Fotografia Digital x Fotografia NFT (Parte 2): a questão do marketing e dos preços

Na primeira parte abordei as diferenças entre a fotografia digital x fotografia NFT em questões como valor, tecnologia, liberdade e outros. Você pode ler essa primeira parte aqui: Fotografia NFT vs Fotografia Digital - Parte 1





Hoje vou mostrar dois pontos muito relevantes no comparativo entre as duas tecnologias. Marketing e Preço.


O marketing na fotografia digital - O fato é que esse sempre foi um desafio para fotógrafos e negócios de fotografia em geral. Arrisco a dizer, ser desafiador para os empreendedores em geral. Marketing nada mais é do que atrair e manter clientes. Antes da fotografia digital (uns 25 anos atrás) fazer marketing era anunciar em mídia impressa ou rádio e tevê. E fazer ações "analógicas" para obter resultados. O bom e velho boca a boca acontecia nas rodinhas ao vivo. Dando um salto no tempo para 2012 temos já o Instagram, marketing digital e smartphones. Três anos depois chegava à tecnologia 4G e as redes sociais e dispositivos móveis se tornaram parte da nossa rotina. O fazer o marketing na fotografia digital é questão de sobrevivência e requer consistência, estratégia e qualidade de conteúdo. Um detalhe importante: todos os fotógrafos estão batalhando nas redes e no Google para tentar aparecer, vender e ter reconhecimento. E a cada semana o Instagram chega com uma novidade e o próprio Insta está em xeque com o avanço do TikTok.


Pior, o fotógrafo digital como está hoje não só depende disso, mas compete pela atenção e por substitutos da fotografia. Exemplo: a pessoa preferir fazer um passeio, uma viagem ou comprar algo no lugar da sessão fotográfica. Claro, alguns setores têm a vantagem do momento único como casamentos, formaturas e newborn. A questão é que nesses segmentos o oceano se tornou vermelho. Ou seja, uma briga sangrenta por preços que levou a uma corrida pelo menor valor possível. E hoje, de fato, tem gente pagando para trabalhar. O marketing na fotografia digital ficou confuso, complexo e envolve uma luta constante por posicionamento único de mercado e isso não é nem um pouco simples.



O marketing na fotografia NFT é novo por se tratar de algo relativamente recente. Fotógrafos dessa área criaram um sensor de comunidade com os próprios colecionadores e nesse ambiente em que o que é digital é único e os participantes (tanto quem vende quanto quem compra) valorizam e estão em buscar de valor. Por ser um produto autenticando, a obra NFT tem valor e isso está atrelado ao artista conseguir mostrar sua história e da sua criação. Aliás, os compradores buscam isso e querem saber como foi o processo e o "porquê" da criação. No fim, é um marketing de relacionamento em tempo real e de valor. As redes sociais têm papel importante no processo assim como para a fotografia digital. A diferença é que a competição não é tão grande porque não tem tantos fotógrafos NFT em atuação. E também porque a dinâmica desse mercado da fotografia NFT não é uma corrida pelo menor valor possível. Como mostrei em um conteúdo recente aqui. O ticket médio das negociações mostra que o valor não é baixo. Diferente da fotografia social e de família que viu sessões sendo vendidas por valores impraticáveis (e segue caindo nesse exato instante).


A vantagem da fotografia digital na parte do marketing é que as ferramentas estão disponíveis e são fáceis de usar. E esse é justamente ao mesmo tempo sua fraqueza. Porque é isso que todo mundo faz. O principal problema no marketing aqui é a estratégia do "mais do mesmo" e isso leva de novo ao menor preço possível. Vamos elencar os diferentes P´s para entender melhor:


  • Posicionamento único de mercado - na fotografia digital a média é de profissionais sem isso e que ficam na base do "eu também" usando as ferramentas, conteúdos e estilos que são todos muito parecidos. Isso é um problema.

  • Propósito - normalmente profissionais não tem isso muito bem definido na fotografia digital. Seguem a linha do "amo fotografar" e isso é bem vago.

  • Produto - digital. Ou seja, focam mais no serviço porque veem o produto impresso como custo e não como legado. Isso explica a desvalorização dos preços.

  • Presença - estão presentes no online com redes sociais, mas seguindo a estratégia do mais do mesmo. Costumam ter muitas dores nesta parte porque não veem resultados como gostariam mesmo estando presentes.

