A DJI colocou uma câmera em um foguete. E deixou o produto fazer o marketing
- há 15 horas
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Uma ação extrema da Osmo Action 6 traz uma pergunta interessante para qualquer negócio de fotografia: em vez de dizer que seu produto é bom, existe uma forma de fazer o cliente enxergar isso?

Da série: MOMENTO R.U.M.O.
A DJI participou de uma ação pouco convencional para promover a Osmo Action 6: colocou 12 unidades da câmera em diferentes pontos do foguete reutilizável Zhuque-3, desenvolvido pela empresa chinesa LandSpace.
As câmeras acompanharam diferentes momentos do voo, incluindo lançamento, deslocamento e retorno. Segundo a DJI, eram unidades de consumo, sem modificações especiais, submetidas a condições extremas durante a missão.
A propósito, a expressão "foguete não dá ré" mais uma vez cai por terra (com o perdão do trocadilho.
É fácil olhar para a ação apenas como uma grande peça de marketing, e certamente ela é. Mas existe um aspecto mais interessante para quem trabalha com imagem, produto e comunicação.
A DJI poderia simplesmente anunciar resistência, estabilização, qualidade de imagem e capacidade de operar em situações difíceis. Em vez disso, criou uma situação em que essas características podiam ser observadas em funcionamento.
Isso muda a natureza da comunicação.
Em vez de depender apenas de uma afirmação publicitária, a marca construiu uma demonstração. O vídeo passa a cumprir uma função que uma lista de especificações dificilmente conseguiria cumprir sozinha. Aliás, reforça a máxima recente: me mostre trabalhando e não só o "trabalho".
Para quem trabalha com fotografia, essa lógica merece atenção.
Boa parte da comunicação de fotógrafos e pequenos negócios criativos ainda depende de conceitos bastante abstratos: atendimento personalizado, experiência diferenciada, qualidade, sensibilidade, agilidade, exclusividade ou olhar autoral.
O problema não está necessariamente nessas promessas. Muitas delas podem ser verdadeiras. A dificuldade é que são difíceis de avaliar antes da contratação e aparecem com tanta frequência na comunicação profissional que acabam perdendo força.
O caso da DJI sugere outra pergunta: existe alguma maneira de transformar aquilo que você considera um diferencial em algo mais fácil de perceber?
Um fotógrafo que destaca rapidez de entrega pode mostrar seu fluxo de trabalho e casos concretos. Quem considera a direção durante a sessão um diferencial pode mostrar como conduz clientes que chegam inseguros diante da câmera. Um profissional de eventos pode apresentar parte da operação que sustenta a entrega, como organização, seleção, backup ou logística. Quem vende álbuns e produtos físicos pode mostrar o produto sendo usado, manuseado e entregue, em vez de apenas descrevê-lo.
Nada disso exige uma ação espetacular ou um grande orçamento. Por sinal, vemos fotógrafos e fotógrafas de diferentes nichos fazendo isso. Mostrando bastidores, depoimentos, etc. O resultado funciona bem.

O valor do exemplo da DJI está menos no foguete e mais no princípio: transformar uma característica que normalmente aparece como discurso em uma experiência observável.
Essa lógica também ajuda a explicar por que certos conteúdos de bastidores, estudos de caso e demonstrações podem ser mais convincentes do que uma sequência de posts dizendo que um serviço é diferente, exclusivo ou premium.
Em muitos negócios de fotografia, talvez o problema de comunicação não seja falta de conteúdo. Pode ser simplesmente que algumas das melhores qualidades do serviço continuem invisíveis para quem está considerando contratar.
É uma questão que vale levar para o próprio negócio: quais atributos você repete na sua comunicação e quais deles o cliente realmente consegue enxergar?
No Desafio R.U.M.O., que acontece de 31 de agosto a 4 de setembro, parte do trabalho passa justamente por esse tipo de revisão: entender melhor a oferta, o valor percebido e a maneira como o negócio está sendo apresentado ao mercado.




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