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O que o novo filme da Apple revela sobre imagem, processo e valor criativo em 2026

Produção para o Ano Novo Chinês mistura live action e stop-motion físico e ajuda a entender por que o artesanal segue estratégico, mesmo na era da automação.


A Apple voltou a usar o cinema como vitrine tecnológica com o lançamento de Glad I Met You, curta-metragem de 12 minutos produzido para o Ano Novo Chinês e filmado com o iPhone 17 Pro. Até aqui, nada de novo. A empresa faz isso há anos, sempre combinando emoção, bastidores e demonstrações técnicas.


O que torna esse filme específico digno de atenção não é o aparelho em si, mas as escolhas criativas por trás dele.



Dirigido por Bai Xue, o curta mistura cenas em live action com sequências extensas de stop-motion totalmente físico, construído à mão. Bonecos, cenários, estruturas internas e expressões faciais foram produzidos artesanalmente, fotografados quadro a quadro com o próprio smartphone. Nada de animação sintética ou atalhos digitais.


Essa decisão diz mais sobre o momento da imagem em 2026 do que qualquer ficha técnica.


No material de bastidores, a equipe mostra o iPhone sendo usado de forma pouco glamourosa: preso a carrinhos de controle remoto, deslizando pelo chão para planos baixos, equipado com lentes adicionais e adaptadores. Há elogios à leveza do equipamento, especialmente para filmagens com animais, menos intimidados por estruturas grandes e complexas.


É importante notar o subtexto. A Apple poderia ter optado por um discurso de substituição total do cinema tradicional. Não o fez. Em vez disso, posiciona o smartphone como ferramenta integrada ao processo, não como protagonista absoluto.


Outro ponto relevante está na escolha estética. O stop-motion não é um recurso casual. Em um momento em que imagens geradas e ambientes totalmente sintéticos se tornam cada vez mais comuns, a opção por cenários físicos, manipulados milímetro a milímetro, funciona como afirmação simbólica. O valor está no que existe de fato, no que foi construído, tocado, ajustado manualmente.


Essa mensagem aparece de forma explícita em uma fala de Ege Soyuer, diretor criativo da BUCK, estúdio responsável pela produção: saber que tudo o que aparece na tela existe no mundo real ainda carrega algo de especial. Não é uma crítica à tecnologia, mas um posicionamento claro sobre processo e valor.


Há também uma camada cultural pouco explorada em análises rápidas. O filme não é genérico. Ele se ancora no Ano Novo Chinês, com elenco local, narrativa afetiva e estética alinhada ao contexto cultural. A tecnologia é global, mas a história é regional. Isso reforça uma tendência clara: ferramentas universais, narrativas situadas.



Para quem vive da imagem, o interesse desse filme não está em provar que “dá para filmar com celular”. Isso já é dado. O ponto está em entender por que grandes marcas seguem investindo no físico, no artesanal e no humano como linguagem, mesmo quando poderiam automatizar boa parte do processo.


Em 2026, o diferencial não é apenas o que se usa para criar imagens, mas como se constrói significado ao redor delas. E, nesse sentido, o novo filme da Apple funciona menos como vitrine de produto e mais como termômetro cultural.


Leituras como essa fazem parte das análises semanais da comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto, onde tecnologia, mercado e linguagem visual são discutidos sem hype e com foco em quem vive da imagem.


Para aprofundar essas questões ao vivo, em grupo pequeno, o próximo workshop presencial acontece em fevereiro, em São Paulo, com foco em fotografia, processos criativos e decisões reais em tempos de transformação.

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