Dia do Fotógrafo, 2026
- Leo Saldanha

- há 2 dias
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Atualizado: há 19 horas
Como o trabalho fotográfico mudou de natureza e por que decidir bem importa mais do que nunca

O fotógrafo de 2026 não é o de 2016. Nem o de 2022.
Não porque a técnica mudou. A técnica sempre muda.
Mas porque o trabalho mudou de natureza.
Houve um tempo em que a principal pergunta era se dava para fazer uma boa foto. Dominar luz, enquadramento, equipamento. Resolver a parte técnica. Isso ainda importa, claro. Mas deixou de ser o centro do problema.
Hoje, para quem vive da fotografia, a questão é outra. Diz respeito a decisões. O que fotografar. Para quem. Onde mostrar. Como vender. Onde insistir e onde parar. A câmera virou commodity. A leitura de cenário, não.
A fotografia continua sendo um ofício bonito. Lida com memória, estética, momentos que importam. Mas o trabalho profissional passou a incluir camadas que antes não existiam. Estratégia, posicionamento, visibilidade, negociação, escolha de canais, adaptação constante. Em 2015, boa parte disso nem fazia parte da rotina de um fotógrafo. Hoje, faz.
Ainda assim, muita gente segue jogando o jogo antigo. Investe mais em equipamento. Aperfeiçoa a técnica. Espera que a qualidade do trabalho abra portas. O problema é que as portas mudaram de lugar. E a chave já não é só fotografar bem.
O início do ano costuma deixar isso mais visível. Janeiro expõe decisões mal resolvidas. Produtos que não se encaixam. Dúvidas sobre onde colocar energia. Não é falta de vontade nem de talento. É falta de direção clara em um cenário que muda rápido demais.
Em 2026, vai haver fotógrafo indo bem não porque é o melhor tecnicamente, mas porque sabe onde está pisando. Porque consegue ajustar rota antes de se desgastar. Porque entende que fotografar bem é condição de entrada, não diferencial.
Talvez esse seja o verdadeiro sentido de celebrar o Dia do Fotógrafo hoje. Não apenas pelo domínio da técnica, mas pela capacidade de ler o próprio tempo e decidir melhor dentro dele.
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