em Movimento. A atividade tem duração prevista de quatro horas e propõe uma aproximação prática com a fotografia de espetáculos e ações cênicas.
Fotografar uma cena exige mais do que acompanhar algo que acontece diante da câmera. É necessário perceber ritmo, luz, deslocamento, expressão e dramaturgia. O fotógrafo não controla completamente o que acontece, mas precisa antecipar momentos e transformar movimento em imagem.
A presença dessa oficina é importante porque amplia a discussão para além da tecnologia. Enquanto os outros encontros observam as mudanças históricas e a chegada da IA, a fotografia de cena recoloca no centro competências essencialmente humanas: atenção, sensibilidade, leitura do espaço e capacidade de escolher o instante.
Três atividades, uma discussão maior
Embora sejam propostas diferentes, os encontros compartilham uma questão central: como a fotografia se transforma sem perder sua capacidade de produzir significado?
A oficina sobre o analógico e a IA apresenta uma linha histórica.
A mesa coloca diferentes gerações, experiências e visões em diálogo.
A fotografia de cena leva a discussão novamente para o corpo, a prática e a observação do mundo em movimento.
Juntas, as atividades ajudam a evitar uma visão estreita da fotografia contemporânea.
O futuro da imagem não será construído apenas por novos equipamentos ou modelos de inteligência artificial. Ele também dependerá de memória, repertório, educação, experimentação e da capacidade dos fotógrafos de compreenderem o próprio valor.
Por isso, considero especialmente significativo participar dessa programação no Sesc Pinheiros. Mais do que ensinar ferramentas, será uma oportunidade para reunir pessoas em torno de perguntas que ainda estão abertas.
E talvez esse seja um dos melhores papéis que um espaço dedicado à fotografia pode cumprir agora: aproximar técnicas, gerações e pontos de vista para pensar coletivamente o que está mudando.
Programação
Fotografia: do Analógico à Inteligência Artificial11 e 13 de agosto de 2026, terça e quinta-feiraDas 19h às 21hCom Roger Sassaki e Leo SaldanhaSesc Pinheiros — Espaço de Tecnologias e Artes
Pioneirismo e Futuro: IA e a Nova Era da Fotografia12 de agosto de 2026, quarta-feiraÀs 19hCom Roger Sassaki e Leo SaldanhaMediação de Alice YuraSesc Pinheiros — Espaço de Tecnologias e Artes
Fotografia de Cena: Captando a Poesia em Movimento29 de agosto de 2026, sábadoÀs 15hCom Jamil KubrukSesc Pinheiros
O Sesc Pinheiros fica na Rua Paes Leme, 195, em Pinheiros, São Paulo. As condições de participação, disponibilidade de vagas e formas de inscrição devem ser verificadas diretamente nas páginas oficiais das atividades.




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