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O que acontece quando a fotografia retorna ao chão de onde uma família veio

  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

Em sua primeira exposição individual em uma instituição museológica brasileira, Ana Leal apresenta no MIS uma investigação sobre memória, paisagem e ancestralidade iniciada no sertão pernambucano

Ana Leal
Ana Leal


Uma viagem realizada em 2022 ao sertão pernambucano deu início ao trabalho que agora chega ao Museu da Imagem e do Som de São Paulo.


A artista visual Ana Leal apresenta, a partir de 11 de agosto, a exposição “Chão de Histórias”, selecionada pelo Programa Nova Fotografia do MIS. A mostra reúne 21 obras e marca a primeira individual da artista em uma instituição museológica brasileira.


O projeto nasceu do encontro de Ana com a região de origem de sua família paterna. A partir dessa experiência, a artista começou a investigar as relações entre memória, território, ancestralidade e paisagem.


A fotografia funciona como ponto de partida, mas a pesquisa avança por diferentes linguagens e materiais. A exposição reúne fotografias, colagens, arquivos familiares, videoprojeção, renda renascença, argila e uma intervenção textual criada especialmente para o espaço do museu.


Ana Leal
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Uma pesquisa apresentada em sua forma integral

Concebida para o espaço expositivo do MIS, “Chão de Histórias” reúne as séries “Dobra do Tempo”, “Encontro” e “Álbum de Família”, além da videoprojeção “Aquilo que fica” e da intervenção textual “O Chão também tem pele”.


A concepção artística e expográfica é de Ana Leal, desenvolvida em diálogo com a artista Sylvia Sanchez, responsável pelo acompanhamento artístico da pesquisa. O texto crítico da exposição é assinado por Éder Chiodetto.


É a primeira vez que o projeto “Chão de Histórias” é apresentado de maneira integral.

Mais do que reunir trabalhos produzidos ao longo de quatro anos, a exposição organiza as obras como um percurso. Fotografias, documentos, matérias e memórias familiares passam a ocupar o espaço de forma conjunta, aproximando experiência pessoal, história coletiva e território.


Ana Leal
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O tempo de amadurecimento de um projeto autoral

Ana Leal já havia apresentado uma versão inicial de “Chão de Histórias” ao Programa Nova Fotografia. Naquele momento, porém, a pesquisa ainda estava em desenvolvimento.

A seleção atual acontece depois de um processo de aprofundamento, experimentação e continuidade.


Para a artista, integrar o programa representa o reconhecimento de um percurso construído ao longo do tempo.


“Vejo essa seleção como o reconhecimento de um percurso construído com estudo, experimentação, amadurecimento e continuidade”, afirma Ana.


A trajetória do trabalho também chama atenção para um aspecto importante da produção autoral. Um projeto pode precisar atravessar diferentes etapas antes de encontrar sua forma definitiva.


Entre a primeira viagem ao sertão, em 2022, e a abertura da exposição no MIS, em 2026, a pesquisa ganhou novas imagens, materiais, associações e camadas narrativas.


Ana Leal
Ana Leal

Quando a fotografia deixa de ser apenas superfície

“Chão de Histórias” também amplia a discussão sobre o lugar da fotografia dentro de uma exposição. As imagens não aparecem como peças isoladas. Elas estabelecem relações com arquivos, objetos, textos, projeções e materiais ligados ao território investigado.


A renda renascença e a argila, por exemplo, acrescentam presença física e cultural ao trabalho. O chão deixa de funcionar somente como paisagem representada e passa a participar da própria construção material da obra.


Esse movimento aproxima a exposição de uma fotografia entendida como processo de pesquisa. A câmera registra, mas o trabalho continua na edição, na associação entre imagens, no contato com arquivos familiares, na escolha dos materiais e na maneira como o público percorre o espaço.


Ana Leal
Ana Leal

Por que essa exposição importa para quem fotografa

“Chão de Histórias” mostra como uma questão pessoal pode se transformar em um corpo de trabalho amplo, capaz de dialogar com memória, território e história.


O projeto também reforça que a autoria pode ser construída pela continuidade. A força da pesquisa surge da permanência diante de uma mesma questão, revisitada por diferentes linguagens ao longo do tempo.


Para fotógrafos, a exposição oferece uma provocação importante: uma série pode crescer para além da sequência de imagens.

Ela pode incorporar texto, arquivo, vídeo, matéria, objetos e espaço, desde que cada escolha aprofunde o sentido do trabalho.


A fotografia, nesse contexto, não encerra a história. Ela abre um caminho para que outras camadas possam aparecer.


Sobre Ana Leal

Ana Leal nasceu em Recife, em 1969, e vive em São Paulo.

Sua produção parte da fotografia e se expande para colagem, vídeo, objetos, instalação e processos híbridos. Seus trabalhos investigam temas como memória, território, ancestralidade e impermanência.


A artista já participou de exposições e festivais como a mostra do Sony World Photography Awards, na Somerset House, em Londres, a BBA Gallery, em Berlim, o Rencontres d’Arles, a Fundação Iberê Camargo, a Galeria Vermelho e a Galeria Lica Pedrosa.


Sua produção também foi publicada por veículos e plataformas como Lenscratch, PhotoVogue, L’Œil de la Photographie e Musée Magazine.


Programa Nova Fotografia

Criado pelo MIS, o Programa Nova Fotografia seleciona, por meio de convocatória pública, fotógrafos e artistas para exposições individuais no museu.


O programa procura apresentar séries inéditas que se destaquem pela pesquisa, pela originalidade estética e pela experimentação com a linguagem fotográfica.

Após o período de exposição, os trabalhos selecionados passam a integrar o acervo do MIS.


Serviço


Chão de Histórias, de Ana Leal

Abertura: 11 de agosto de 2026, terça-feira, das 19h às 22h

Visitação: de 11 de agosto a 20 de setembro de 2026

Local: Museu da Imagem e do Som de São Paulo

Endereço: Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo

Entrada gratuita

Horários: de terça a sexta-feira, das 10h às 19h; aos sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h

Instagram: @mis_sp e @ana_leal_art

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