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Uma sessão, três clientes: como uma fotógrafa em Londres compartilhou os custos de uma produção de arquitetura

há 10 minutos
3 min de leitura

Em um projeto residencial britânico, a fotógrafa Alicja Korbinska organizou uma única sessão para três empresas. O caso mostra outra maneira de contratar, produzir e licenciar fotografias



Uma obra residencial reúne diferentes profissionais. Arquitetos, designers de interiores, construtoras e fornecedores participam do resultado. Quando chega o momento de fotografar, porém, muitas vezes apenas uma empresa assume a contratação.


A fotógrafa Alicja Korbinska, especializada em arquitetura e interiores em Londres, apresenta uma alternativa: dividir o investimento na produção entre as empresas que precisam das imagens.


O modelo é conhecido como cost-sharing, ou compartilhamento de custos.

Em outubro de 2025, Alicja publicou um estudo de caso mostrando como aplicou essa estrutura em uma residência reformada em Parsons Green, no bairro de Fulham, em Londres.


Uma casa, três interessados nas fotografias



A reforma envolveu ampliação dos espaços, melhorias na entrada de luz natural e novos ambientes internos.


A produção fotográfica foi organizada para atender três participantes: The Roomologist, Icon Architects e Lowndes Lumb.


Embora todos estivessem ligados ao mesmo imóvel, cada empresa precisava destacar aspectos diferentes do projeto.


Para o escritório de arquitetura, interessavam a estrutura, a distribuição dos ambientes e as soluções de iluminação natural.


Para a empresa de interiores, os materiais, os acabamentos e a atmosfera dos espaços.

Outros participantes também precisavam documentar suas contribuições à obra.

Em vez de realizar sessões independentes, Alicja organizou uma produção compartilhada. Os participantes dividiram os custos e receberam galerias de imagens adaptadas às respectivas necessidades.


A solução também reduziu a movimentação na residência, evitando que a família precisasse receber diferentes equipes fotográficas.


Como funciona o compartilhamento de custos



No modelo apresentado pela fotógrafa, o processo normalmente começa com um cliente interessado em documentar a obra.


Antes da sessão, são identificadas outras empresas que poderiam utilizar profissionalmente as fotografias.


A entrada de novos participantes amplia o valor global do trabalho, porque mais empresas passam a receber autorização de uso das imagens. Ao mesmo tempo, o investimento é distribuído entre os contratantes.


Alicja apresenta um exemplo ilustrativo: uma produção inicialmente orçada em £ 1.000 poderia passar a £ 1.600 com a entrada de dois participantes adicionais. Dividido igualmente, o investimento seria de aproximadamente £ 533 por empresa.


Os valores servem para explicar o funcionamento do modelo. Não representam necessariamente o orçamento realizado no projeto de Parsons Green.


Outro aspecto importante está no licenciamento. Compartilhar a produção não significa que qualquer fornecedor envolvido na obra esteja automaticamente autorizado a utilizar as fotografias.


Os direitos de uso precisam estar previstos nos contratos.


Um modelo que aparece em outros mercados



O compartilhamento de custos não é exclusivo de Alicja Korbinska.


Nos Estados Unidos, o fotógrafo de arquitetura Tobin Davies também descreve o uso desse formato, principalmente em projetos que envolvem arquitetos, designers e construtoras.

O princípio é semelhante: identificar antecipadamente quem precisa das fotografias e organizar uma contratação que contemple os diferentes interessados.

Isso muda a maneira de apresentar o serviço.


Em vez de discutir apenas quantas imagens serão entregues ou quanto custa a diária, a negociação considera o conjunto de empresas que poderão utilizar profissionalmente o material produzido.


O que esse caso sugere para o Brasil?


O modelo não depende de uma tecnologia específica. A mudança está na organização comercial da produção.


Um projeto brasileiro de arquitetura ou interiores também pode envolver escritório de arquitetura, marcenaria, marmoraria, iluminação, paisagismo e fornecedores de materiais.

Algumas dessas empresas podem ter interesse em documentar seus produtos e serviços no ambiente em que foram instalados.


Mas isso não significa que todas estejam dispostas a pagar por fotografias, nem que dividir custos seja sempre melhor do que negociar uma produção exclusiva.


O modelo exige planejamento, autorização de acesso ao imóvel, entendimento das necessidades de cada participante e condições claras de utilização das imagens.

O caso de Londres mostra uma possibilidade concreta: uma mesma produção fotográfica pode atender diferentes necessidades comerciais sem exigir sessões independentes para cada empresa.


Para o fotógrafo, a questão é descobrir quando essa estrutura faz sentido para seu tipo de cliente e para os projetos que já realiza.


Da referência internacional à prática brasileira


No Essencial, preparei uma análise complementar sobre como identificar possíveis participantes de uma produção compartilhada, apresentar a proposta comercial e organizar os principais cuidados com licenciamento.


O caso também pode abrir discussões sobre posicionamento e estrutura de serviços dentro do Mapa R.U.M.O., incluído na entrada do Essencial.



Fontes

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