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Cildo Meireles e Claudio Tozzi colocam arte e prestígio a serviço da inclusão

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Parcerias com o Instituto Olga Kos aproximam dois nomes reconhecidos internacionalmente de pessoas com deficiência e participantes em situação de vulnerabilidade social


Cildo Meireles e Claudio Tozzi, dois nomes centrais das artes visuais brasileiras, estão colocando suas obras, trajetórias e reconhecimento público a serviço de projetos de inclusão. Os artistas participam de iniciativas promovidas pelo Instituto Olga Kos, organização que há duas décadas desenvolve atividades de arte, esporte e ciência com pessoas com deficiência e públicos em situação de vulnerabilidade social.


As colaborações envolvem exposições, livros, obras criadas para arrecadar recursos e experiências compartilhadas com participantes das oficinas. O resultado vai além da associação institucional de nomes conhecidos. Os projetos aproximam artistas, produção cultural e públicos que ainda encontram barreiras para acessar museus, galerias e outras estruturas do circuito artístico.


No caso de Cildo Meireles, a parceria deu origem à exposição “Obras Sonoras – A escuta e o olhar: travessias com Cildo Meireles”, que reúne trabalhos do artista e criações produzidas por participantes das oficinas do Instituto Olga Kos. O projeto também inclui o livro “Todos os Sons – Cildo Meireles” e o múltiplo sonoro “Tilim Tilim”, desenvolvido para apoiar as ações da organização.


Cildo é autor de algumas das instalações mais reconhecidas da arte contemporânea brasileira. Uma delas é “Desvio para o vermelho I, II, III”, concebida em 1967, montada pela primeira vez em 1984 e exibida permanentemente no Inhotim desde 2006. A experiência começa em um ambiente doméstico completamente tomado pelo vermelho e avança para espaços cada vez mais estranhos e inquietantes, alterando a percepção do visitante sobre objetos, cor e realidade.


Essa dimensão sensorial também ajuda a compreender o interesse da nova exposição pela escuta, pelo olhar e pela participação do público. A obra de Cildo frequentemente transforma elementos cotidianos em experiências que exigem envolvimento físico e interpretação de quem atravessa o espaço.


Claudio Tozzi mantém uma relação mais longa com o Instituto Olga Kos. A parceria já resultou em três livros, exposições, séries autografadas e no múltiplo “Parafuso”, cuja renda é destinada aos projetos da instituição. A iniciativa mais recente, “Geometrias da Urgência: Derivas com Claudio Tozzi”, reuniu obras do artista e releituras produzidas pelos participantes das oficinas.


Embora seja associado principalmente à pop arte brasileira, à pintura e à gravura, Tozzi também realizou experimentações importantes com a fotografia e com imagens reproduzidas pelos meios de comunicação. Desde os anos 1960, apropriou-se de registros fotográficos, imagens de jornais e referências da cultura de massa, trabalhando com recortes, ampliações, serigrafia, retículas e granulações. Nas décadas seguintes, essas tramas gráficas se tornaram uma parte reconhecível de sua linguagem visual.


A fotografia, nesse contexto, não aparece apenas como registro. Ela funciona como matéria visual que pode ser ampliada, fragmentada, impressa e reinterpretada. Essa relação aproxima a produção de Tozzi de questões que continuam presentes no debate contemporâneo sobre circulação de imagens, mídia, autoria e construção de significado.


A participação de Cildo Meireles e Claudio Tozzi também mostra como o prestígio artístico pode ser convertido em visibilidade, financiamento e acesso. Ao lado das obras dos artistas, os trabalhos desenvolvidos nas oficinas ganham espaço de exposição, publicação e contato com novos públicos.


Na fotografia brasileira, iniciativas sociais também utilizam a imagem como instrumento de inclusão, formação, memória e expressão em diferentes comunidades. São projetos que ensinam técnica, mas sobretudo ajudam pessoas e grupos a produzirem suas próprias representações e a ocuparem espaços dos quais muitas vezes estiveram ausentes.


A conexão com o trabalho do Instituto Olga Kos está justamente nesse ponto. Arte e fotografia podem gerar impacto social não apenas quando documentam uma realidade, mas quando oferecem condições para que outras pessoas criem, interpretem e apresentem suas próprias imagens.

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