Da Catedral de Brasília à Gameleira amazônica: três histórias recentes mostram a força plural da fotografia brasileira
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De um finalista brasileiro no maior prêmio internacional da fotografia a um projeto viral inspirado na Rocinha e a um documentário sobre um dos maiores cronistas visuais do Centro-Oeste, três acontecimentos recentes revelam como a fotografia brasileira continua expandindo linguagem, território e memória.

Reconhecimento internacional: Ramatis Costa entre os finalistas do Sony World Photography Awards
O fotógrafo alagoano Ramatis Costa, de Maceió, foi selecionado para a shortlist do Sony World Photography Awards, um dos mais importantes concursos de fotografia do mundo. Ele concorre na categoria Arquitetura com uma imagem em preto e branco do campanário da Catedral Metropolitana de Brasília, projetada por Oscar Niemeyer.
A fotografia destaca a geometria e a presença escultórica da torre de 20 metros ao lado do templo principal. Segundo o autor, o registro foi resultado de espera e observação: a abertura das nuvens, a incidência ideal do sol e a dispersão dos turistas permitiram a construção da composição.
A shortlist do prêmio reúne imagens selecionadas entre centenas de milhares de inscrições globais e costuma representar um salto relevante de visibilidade internacional, incluindo exposições, publicação em anuário e difusão nas plataformas da World Photography Organisation.
Linguagem contemporânea e cultura visual: da Rocinha à Amazônia
No outro extremo do país, um projeto de linguagem popular mostra como referências visuais circulam e se reinventam regionalmente. Inspirado nos vídeos virais gravados em lajes da Rocinha, no Rio de Janeiro, o fotógrafo de eventos James Pequeno decidiu recriar o conceito em Rio Branco, no Acre.
O cenário escolhido foi o Calçadão da Gameleira, cartão-postal da capital acreana. As imagens, registradas pelo jornalista Walcimar Junior, reinterpretam o imaginário da “laje” carioca com elementos locais, incluindo o rio, a bandeira e objetos cotidianos regionais.
A proposta evidencia um fenômeno cada vez mais visível na fotografia contemporânea: a circulação de códigos visuais entre territórios e sua adaptação cultural, mostrando que estética e narrativa não dependem de centros tradicionais de produção.
Memória e patrimônio: o legado de Roberto Higa
Enquanto novas linguagens surgem, a fotografia brasileira também revisita seus próprios arquivos. Em Campo Grande, estreia o documentário “A Campo Grande de Roberto Higa”, que resgata a trajetória de um dos principais repórteres fotográficos de Mato Grosso do Sul.
Com cerca de 30 minutos, o filme percorre décadas de registros que documentaram a expansão urbana e social da capital, da chegada da família japonesa do fotógrafo ao Estado às transformações que levaram a cidade de 100 mil a quase 1 milhão de habitantes.
Higa construiu um dos maiores acervos visuais regionais do país, registrando desde autoridades e obras estruturantes até comunidades periféricas, povos indígenas e trabalhadores.
O documentário, dirigido por Israel Miranda e Marineti Pinheiro, foi viabilizado pela Lei Paulo Gustavo.
Três sinais de um mesmo cenário
Juntas, as três histórias recentes mostram camadas complementares da fotografia brasileira contemporânea:
presença internacional crescente
experimentação estética fora dos grandes centros
valorização de acervos e memória regional
Entre prêmios globais, criatividade territorial e preservação histórica, a fotografia no Brasil segue se expandindo não apenas em visibilidade, mas em diversidade de narrativas e geografias.
Entender o presente da fotografia exige olhar simultaneamente para mercado global, produção local e legado histórico, três dimensões que orientam decisões de carreira hoje.
Essas leituras fazem parte do propósito e missão nos conteúdos e encontros da comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto.



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