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5 livros brasileiros de fotografia que merecem sua atenção

há 14 horas
4 min de leitura

De um acervo atingido por uma enchente às memórias da ditadura, seleção reúne publicações sobre encontros, paisagem e história brasileira




Uma enchente transforma um arquivo fotográfico. Caminhadas pelo Rio de Janeiro dão origem a histórias de pessoas encontradas pelo caminho. Fotografias de família ajudam a reconstruir uma infância atravessada pela repressão política.


No Dia Nacional do Livro, celebrado em 29 de outubro, apresento cinco publicações brasileiras de fotografia lançadas em 2026. A seleção aproxima autores de diferentes trajetórias e projetos que exploram as possibilidades da imagem impressa, do documento à experimentação visual.


Sub/Emerso, de Bob Wolfenson



Uma enchente atingiu o estúdio de Bob Wolfenson, em São Paulo, e comprometeu 80% de seu acervo fotográfico. Parte das imagens recuperadas está em Sub/Emerso, publicado pela Editora Senac São Paulo.


O livro reúne retratos de personalidades brasileiras, editoriais de moda, imagens de calendários e polaroides de bastidores produzidos entre os anos 1970 e 2000. As marcas da inundação modificaram os registros e passaram a fazer parte de sua aparência.


Com prefácio de Guilherme Wisnik, a publicação permite olhar para a trajetória do fotógrafo a partir de um acontecimento que alterou materialmente sua obra. Também coloca em discussão a vulnerabilidade dos arquivos e a preservação da memória fotográfica.

Editora Senac São Paulo | 210 páginas | 2026



Encontros não marcados, de Míriam Ramalho



Caminhar e pedalar pelo Rio de Janeiro são práticas que alimentam o trabalho de Míriam Ramalho. Em Encontros não marcados, pessoas encontradas nas ruas dão origem a uma publicação que combina fotografias e histórias.


O projeto se desenvolve pela aproximação: observar, conversar e dedicar tempo a quem surge pelo caminho. Com edição de Eder Chiodetto, o livro reúne textos dele e da autora, em português e inglês.


Para quem fotografa pessoas, a proposta oferece uma reflexão sobre o que acontece antes e depois do disparo. A disponibilidade para o encontro participa da construção das imagens e das histórias que chegam às páginas.


Fotô Editorial | 292 páginas | 2026



Nunca Enganaremos, de Paula Pedrosa



Rastros paleontológicos, paisagens e cenas cotidianas fazem parte da pesquisa de Paula Pedrosa em Nunca Enganaremos. O fotolivro percorre o território brasileiro para investigar relações entre passado e presente, natureza e intervenção humana.


A artista aproxima a fotografia de campos como geologia, biologia e arqueologia. As imagens propõem associações entre os vestígios de outros tempos e aquilo que encontramos na paisagem atual.


Publicado pela Olhavê, o trabalho tem edição de Georgia Quintas e Alexandre Belém, com projeto gráfico de Belém. É o segundo fotolivro da autora pela editora, depois de Diorama, de 2019, e está entre os selecionados da Convocatória de Fotolivros ZUM/IMS 2026.

Olhavê | 112 páginas | Tiragem de 250 exemplares | 2026



Água-Forte, de Thomas Lewinsohn



Água, rocha, areia e tempo são os elementos que orientam Água-Forte, primeiro livro de Thomas Lewinsohn. Fotógrafo e professor emérito de Ecologia da Unicamp, o autor concentra sua atenção em pequenos acontecimentos do litoral brasileiro.


Fragmentos, grafismos e formas naturais aproximam as fotografias da abstração. O projeto nasce da observação de detalhes que podem passar despercebidos em uma visita à praia.

Lançado no Festival de Fotografia de Tiradentes de 2026, o livro reúne 89 fotografias e textos em português, inglês e espanhol. Para fotógrafos interessados em desenvolver projetos autorais, oferece uma referência de investigação prolongada de um tema e de suas possibilidades visuais.


Lovely House | 134 páginas | Tiragem de 500 exemplares | 2026




Meu pai é viajante, de Mônica Zarattini


Imagem do livro "Meu pai é viajante" da Mônica Zarattini – Foto: Divulgação
Imagem do livro "Meu pai é viajante" da Mônica Zarattini – Foto: Divulgação

Em Meu pai é viajante, a fotojornalista Mônica Zarattini revisita a infância e a adolescência entre 1969 e 1979, período marcado pela perseguição política ao pai, Ricardo Zarattini, durante a ditadura militar.


A pesquisa passou pelos arquivos do Deops e por cartas e fotografias guardadas pela família. O resultado aproxima documentos, lembranças e silêncios para reconstruir uma experiência de ausência, clandestinidade e exílio.


Publicado pela Lovely House em 2026, o trabalho reúne um fotolivro e um volume de textos. Também integra a seleção da Convocatória de Fotolivros ZUM/IMS 2026, conectando a memória familiar a um capítulo da história brasileira.




Seleção elaborada a partir de informações das editoras, instituições e notícias de lançamento. Os títulos foram reunidos pela diversidade de suas propostas, sem ordem de classificação.


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