O que estou lendo: A fotografia brasileira entre memória, invenção e permanência
- há 23 horas
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Um fotolivro nascido da pandemia, pássaros transformados em música, a lembrança de Maradona, o legado visual de Campinas e uma loja consumida pelo fogo mostram as diferentes maneiras pelas quais a fotografia atravessa a vida brasileira

A fotografia brasileira apareceu nos últimos dias em histórias muito diferentes entre si. Está nas ruas vazias e imprevisíveis da pandemia, em uma cena de pássaros que acabou transformada em música, na lembrança de uma Copa do Mundo, na documentação das mudanças de uma cidade e até na perda de uma loja tradicional atingida por um incêndio.
Juntas, essas notícias ajudam a lembrar que a fotografia não existe apenas como imagem final. Ela registra, preserva, provoca encontros e, às vezes, torna-se o último vestígio de lugares, épocas e acontecimentos que já não podem ser repetidos.
O lirismo encontrado nas ruas durante a pandemia
Em Vida que segue, Maneco Magnesio Guimarães transforma suas caminhadas durante a pandemia em um fotolivro sobre a estranheza daquele período.

Premiado em Paris, o fotógrafo voltou sua câmera para cenas urbanas marcadas pelo vazio, pelo improviso e pelas contradições do cotidiano. Em vez de produzir somente um documento literal da crise sanitária, procurou encontrar alguma forma de lirismo no caos.
O trabalho mostra uma característica importante da fotografia de rua: acontecimentos aparentemente banais podem adquirir outro significado quando retirados do fluxo diário e organizados em sequência. O fotolivro permite justamente essa segunda leitura, na qual imagens independentes passam a construir uma narrativa sobre um tempo coletivo.
Quando pássaros pousados nos fios viram música
Uma cena de pássaros distribuídos sobre fios elétricos deu origem a uma experiência que aproximou fotografia e música.
A disposição das aves foi interpretada como uma sequência de notas musicais. A imagem deixou de funcionar apenas como registro e passou a servir de estrutura para uma composição.
A história mostra como uma fotografia pode ultrapassar sua linguagem original. A imagem não apareceu apenas para ilustrar uma música. Ela ajudou a criá-la. Leia mais
A oportunidade que colocou Maradona diante da câmera
Durante a final da Copa do Mundo de 1986, no Estádio Azteca, o fotógrafo paranaense Sérgio Sade conseguiu chegar a uma posição privilegiada graças a uma combinação de relacionamento, atenção e improviso.
Sem um dos coletes destinados aos profissionais que trabalhariam próximos ao campo, Sade encontrou uma alternativa na tribuna de honra. A posição parecia ruim para fotografar a partida, mas se tornou decisiva depois do apito final.
Após receber a taça, Diego Maradona subiu justamente até o local onde o fotógrafo estava. O registro acabou publicado na capa da revista Placar.
A história desmonta um pouco a ideia de que uma imagem histórica nasce somente de domínio técnico ou sorte. Ela também depende de leitura do ambiente, repertório profissional e capacidade de agir quando o planejamento deixa de funcionar. Leia mais
V-8 e a memória visual das transformações de Campinas
Aristides Pedro da Silva, conhecido como V-8, não apenas fotografou Campinas. Ele ajudou a preservar aquilo que a cidade estava apagando.
Entre as décadas de 1950 e 1970, acompanhou demolições, mudanças urbanas, o desaparecimento de edifícios e a despedida dos bondes. Também recolheu fotografias e negativos antigos que poderiam ter sido descartados.
Seu trabalho ajuda a compreender uma função muitas vezes subestimada da fotografia comercial e documental. O fotógrafo que registra o cotidiano de uma cidade pode estar construindo, mesmo sem saber, um dos principais arquivos históricos daquela comunidade. Leia mais
Uma loja de fotografia destruída pelo fogo
A memória fotográfica de Campinas também apareceu de maneira dolorosa nesta semana.
Na madrugada de 13 de julho, um incêndio destruiu uma loja de fotografia localizada no Centro da cidade. O fogo mobilizou o Corpo de Bombeiros e um condomínio vizinho precisou ser evacuado preventivamente.
Uma loja de fotografia não guarda apenas equipamentos e mercadorias. Dependendo de sua história, pode reunir negativos, ampliações, documentos, máquinas, encomendas e fragmentos da memória de inúmeras famílias.
Ainda é cedo para dimensionar exatamente o que foi perdido. A ocorrência, contudo, reforça a fragilidade dos acervos físicos e a importância da digitalização, da organização, das cópias de segurança e de planos mínimos de preservação.
Memória também exige infraestrutura. Leia mais
Uma fotografia brasileira feita de muitas fotografias
Essas histórias não formam um retrato completo do país. Nenhuma seleção conseguiria fazer isso. Mas revelam algumas das forças que continuam presentes na fotografia brasileira.
Na agenda da fotografia
Mobile Photo Festival chega ao MIS
A premiação e a abertura da exposição do Mobile Photo Festival 2026 acontecem em 17 de julho, às 19h, no MIS, em São Paulo. Leia mais

Organizada pela Mobgraphia, a mostra apresenta os trabalhos finalistas da 13ª edição do festival e reforça a consolidação da fotografia produzida com celulares como linguagem autoral, documental e experimental. A entrada é gratuita, com retirada de ingresso no local.
Workshop discute IA, criação e valor profissional
No dia 8 de agosto, o Foto Cine Clube Bandeirante recebe o workshop presencial IA na Fotografia: criação, mercado e valor profissional em 2026, conduzido por Leo Saldanha.
O encontro propõe um dia de discussão prática sobre criação visual, comunicação, posicionamento e negócio fotográfico. A abordagem não será centrada em uma sequência de ferramentas, mas nas escolhas necessárias para integrar a inteligência artificial ao trabalho sem perder identidade e a sua marca. Leia mais

O workshop acontece das 10h às 17h, em São Paulo, com turma limitada.
O que essas histórias dizem sobre o seu trabalho?
Observar o mercado não significa apenas acompanhar equipamentos, tendências ou novas ferramentas. Também significa perceber como a fotografia cria memória, ocupa espaços, cruza outras linguagens e continua encontrando valor em contextos muito diferentes.
O Mapa R.U.M.O. é uma leitura estratégica individual para fotógrafos que querem entender melhor o próprio momento, identificar forças pouco visíveis e tomar decisões mais claras sobre posicionamento, comunicação e negócio.
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