  • Promoção - no sentido de divulgação. A divulgação aqui é do trabalho e mostrando as fotos, mas os fotógrafos se colocam como heróis da história. Ou pior, usam o termo "promoção" para só divulgar preço mesmo ou fazer ações promocionais frequentes com descontos.


A própria dinâmica da fotografia NFT pede que o(a) artista saiba quem é e porque está lançando uma coleção de fotos NFT. A causa é importante e a descrição da obra é valiosa para que se conecte com o colecionador e para se destacar nas plataformas. Logo, as questões de posicionamento e propósito ficam mais bem encaminhadas e naturais se o artista entender e seguir por esse caminho. Produto é único e digital porque a tecnologia assim permite. Mas mesmo assim, o artista pode e deve incluir obras físicas como parte da oferta. Seja com um fotolivro, fotos avulsas e afins. Isso entra como um item extra se assim os fotógrafos quiserem. De qualquer forma, na fotografia NFT o valor zero ou menor valor possível não funciona porque envolve taxas e o preço posiciona a coleção/obra.


Consistência e presença são fundamentais no marketing da fotografia NFT. A diferença é que envolve relacionamento direto mesmo no digital. Isso ocorre em lives no Twitter Spaces ou no Discord e no próprio contato do artista na comunidade. É mais intimista e mais valioso. A verdade é que por se tratar de algo novo, esse marketing está evoluindo e se sofisticando nesse momento. A divulgação/promoção é feita na presença e consistência. O artista NFT leva a vantagem da novidade, do valor da causa e das comunidades e do apelo que isso pode ter para as pessoas. E se destaca até por não ter tanta gente fazendo a mesma coisa.


Claro, existem problemas no marketing da fotografia NFT. Como cobrar bem e se posicionar de forma adequada? Como atrair os colecionadores ou ajudar uma causa que eu acredite de fato. E como criar uma obra de valor que atraia colecionadores. Lógico que existem obras mais do mesmo e sem apelo nesse universo assim como na fotografia digital. A diferença é que a mecânica e a forma desse universo funcionar são distintos e orientados de novo para o valor e não o menor preço possível.


Em 2021 o artista Beeple vendeu um jpeg por quase 70 milhões de dólares. Ele mesmo reconheceu um exagero e que era uma bolha. O que não dá para negar é que preço posiciona. Se o NFT está todo feito para justificar valores e colecionadores podem revender obras (e os fotógrafos ganharem de novo na revenda) então esse ciclo é valioso para todo mercado. E nesse caso nem estamos falando de vender por milhões de dólares. Beeple tem uma história e os artistas que vendem por valores altos se posicionaram com suas obras e histórias até contruírem suas grifes. Isso bem é verdade também ocorre na fotografia digital em que fotógrafos vendem fotos por milhões de dólares. O que essas fotos têm em comum com a fotografia NFT? São obras impressas, escassas. O que é revolucionário no caso do NFT é que a escassez existe mesmo sendo digital. Aliás, o conceito de edições é tendência apontada pela própria 500px em conteúdo recente.


Então o preço posiciona e na fotografia digital isso se torna cada vez mais complexo. Já na fotografia NFT isso faz parte do DNA do negócio e da estrutura. O valor está lá e é sempre uma referência. No fim, as marcas se interessam pelo NFT e sua tecnologia pela utilidade, comunidade, causa e autenticidade mesmo sendo digital. Cria relação de clube com benefícios exclusivos e envolve arte digital. Não é para menos que as marcas de luxo e de entretenimento estão de olho nisso.


Importante: se existe outra coisa em comum entre as tecnologias é que não, não dá para ficar sem fazer marketing seja qual for sua atuação na fotografia (com ou sem NFT).


A fotografia digital é um meio assim como a fotografia NFT. Ambas estão no mesmo universo, mas a nova fronteira de valor está mais na segunda opção do que ne primeira. Embora sem a foto digital não se possa criar um JPEG que gere dividendos. Ou seja, aos fotógrafos e artistas é uma oportunidade para testar, conhecer e sem deixar nada de lado. O que me parece fascinante.


Se você quiser mergulhar no assunto da fotografia NFT para entender e criar para essa nova fase da fotografia clique aqui: NFT para Fotógrafos(as)