O que os últimos movimentos da Canon dizem sobre o fotógrafo de hoje
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Atualizado: há 10 horas
A celebração dos 30 anos da PowerShot e o avanço das lentes RF ultra-wide revelam um mercado cada vez mais bifurcado. Além de indicar escolhas mais difíceis para quem vive da fotografia

Em 2026, a Canon completa 30 anos da linha PowerShot, uma das mais emblemáticas da história das câmeras compactas. Para marcar a data, a empresa lançou uma edição comemorativa da PowerShot G7 X Mark III, com acabamento especial, identidade visual própria e preço mais alto, mas sem mudanças técnicas relevantes em relação ao modelo original, lançado em 2019.
À primeira vista, pode parecer apenas um gesto nostálgico. Mas, observado com mais calma, esse movimento diz muito sobre o momento atual da fotografia.
Compactas nunca desapareceram completamente. Elas mudaram de função. Deixaram de ser “porta de entrada” para iniciantes e passaram a ocupar um espaço híbrido, entre criadores de conteúdo, vídeo, uso cotidiano e fotógrafos que valorizam portabilidade e simplicidade. Celebrar a PowerShot em 2026 não é olhar para trás. É reconhecer que existe um público que não quer (ou não precisa) da complexidade total dos sistemas profissionais. Sem falar dos jovens escolhendo compactas digitais porque não estão conectadas e pela estética distinta dos smartphones...
Ao mesmo tempo, quase em contraste direto, a Canon anunciou novas lentes RF ultra-wide de alto desempenho, como a RF 14mm f/1.4 L VCM e a RF 7–14mm Fisheye. Ópticas grandes, caras, altamente especializadas e claramente voltadas para um público profissional disposto a investir pesado em um ecossistema fechado e de longo prazo.
Essas duas decisões não se anulam. Elas se complementam.


A Canon não está indecisa. Ela está falando com dois fotógrafos diferentes.
De um lado, quem busca leveza, mobilidade, versatilidade e uma relação mais fluida com a imagem. De outro, quem aposta em performance máxima, diferenciação técnica e equipamentos que exigem compromisso financeiro e conceitual mais profundo.
O ponto central não é se a edição comemorativa da PowerShot “entrega inovação” ou se as novas lentes RF justificam o investimento. A questão real é outra: em qual fotografia você está apostando seu tempo, seu dinheiro e sua energia em 2026?
Esse tipo de dilema aparece com frequência nas conversas que surgem dentro da comunidade Fotograf.IA + C.E.Foto. Não como debate técnico isolado, mas como reflexão estratégica sobre posicionamento, mercado, escolhas de equipamento e sustentabilidade da carreira a médio e longo prazo.
Mais do que acompanhar lançamentos, o desafio hoje é interpretar sinais. Entender quando algo é nostalgia vazia, quando é teste de mercado e quando é um recado claro sobre para onde a indústria (e os clientes) estão indo.
A fotografia deixou de ser um caminho único. As marcas sabem disso. A pergunta é se nós, fotógrafos, estamos acompanhando essa mudança com consciência ou apenas reagindo a cada novidade.
Esse mesmo tema também aparece nos encontros ao vivo, onde a conversa não gira em torno de “qual câmera comprar”, mas de qual modelo de atuação faz sentido para cada momento da carreira.
O próximo encontro presencial dia 25/2 parte justamente desses sinais da indústria para discutir escolhas reais, riscos e oportunidades no cenário atual da fotografia



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