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Frame IA - A próxima lembrança de viagem talvez não seja uma foto. Será uma cena gerada por IA

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A notícia vem da China, mas fala muito sobre o futuro da fotografia.


Frame IA | Leo Saldanha


A Huawei anunciou que o BoGuan, apresentado como o primeiro grande modelo multimodal comercial voltado ao turismo cultural, entrou em aplicação ampla em Xi’an. O modelo foi criado para trabalhar com patrimônio cultural, turismo, produção audiovisual curta, personagens digitais e experiências interativas.


Até aqui, poderia parecer apenas mais um anúncio de IA corporativa.


Mas existe um detalhe importante para quem vive de imagem: entre as aplicações está um serviço de fotografia com IA. O visitante tira uma foto e o sistema integra essa pessoa a cenas históricas geradas artificialmente. Em vez de levar para casa apenas o registro diante de um monumento, ele leva uma versão encenada, histórica, personalizada e pronta para circular nas redes.



Edric Chu, Gerente Geral do Escritório de Representantes da Huawei em Shaanxi, fazendo um discurso
Edric Chu, Gerente Geral do Escritório de Representantes da Huawei em Shaanxi, fazendo um discurso


A fotografia turística sempre vendeu memória. A diferença é que agora essa memória pode ser reconstruída, dramatizada e empacotada como experiência digital instantânea.


Não se trata apenas de “tirar uma foto”. Trata-se de transformar arquivo cultural, cenário, personagem, história local e imagem pessoal em produto. A foto vira entrada para uma narrativa.


É aqui que a notícia importa para fotógrafos.


Até a chegada da IA generativa, a fotografia profissional se apoiou na ideia de registro. Eu estava lá. Minha família estava lá. Meu filho viveu aquilo. Meu casamento aconteceu assim. Meu produto existia daquele jeito.


Um visitante experimenta o aplicativo de fotografia com IA alimentado pela BoGuan
Um visitante experimenta o aplicativo de fotografia com IA alimentado pela BoGuan


A IA não elimina essa função. Mas começa a disputar uma parte dela com outro tipo de promessa: não apenas mostrar o que aconteceu, mas criar uma versão mais simbólica, mais cinematográfica, mais compartilhável e, muitas vezes, mais vendável.


No caso de Xi’an, isso aparece no turismo cultural. Mas a lógica pode chegar a museus, parques, hotéis, eventos, escolas, aniversários, casamentos, cidades históricas, estúdios infantis e experiências de marca.


A pergunta para fotógrafos não é “isso é fotografia de verdade?”.


A pergunta melhor é: que tipo de experiência visual o cliente vai começar a esperar depois que se acostumar com esse tipo de produto?


Porque o consumidor não separa tecnologia, memória e entretenimento do mesmo jeito que o mercado separa. Para ele, uma imagem boa pode ser lembrança, brincadeira, status, presente, conteúdo e experiência ao mesmo tempo.


É por isso que a notícia é maior do que parece.


O BoGuan mostra uma tendência: a IA deixa de ser apenas ferramenta de edição ou geração de imagem e começa a virar infraestrutura de produto. Ela organiza acervo, cria narrativa, personaliza a entrega, conecta com compra, turismo, vídeo, rede social e experiência presencial.


Para o fotógrafo, o risco não está apenas em uma ferramenta fazer uma imagem bonita.


O risco está em outros setores entenderem antes que imagem não é só imagem. Imagem é interface, lembrança, prova, fantasia, pertencimento, consumo e narrativa.


E talvez seja aí que esteja a oportunidade também.


Fotógrafos que entenderem IA apenas como atalho para editar mais rápido vão ganhar eficiência. Mas fotógrafos que entenderem IA como camada de produto podem criar novas formas de vender experiência, presença e memória.


A próxima lembrança de viagem talvez não seja uma foto comum.


Pode ser uma cena.


E quem trabalha com fotografia precisa prestar atenção nisso. Mostrar o valor do real e como é percebido no mercado. Isso, mais do que nunca, virou questão estratégica.


Se esse texto acendeu uma pergunta sobre o que você vende além da imagem, é exatamente esse o ponto do Desafio R.U.M.O.


São cinco dias no WhatsApp para revisar posicionamento, oferta e percepção de valor na fotografia.


Não é sobre postar mais.

É sobre entender melhor o que o cliente percebe quando olha para o seu trabalho.


Entradas abertas até segunda, 6 de julho.

R$97.


Saiba mais aqui: Encare o Desafio RUMO

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