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O primeiro festival de cinema com IA no Brasil mostra que o debate chegou ao centro da indústria audiovisual

  • há 59 minutos
  • 3 min de leitura

Primeira edição brasileira do World AI Film Festival reuniu criadores e executivos do setor para discutir como a inteligência artificial começa a redefinir o processo de criação no audiovisual.

Premiação do World AI Film Festival (WAIFF) 2026 no Auditório 1 da FAAP - Foto: Faap.br
Premiação do World AI Film Festival (WAIFF) 2026 no Auditório 1 da FAAP - Foto: Faap.br

Nos últimos anos, a inteligência artificial entrou na conversa sobre criação visual quase sempre como provocação. Experimentos, vídeos curtos, testes de ferramentas, imagens virais nas redes sociais.


Mas aos poucos essa discussão começa a sair do território do experimento e entrar no espaço institucional da indústria criativa.


Foi exatamente isso que aconteceu no fim de fevereiro, em São Paulo, com a primeira edição brasileira do World AI Film Festival (WAIFF), festival internacional dedicado a filmes produzidos com inteligência artificial.


O evento aconteceu nos dias 27 e 28 de fevereiro na FAAP e reuniu profissionais de cinema, publicidade, jornalismo e tecnologia para discutir como a IA está sendo integrada ao processo de criação audiovisual.


A edição brasileira faz parte de uma rede global de festivais que agora também terá etapas em países como Japão, Coreia do Sul, China, França, Argentina e Canadá.

Durante dois dias, o evento reuniu mais de 30 horas de palestras, mesas de debate, workshops e apresentação de cases, além da mostra competitiva de filmes criados com apoio de inteligência artificial.


Mais de 400 obras foram inscritas no festival.




Quando a IA entra no fluxo real de produção

Uma das regras da mostra competitiva ajuda a entender o estágio atual dessa transformação. Os filmes inscritos precisavam utilizar no mínimo três ferramentas generativas de IA, incluindo pelo menos uma dedicada à geração de imagens.


Isso mostra que a IA já não aparece apenas como um recurso isolado. Ela começa a fazer parte de um fluxo de produção mais amplo, que pode envolver geração visual, edição, pós-produção e experimentação narrativa. Essa integração foi um dos temas centrais das discussões do festival.


Em um dos painéis, representantes da Globo discutiram como a inteligência artificial já está sendo usada na produção de conteúdo jornalístico e documental. Segundo Carlos Octávio Queiroz, diretor de Dados e Inteligência Artificial da empresa, a transformação só acontece porque os próprios criadores passaram a utilizar essas ferramentas no dia a dia.

Não é a área de tecnologia que está introduzindo a IA no processo criativo. São os profissionais que trabalham diretamente com conteúdo que estão experimentando essas possibilidades.


Essa mudança cultural talvez seja um dos sinais mais claros de que a tecnologia deixou de ser apenas promessa.



Roteiro, autoria e presença humana

Ao mesmo tempo, o festival também deixou claro que o debate sobre autoria continua no centro da criação audiovisual.


Em um dos painéis sobre cinema em tempos de inteligência artificial, o artista e diretor de TV Tadeu Jungle trouxe uma reflexão que sintetiza bem essa tensão.

Segundo ele, uma ideia visual ou um prompt não são suficientes para criar um filme.

“Um filme é um roteiro, e não apenas um prompt.”


A frase resume uma das discussões mais recorrentes quando se fala em IA e criação visual.

Ferramentas generativas podem acelerar processos e abrir novas possibilidades estéticas, mas continuam dependentes de algo que sempre esteve no centro da criação audiovisual: intenção narrativa.


Conflitos humanos. História. Ponto de vista.


Sem isso, a tecnologia pode produzir imagens impressionantes, mas dificilmente produz cinema.



O que esse festival revela sobre o momento da criação visual

A realização de um festival dedicado a filmes criados com inteligência artificial não significa que o cinema tradicional está sendo substituído. O que eventos como o WAIFF indicam é outra coisa. A indústria criativa está tentando entender como integrar essa tecnologia ao processo de criação.


Assim como aconteceu com a chegada do digital, da computação gráfica ou mesmo das cores no cinema, a inteligência artificial começa a ocupar seu espaço como ferramenta dentro de um ecossistema criativo muito maior.


A questão que começa a aparecer não é mais se a IA fará parte da produção audiovisual.

A pergunta agora é como os criadores vão usar essas ferramentas para construir linguagem, narrativa e identidade própria.


Porque, no fim das contas, o que diferencia uma imagem comum de uma obra relevante nunca foi apenas a tecnologia usada para produzi-la. Sempre foi a visão de quem está por trás dela.


Se você sente que a fotografia, o vídeo e a criação visual estão mudando mais rápido do que as decisões do seu negócio conseguem acompanhar, talvez este seja um bom momento para reorganizar direção e estratégia.

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