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A melhor foto de evento do ano nasceu antes do clique

há 6 horas
3 min de leitura

Imagem de David Parry com Sam Ryder dentro de um trem venceu o Event Photography Awards 2026 e mostra como campanhas podem criar situações que ganham força muito além da publicidade tradicional.



Sam Ryder está cantando dentro de um trem a caminho de Glastonbury. Passageiros cercam o músico, o espaço é apertado e a cena tem muito pouco da aparência convencional de uma campanha publicitária.


Foi esse momento que rendeu ao fotógrafo David Parry o prêmio geral do Event Photography Awards 2026 com a imagem Train to Glastonbury. A competição recebeu mais de 2.300 fotografias de profissionais de mais de 20 países.


A apresentação não aconteceu por acaso. Ela fazia parte da campanha I came by train, apoiada pela Trainline para estimular viagens de trem e tornar esse meio de transporte uma escolha mais desejável para quem seguia para o festival.


O resultado ajuda a olhar para fotografia de eventos por outro ângulo.



A campanha criou uma situação que valia a pena fotografar


A Trainline poderia ter produzido uma campanha convencional mostrando pessoas embarcando para Glastonbury. Em vez disso, colocou um artista conhecido para fazer uma apresentação surpresa durante a própria viagem.


A fotografia continuou tendo um papel decisivo. Parry precisou reconhecer o momento, enquadrar a situação e transformar uma ação de marca em uma imagem capaz de funcionar por conta própria. O prêmio de £1.000 veio justamente para essa fotografia.


Mas existe uma etapa anterior que interessa especialmente a quem vive de fotografia comercial: antes de existir uma boa cobertura, existia uma boa situação para ser coberta.


Produto, mensagem e experiência estavam conectados. O trem não aparece apenas como cenário. Ele faz parte da própria ideia da campanha.


O que isso muda para quem fotografa eventos


Grande parte dos fotógrafos entra no processo quando praticamente tudo já foi decidido. Recebe data, horário, local, briefing e lista das imagens necessárias.


Nesse modelo, sua responsabilidade começa na cobertura.


Não há nada errado nisso. O problema aparece quando esse passa a ser também o limite percebido do serviço.


Um profissional que acompanha eventos continuamente acumula um tipo de conhecimento que agências, produtoras e clientes nem sempre possuem da mesma forma. Ele sabe onde as pessoas costumam se concentrar, quais situações produzem boas imagens, o que funciona visualmente, o que desaparece na fotografia e quais momentos tendem a circular melhor depois do evento.


Esse repertório pode ter valor antes do primeiro clique.


Não significa que todo fotógrafo de eventos precise virar diretor criativo. Significa que alguns podem encontrar espaço para participar de briefings, pré-produções ou conversas com clientes trazendo uma perspectiva visual que normalmente só aparece quando o evento já começou.


A diferença está no problema que o fotógrafo ajuda a resolver


O Event Photography Awards existe justamente para destacar a importância da fotografia para a indústria de eventos. Na edição de 2026, além do prêmio geral conquistado por Parry, a competição manteve categorias específicas para ativações de marca, eventos corporativos, cultura, música e bastidores.


Isso ajuda a perceber como o mercado está dividido em muito mais possibilidades do que simplesmente “fotografia de eventos”.


Um cliente pode precisar de cobertura. Outro pode precisar de imagens para imprensa, redes sociais e comunicação interna. Uma produtora pode querer antecipar como determinada ativação será percebida visualmente. Uma marca pode precisar criar uma experiência que produza imagens capazes de continuar circulando depois que o evento terminar.


O equipamento usado pelo fotógrafo pode ser praticamente o mesmo em todas essas situações. O valor percebido do trabalho, não necessariamente.


Momento R.U.M.O.


O caso de David Parry não demonstra que o fotógrafo tenha criado a ação da Trainline. A campanha já existia e ele registrou um momento excepcional produzido dentro dela.


Ainda assim, a fotografia vencedora ajuda a fazer uma pergunta comercial importante: em que momento o seu trabalho começa para o cliente?


Se a resposta for sempre “quando eu chego para fotografar”, talvez exista uma parte do seu repertório profissional que ainda não esteja entrando na proposta.


No Mapa R.U.M.O., uma das coisas que observo é justamente essa distância entre o que o fotógrafo sabe fazer, o que está oferecendo e o lugar que poderia ocupar no mercado. Em alguns casos, reposicionar o trabalho não significa abandonar um nicho. Significa ampliar o problema que você consegue resolver dentro dele.


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