Com foco ou sem?

Na série dos paralelos entre o marketing e a fotografia o foco é um tema sempre atual





Você tem foco ou não? A foto desfocada costuma ser um problema para muitos fotógrafos(as) profissionais. "Está fora de foco" ou o "ponto focal está no lugar errado" é uma frase comum. O que isso tem a ver com o marketing?


Foco é quando colocamos algo no centro da atenção. Queremos ter o detalhe daquilo exposto. É sobre focar em um assunto e mostrar da melhor forma possível.


No caso do marketing o jargão diz que o foco é o cliente. Mas além disso temos as escolhas de atuação. Em tempos de crise aliás, fotógrafos e fotógrafas costumam focar em muitas áreas ao mesmo tempo. Eu sou fotógrafo de gente é bem amplo. Eu sou retratista também. A decisão é sua, mas os efeitos dessa escolha também.





Quem escolhe um nicho tem a vantagem de dar atenção total para aquele mercado. E na hora de divulgar não gera tanta confusão. No fim, o foco no marketing é sobre ser especialista ou generalista. Cada trilha escolhida terá seus desafios e trocas.


Uma pergunta: Anne Geddes é reconhecida em qual área? E Annie Leibovitz? E Platon? Se você olhar bem de perto verá que eles são mais focados do que qualquer outra coisa. Claro, existem exceções. Casos específicos de fotógrafos que atuam em múltiplas áreas, curiosamente os famosos multi acabam reconhecidos por um segmento específico.


Eu preciso faturar e não dá para dizer não para trabalho. E eu concordo com isso. Qual a alternativa? Você pode sim atuar no que der e vier. Mas deve mostrar e focar naquilo que realmente quer crescer. Lembro de um fotógrafo mais voltado para a arte e que fazia casamentos e aniversários. Ninguém sabia muito dessa atuação dele na fotografia social. E ele atuava nas duas frentes: comercial e autoral.


Não dá para dizer não para trabalho. Diga sim. Mas também não dá para atender todo mundo. Neste ponto entra outra questão de foco: para quem é? Escolher o perfil que você quer atender é tão importante quanto o trabalho em si. O desafio é que em tempos de crise temos a falsa sensação de que o importante é vender para quem aparecer. Na prática isso apresenta um desafio: Se você vai atender todo mundo como é que vai criar uma comunicação para cada um desses "Todo mundo"?


Eu concordo que perfil de público-alvo e persona é algo muito engessado. Ou seja, que eu vou servir mulheres de 30 a 45 anos que moram em uma cidade determinada com certo padrão de vida. Na verdade, no marketing moderno muito se fala da importância de pensar em missão/causa. Aquilo que você acredita (além de vender) e que assim atraia pessoas com as mesmas crenças. Curiosamente, as referências dentro e fora da fotografia fazem isso. O maior mestre do marketing mundial, Seth Godin, diz que devemos criar para pessoas "como a gente" e de que "farei algo para elas".







Tudo muito romântico, pois na rotina a gente tem que vender. Temos que fazer tudo que aparecer de trabalho fotográfico. E ok. Mas isso não quer dizer que você não deva refletir e ajustar o foco para quem sabe conseguir resultados naquilo que realmente gostaria de fazer na fotografia.





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Em tempo: foco na fotografia tem mais relação com nitidez do que qualquer outra coisa. Uma dica de livro bacana é o "Ligeiramente Fora de Foco" que conta a história de Robert Capa. Uma das fotos mais famosas de todos os tempos feita por ele (do Dia D na Segunda Guerra Mundial) está bem fora de foco (ou seria ligeiramente?).

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