O desafio dos congressos de fotografia em 2026
- Leo Saldanha

- há 31 minutos
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Acho curioso ver a trend 2016 x 2026 rolando agora. Ela cabe bem para olhar para o nosso mercado e fazer algumas reflexões. Veja o caso dos congressos.

Em 2016 existiam eventos maiores e também já tínhamos congressos espalhados pelo país. Tudo parecia novidade. Por outro lado, já víamos sinais de esgotamento. Dez anos depois, chama muita a atenção notar que muitos eventos seguem praticamente iguais. O ponto aqui não é apontar nomes ou iniciativas específicas, mas observar um modelo que, em grande parte, parece ter parado no tempo.
Em 2016, os formatos newborn, família e casamento eram dominantes, e o mercado estava mais forte nessas áreas se compararmos com agora, pelo menos é o que ouço e vejo nos bastidores. Dez anos atrás, as redes sociais já tinham força, mas não a presença quase absoluta de hoje. O fato é que, atualmente, a grande sala educacional da fotografia é virtual, e isso impacta todo mundo: escolas presenciais, congressos e workshops. Antes, fechar uma turma de ws com 10 a 20 inscritos era um pouco mais simples. Hoje, a realidade é outra.
Vivemos a era dos tutoriais, da IA que conduz, dos vídeos rápidos e dos macetes. Isso não quer dizer que o ensino tenha melhorado, mas certamente ficou mais veloz, mais superficial e, muitas vezes, distorcido por conta disso.
Voltando aos congressos de fotografia, o que chama atenção é a sensação de imobilidade. E digo isso sem a intenção de criticar por criticar. Congressos são estruturas complexas, com múltiplos agentes envolvidos, e nem sempre quem apoia ou patrocina um evento define seu formato, curadoria ou direção conceitual. Ainda assim, olhando o conjunto, muitos parecem presos a uma lógica de 2016.
A crítica nasce justamente da crença de que um congresso deveria mostrar melhores práticas, levar nomes que realmente tenham algo a dizer e entregar conteúdo com densidade. Deveria abrir espaço tanto para grandes nomes da fotografia quanto para novos talentos. Deveria promover debates, tensionar ideias, apresentar inovações e, talvez, experimentar formatos mais interativos ou híbridos. Na prática, porém, a maioria segue repetindo fórmulas antigas.
Some-se a isso uma complicação adicional: os congressos perderam referência. Antes, existiam eventos que serviam como base, inspiração e parâmetro para outros. Com a pandemia e o período posterior a ela, essa referência se diluiu ainda mais. Hoje, muitas iniciativas parecem reproduzir modelos sem reflexão, como uma cópia da cópia da cópia, e sabemos bem o impacto disso na qualidade do conteúdo.
Congresso não é escola. Ele não deveria assumir o papel de formação contínua. Serve para mostrar o que há de novo, reforçar uma técnica, um modelo, um produto, um serviço ou uma autoria. Serve para celebrar e honrar mestres reais ou abrir espaço para talentos que rompem com a prática dominante. Serve, sobretudo, para indicar para onde as coisas estão indo e como atravessar esse caminho.
Meu tempo em congressos passou. Tive uma participação intensa, aprendi muito no processo e sou grato por isso. Hoje, o cenário me parece claro: os congressos precisam encontrar um novo rumo. Não por capricho, mas pela necessidade de um mercado saudável.
O próprio modelo de congresso fotográfico nasceu com esse espírito. Foi George Eastman, fundador da Kodak, quem percorreu os Estados Unidos e a Europa incentivando a fotografia de massa, formando público, criando mercado e cultura. Funcionou muito bem naquele contexto.
O desafio, hoje, é reconhecer que o contexto mudou.
Existem exceções? Sim. É possível notar iniciativas que tentam sair do palco tradicional, como ações mais próximas, itinerantes e práticas. Um exemplo disso são projetos como os realizados pela Fotto, que levam a fotografia esportiva para diferentes cidades, apresentam técnicas, cases reais e reforçam a ideia de crescer junto.
Curiosamente, muitas das experiências mais interessantes hoje acontecem fora do formato clássico de congresso.
Esse texto poderia facilmente virar uma tese ou um ebook extenso. O potencial para algo novo está aí. O que parece travar essa próxima fase é, muitas vezes, o apego a um modelo que já não responde às transformações do mercado. Tomara que essa nova etapa chegue logo. Todo mundo tende a ganhar com isso.
Se esse tema toca em pontos que você vive ou observa no mercado, a conversa continua nas trocas mais diretas com quem está próximo. Às vezes, o comentário público não é o melhor lugar para esse tipo de reflexão.
Essas reflexões seguem sendo aprofundadas em conversas mais diretas, com quem acompanha de perto o que venho observando sobre fotografia, mercado e decisões neste novo ciclo.
A comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto é onde esse tipo de diálogo acontece com mais tempo, menos palco e mais contexto.

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