Momento Rumo - A câmera analógica voltou porque a imagem perfeita ficou comum
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QuickSnap, Praktica VF212 e o interesse da Gen Z pelo filme mostram que parte do público não quer apenas fotografar melhor. Quer fotografar com mais ritual, espera e surpresa.

Momento R.U.M.O. | Uma leitura sobre posicionamento, confiança e responsabilidade na fotografia de família
A Fujifilm QuickSnap completa 40 anos em 2026. Lançada em 1986 no Japão como Utsurun-Desu ("ela tira fotos"), a câmera de uso único se tornou a mais vendida da história da categoria, com picos de mais de 89 milhões de unidades vendidas só no Japão em 1997. As vendas caíram para menos de 5 milhões anuais por volta de 2012, com a popularização dos smartphones, mas voltaram a passar de 9 milhões em 2019. Em 2025, o mercado global de câmeras de uso único movimentou cerca de US$ 1,02 bilhão.
No mesmo período, chega ao mercado a Praktica VF212, uma 35mm reutilizável vendida por cerca de US$ 20 no Reino Unido, incluindo farmácias e lojas de roupa. Pesa 98 gramas, tem lente de 31mm com abertura f/9-11 e flash embutido. O nome remete à Praktica alemã, fabricante de SLRs em Dresden entre 1949 e 2001, mas a câmera atual não tem relação industrial com aquela história: é fabricada na China e vende, sobretudo, a memória de uma marca.

Os dois movimentos coincidem com uma mudança de comportamento já registrada pela própria Fujifilm: o interesse pela QuickSnap voltou a crescer a partir de 2019, puxado em boa parte pela Gen Z, que usa a câmera como complemento do celular em festas, viagens e encontros, não como substituto.
Juntos, os três sinais apontam para a mesma direção: parte do consumidor não está buscando mais qualidade de imagem. Está buscando uma relação diferente com o ato de fotografar... menos controle, menos tela, mais espera.
Isso interessa ao mercado fotográfico porque mostra onde o valor está se deslocando. O cliente que procura uma câmera descartável num casamento não está atrás de definição técnica. Está atrás de uma experiência que o celular, por ser bom demais, deixou de oferecer: imprevisibilidade, ritual, uma imagem que só aparece depois. No fim, busca presença, vivência analógica e desconexão digital.
Esse tipo de sinal ajuda a entender para onde o comportamento do cliente está se movendo antes mesmo de virar pedido explícito.
No Desafio R.U.M.O., a proposta é justamente essa: ler essas mudanças e reposicionar a comunicação antes que o mercado inteiro diga a mesma coisa. Para quem quer aplicar essa leitura ao próprio negócio, o Mapa R.U.M.O. é o passo seguinte.