O produto não importa porque não tenho clientes...

Ouvi essa outro dia e acredito que é um colocação que merece uma resposta cuidadosa





Não adianta eu focar em produto se não tenho nem clientes. Foi mais ou menos isso que ouvi recentemente...na verdade é algo que ouço com certa frequência. Existem variações da frase:


  • para que criar produto se a fotografia não é algo importante na vida das pessoas?

  • para que perder tempo com produto quando as pessoas querem só coisas digitais?

  • para que criar algo diferente se serei copiado rapidamente?

  • para que tentar algo novo se o que vendo já me atende bem?

Eu poderia continuar com a lista...mas melhor nos atermos aos grande pensamento por trás de tudo isso: eu não acredito na fotografia impressa! Se você acredita então o conflito pode ser outro. Por exemplo, que a sua fotografia digital é o produto e o cliente quer mesmo é isso. A pessoa que te contratar quer mesmo passar as imagens na tela e compartilhar. E na hora de fechar ou sondar o valor já vem perguntando se fica mais barato sem álbum ou outros produtos avulsos.


Voltando para a frase do título: o produto não importa porque não tenho clientes. Eu devolvi com essa resposta: talvez você não tenha clientes porque não tem algo para oferecer. É doloroso olhar para o que a gente faz de uma forma mais fria. E quem sabe notar que "minha arte" para o cliente não é bem isso. Agora produto, a foto impressa em algo, trata de um item concreto. É o que vai ficar. Em 2020 muitos fotógrafos sobreviveram com o apelo das fotos impressas. E fizeram isso apostando em decoração com fotos, álbuns de eventos que não foram impressos ou de imprimir e criar revistas e impressões de viagens e das próprias fotos dos clientes.


O que a pessoa quer? ela quer um álbum com fotos maravilhosas ou poder relembrar momentos marcantes? Ela quer arte ou quer se sentir especial e bem consigo mesma ao ver as imagens? No fim a grande questão é: é sobre você fotógrafo ou é sobre ela, a pessoa?


Então, ter um produto é pensar na necessidade da pessoa. O que ela quer mesmo? ela quer animar o ambiente com uma foto de paisagem? ela quer celebrar a família com um retrato no porta-retrato? Ela quer se alegrar podendo reviver as histórias marcantes da vida? Sob essa ótica emocional o apelo é outro. Minha história (de cliente) é única, especial e inestimável. Agora se for só uma foto no papel não tem valor mesmo. Logo, para os profissionais da fotografia, o desafio é fazer a ligação dos aspectos emocionais que são relevantes para quem você quer atender. Chame isso de gatilho se quiser (para ficar na expressão da moda). Resumindo: quem colocou as pessoas em destaque e ouviu de verdade criou e vendeu produtos na pandemia. Quando a chavinha está ligada só no "é o que eu quero como fotógrafo" aí fica bem difícil mesmo.


E respondendo as outras questões rapidamente...


  • para que criar produto se a fotografia não é algo importante na vida das pessoas? a fotografia não é importante mesmo, mas a vida e a história delas é...essa mudança de abordagem pode fazer a diferença.


  • para que perder tempo com produto quando as pessoas querem só coisas digitais? o poder do marketing é em gerar demanda. As pessoas não precisam de iPhone (mas é um item de desejo que aliás até quem não tem condições acaba comprando...). E ainda: será que não quer algo impresso mesmo ou você está com preguiça de criar e tentar vender?